O bom momento de Aparecida de Goiânia

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Ao contrário de Goiânia, onde o prefeito Iris Rezende suou para colocar as contas da prefeitura em dia, Aparecida de Goiânia, que também é administrada por um peemedebista, vive situação bem diferente. Como recebeu a cidade de um aliado, o ex-prefeito Maguito Vilela, o prefeito Gustavo Mendanha não tem muito o que reclamar sobre contas e continuidade administrativa. Aliás, tem muito a agradecer ao antecessor, afinal Maguito Vilela utilizou toda sua experiência e influência como ex-governador e ex-senador para abrir as portas em Brasília e trazer recursos para Aparecida de Goiânia, a segunda maior cidade de Goiás e maior do que muitas capitais do país. Graças ao bom trabalho de Maguito, Gustavo se elegeu prefeito no primeiro turno numa impressionante onda de crescimento nas pesquisas eleitorais. Agora, cabe a ele manter e administrar esse capital eleitoral que recebeu de Maguito. E ele admite logo de início que pegou a cidade muito bem cuidada, as contas equilibradas, todos os fornecedores pagos, funcionalismo com salário em dia. “O que já é um grande avanço falando hoje em gestão”. Mas muita coisa, evidentemente, precisa ser feita. Na entrevista, ele faz um balanço de suas ações e as principais medidas que pretende tomar à frente do município.


Daniela Martins e
Manoel Messias Rodrigues

Tribuna do Planalto – Que balanço o sr. faz dos seis primeiros meses de gestão?
Gustavo Mendanha – Repito isso, faço questão de dizer: peguei a cidade muito bem cuidada, as contas equilibradas, todos os fornecedores pagos, servidores pagos, o que já é um grande avanço falando hoje em gestão. Mesmo com as contas em dia, fiz uma reforma administrativa, reduzi sete secretarias e uma série de cargos comissionados, antecipando ao que eu sabia que iria acontecer, que o governo federal não estaria aplicando recursos como vinha aplicando nos últimos anos. Desde então, viemos já trabalhando com o planejamento que já estava feito, até porque parte da equipe do ex-prefeito continua comigo, e também deslumbrando novas ações. Hoje estamos com várias praças já inauguradas, feitas e consolidadas no meu governo. Na área da saúde, inauguramos uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no Parque Flamboyant, com abrangência de atendimento de 300 mil pessoas. Estamos fechando um ciclo de emergência e urgência com essa UPA. Foram investidos do governo federal R$ 2,7 milhões e o restante, R$ 5 milhões, foi a contrapartida do município. Na área da saúde, temos um hospital para entregar. E aqui abro um parênteses para falar das minhas idas e vindas a Brasília. Nesses seis meses, acredito que já devo ter ido a Brasília mais de 20 vezes, fui aos ministérios da Integração Nacional, Educação, Saúde, Cultura, Turismo, das Cidades, Ciência e Tecnologia… Fui em “n” ministérios e secretarias, sempre buscando parcerias para consolidar alguns projetos que estão em andamento e pedindo recursos para que outros sejam implementados.

Como está a construção do Hospital Municipal?
O Hospital Municipal está praticamente pronto, estamos esperando recursos para comprar os equipamentos. Recebi o ministro da Saúde, Ricardo Barros, há uns 15 dias. Ele veio para o aniversário do senador Wilder Morais, e eu o convidei para conhecer o hospital. O ministro já mandou liberar o pagamento de R$ 18 milhões para comprar a primeira etapa de equipamentos, que serão 30 UTIs e mais 60 leitos que serão entregues. Na educação, cumprimos o piso salarial nacional, que no ano passado a prefeitura teve dificuldades por conta da crise, mas esse ano, conseguimos negociar em tempo recorde, e começamos a pagar em maio. Foi importante para valorizar os professores.

Serão abertas novas vagas nos Cmeis?
Com algumas mudanças que fizemos, de adequação de salas, conseguimos ofertar 1.500 vagas a mais do que estava sendo ofertado, só com relação aos Cmeis. Estamos trabalhando para zerar o déficit que temos hoje. Já ampliei 1.500 vagas e vamos lançar nos próximos dias um programa que atenderá mais algumas milhares de crianças. A ideia é ultrapassar a casa de 3 mil vagas, com a adoção de bolsa integral ou complementar, com um valor estipulado e, se o pai ou a mãe levar a criança para uma instituição em que o valor for maior, eles podem complementar. A ideia é oferecer mais 3 mil vagas só nessa primeira fase. Estamos também buscando a construção de novas escolas e Cmeis para a cidade, valorizando o profissional. Estamos tentando fazer um projeto piloto em Aparecida, e eu já entrei em contato com o Corpo de Bombeiros e com o Exército, para a instituição apadrinhar a escola. É um modelo diferente do que é feito com o Colégio Militar. Então, em vez de assumir a gestão da escola, iremos trazer para nossas escolas aulas de civismo e ter uma participação mais próxima dessas instituições. Conversei com o Corpo de Bombeiros e Exército. Vamos fazer isso também com a Guarda Civil Municipal de Aparecida para começar a trabalhar o civismo nas nossas escolas. Além disso, avançamos na infraestrutura, que é fundamental e um dos principais motes dos governos do PMDB. Continuamos com o programa Asfalto para Todos, nesse momento com três frentes de pavimentação asfáltica. E nesses primeiros seis meses, estamos trabalhando as licitações, preparando para lançar asfalto em outros bairros.

