A hora e a vez de Temer

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Chegamos ao meio do ano, iniciamos o segundo semestre de 2017 com uma situação política periclitante, para usar um termo que soa engraçado, mas preocupante. Engraçado porque vemos agora aqueles que se aproveitaram de uma situação para chegar ao poder, a turma do presidente Michel Temer, provando do próprio veneno. Preocupante porque o país perde, a economia sangra, o desemprego continua alarmante e, obviamente, quase todos perdem.
O presidente Temer já esteve à beira do abismo. Isso ocorreu nas 24 horas pós-divulgação da famosa e famigerada conversa entre Temer e Joesley Batista. A renúncia naquelas horas capitais esteve muito próxima, mas a força do PMDB e a longa experiência do presidente de alguma forma o impediram de renunciar. Mantido no poder, pôs as garras de fora, bradou: “Não renuncio!”, atacou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atacou seu detrator Joesley, mas o que ficou mesmo foi a denúncia de corrupção passiva, obstrução da Justiça, formação de organização criminosa. São acusações muito pesadas para o mandatário maior do país, nunca antes vistas na história do Brasil.
Mas o poder é uma via de mão dupla. O presidente esperneia. Temer tem um orçamento, que, ainda que amarrado, permite muita manobra, liberação antecipada de recursos, nomeações, postos chaves, órgãos que definem cifras milionárias. E assim continuamos. No entanto, para tudo há um limite. E o limite do presidente, tudo indica, será esta semana. Caso o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), que avalia a denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, seja favorável e aprovado na Comissão, tudo indica que as horas de Temer no comando do país estarão contadas. Isso porque é dado como certa que dificilmente o presidente conseguiria reverter em plenário um relatório claro e objetivo, oriundo do Legislativo, contra sua pessoa, já que sua imagem já está totalmente desgastada devido às fortes denúncias oriundas do Ministério Público Federal.
A política vive mais de expectativas e articulações do que dos fatos em si. A situação política do presidente está cada vez mais delicada por uma conjunção de situações. Além do abalo sofrido, elevadíssimo índice de reprovação popular, o presidente parece que perdeu seu maior trunfo: o ótimo trânsito e controle do Legislativo. O aliado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao que tudo indica, desistiu de ser o defensor do presidente Michel Temer. Qual a razão? A maior de todas: ele deverá ocupar o lugar de Temer.
A expectativa de poder é um dos pilares da política. Como Temer está mais pra lá do que pra cá, todos miram agora em quem irá substituí-lo e, ao que parece, Maia está convicto de que sua vez chegou. Uma carta de Rodrigo a Temer, nos moldes do que Temer escreveu a Dilma, ajudaria a clarear a situação.

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