FICA relembra os 30 anos do Césio-137

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Mostra “Uranium Film Festival” apresentou filmes voltados à questão nuclear

Yago Sales – Cidade de Goiás

“Olha pra câmera. Aqui, ó”, a cineasta Ana Júlia, 32 anos, tenta convencer o pequeno Victor, de 3 anos, a parar de olhar ao grupo de palhaços que pulam e sorriem na ruela e encarar a lente da câmera. A curiosidade do meninozinho então é registrada. Seus olhos borbulham alegria.
É a primeira vez que Victor acompanha a mãe a um festival de cinema. Sua inauguração ao Festival Internacional Cinema Ambiental (Fica), no sábado, 22 de junho, não é à toa. Ana estava na cidade quando soube que estava grávida de três meses.
Idealizado por Luiz Felipe Gabriel, Jaime Sautchuk, Adnair França e Luís Gonzaga, o Fica foi realizado pela primeira vez entre os dias 2 e 6 de junho de 1999, com a coordenação geral do cineasta João Batista de Andrade.
“O Fica, que acontece na Cidade de Goiás, berço cultural do Estado, adquiriu solidez e independência, marcando-se como um dos mais importantes acontecimentos do calendário cinematográfico mundial. Desde a primeira edição, o festival tem descrito uma trajetória de crescimento e consolidação. Uma das causas dessa ascensão é o fato de possuir a maior premiação da América Latina no gênero: R$ 240 mil em prêmios”, como informa o folhetim do Fica.
Ana carrega em seu corpo pequeno uma gratidão perceptível no olhar dela. Ela não está sozinha, pois o marido, o engenheiro Luiz Cláudio, 37, tem o mesmo sentimento sobre a cidade. Ele pouco fala, apenas rasteja o olhar na antiga Vila Boa. Às vezes corre largamente atrás do filho. “Enquanto eu acompanho os filmes ele cuida do Victor”, diz, agora com o menino adormecdio no colo.
É a vez de Luiz assistir a uma das novidades desse ano, a mostra Uranium, como é denominada, vem do Internacional Uranium Film Festival que nasceu em 2011 no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro. “Com o bebê descansando, fica mais fácil”, diz ele.
Uranium faz parte das atividades voltadas para relembrar os 30 anos do acidente radioativo que ocorreu em Goiânia, em setembro de 1987. Paulo Henrique Borges, estuda cinema e veio a Goiás Velho acompanhar a exibição o documentário “Césio 137 – O Brilho da Morte” (2003), dirigido pelo diretor Luiz Eduardo Jorge, que morreu em maio deste ano.
Além dos filmes da temática da radioatividade na Uranium, o filme do diretor Benedito Ferreira, Algo Do Que Fica, tratou do Césio-137, no Curta-Metragem de 23 minutos. O filme venceu o prêmio de melhor ator com a atuação de Oldom Bonfim.

Mostra Uranium

Sete Anos de Inverno (Seven Years of Winter)
País: Alemanha/Dinamarca/Ucrânia (2011/12)
Gênero: Ficção
Duração: 22 min
Idioma: russo com legendas em português.
Direção: Marcus Schwenzel

* Abita. Crianças de Fukushima (Abita. Children From Fukushima)
País: Alemanha (2012)
Gênero: Animação
Duração: 4 min
Idioma: sem diálogo.
Direção: Shoko Hara e Paul Brenner

* Quarto Escuro (Darkroom)
País: Alemanha (2011)
Gênero: Animação
Duração: 2 min
Idioma: sem diálogo
Direção: Anna Luisa Schmid

* Pedra Podre
País: Brasil (1990)
Gênero: Documentário
Duração: 26 min
Idioma: português
Direção: Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti e Walter Behr

* A CURIOSIDADE MATA  (CURIOSITY KILLS)
A curiosidade mata
País: Estônia (2012)
Gênero: Ficção
Duração: 14 min
Idioma: sem diálogo
Direção: Sander Maran

* Amarelinha
País: Brasil (2003)
Gênero: Ficção
Duração: 4 min
Idioma: português
Direção: Ângelo Lima

* Césio 137 – O Brilho da Morte
País: Brasil (2003)
Gênero: Documentário
Duração: 24 min
Idioma: português
Direção: Luiz Eduardo Jorge

* Revista Da Morte
País:, Brasil (2013)
Gênero: Documentário
Duração: 32 min
Idioma: português
Direção: Laércio Tomaz

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