Com relação às escolas de tempo integral no município, como está a abertura de novas vagas?
Temos já nossa escola de tempo integral, e a ideia é que possamos a cada ano ampliar de uma a duas escolas de tempo integral. O grande problema que temos hoje, e que os municípios em geral passam, são os limites prudenciais de gasto com a folha. Todo mundo trabalha na margem e é muito complicado. Você abrir escolas de tempo integral gera novas despesas e esse é o grande problema. Mas algumas de nossas unidades já estão prontas fisicamente para se tornar escolas de tempo integral e a ideia é que possamos fazer isso gradativamente, ampliando a rede até que tenhamos a totalidade.

“O governo estadual tem o compromisso de me ajudar não só em infraestrutura”

Existe também uma parceria com o Estado, houve recurso do Estado para o asfalto?
Com o governo do Estado, com o programa Goiás na Frente serão destinados R$ 12,5 milhões a Aparecida, o que é um valor muito pequeno, pelo tamanho da cidade. Cidades de 7 mil habitantes estão recebendo R$ 1 milhão… Mas o governo estadual tem o compromisso de me ajudar não só em infraestrutura, mas em outras áreas. Existe um compromisso do governador, da secretária Raquel Teixeira (de Educação, Cultura e Esporte de Goiás) e do próprio Jayme Rincón (presidente da Agetop) de nos ajudar a idealizar o Centro de Convenções de Aparecida, pelo porte da cidade, pela vocação e tudo o que ela representa. A estimativa dessa é de R$ 100 milhões. Mas o governo está nos ajudando em outras ações que são muito importantes para cidade. É importante receber esse recurso, que vamos usar para fazer uma ligação importante na cidade, criando uma nova via de escoação na região leste, ligando pelo Credeq/Cemitério à GO-020. Aparecida hoje vive de logística, de certa forma é mais um incremento para empresas e pessoas que vivem na região e viviam cercadas. Existe também por parte do governador o compromisso de nos ajudar na pavimentação asfáltica em um volume maior. São três frentes de asfalto, duas no Buriti Sereno, que é o maior bairro da América Latina. No Eixo Norte e Sul, estamos com 25 mil metros quadrados, e estamos asfaltando ele todo. Estamos também agora finalizando uma obra que começou no início do semestre, e é gigante, que é o Eixo Norte Sul 4, que passa pelo Parque América, Vila Maria.

São os chamados eixos estruturantes?
São os eixos estruturantes, e esse é o último eixo estruturante norte-sul, que dá acesso ao Anel Viário. Agora o próximo passo, estamos preparando também, são os eixos no sentido leste-oeste, que darão mobilidade entre os bairros da cidade de Aparecida. Neste primeiro semestre, fizemos o sorteio de 500 apartamentos que serão entregues no segundo semestre. Investimos em esporte e lazer, recuperamos a piscina do Centro Olímpico. Inauguramos cinco praças com academia aberta, pista de caminhada, fora os serviços de roçagem, sinalização, troca de lâmpada, recapeamento. E há alguns dias fizemos a primeira edição do programa Prefeitura em Ação, quando atendemos quase 8 mil pessoas na região do Setor Santa Luzia.

“Nesse primeiro semestre, geramos 17 mil novos postos de trabalho”

O programa Prefeitura em Ação é uma espécie de mutirão?
Uma espécie de mutirão nos mesmos moldes que o governo estadual faz, que a Prefeitura de Goiânia faz. E vamos evidentemente fazer novos mutirões, que é muito importante. Eu levei meu gabinete para lá, ouvi a população, para ter contato, saber quais são os anseios da população, o que é muito importante para a tomada de decisão.

Já tem data para o próximo?
Em 5 de agosto faremos o próximo Prefeitura em Ação, que ocorrerá na região do Cruzeiro do Sul. E a cidade vive um grande momento. Nesse primeiro semestre, geramos 17 mil novos postos de trabalho. Tudo isso que estamos fazendo na cidade cria um ambiente muito favorável e, nesses primeiros seis meses, fomos a cidade do Centro-Oeste brasileiro que mais gerou emprego. Estamos bem à frente de Anápolis. Aparecida é maior que sete capitais, é a 37ª maior cidade do país. Nesse primeiro semestre também, além destas parcerias com os governos federal e estadual, temos buscado parcerias com instituições internacionais, o Banco Andino é uma delas. É um banco de fomento, que tem financiado parte desses eixos estruturantes. Tenho feito também visitas periódicas a embaixadas. Eu recebi em Aparecida, há poucos, dias o embaixador de Israel, e estamos marcando um intercâmbio para empresários de Aparecida irem a Israel oferecer produtos que são importantes para o mercado nosso. A vocação de Aparecida é logística, estamos numa posição abençoada estrategicamente, e essa é uma das nossas vocações. Mas Aparecida tem muitas empresas de cosméticos e estamos tentando fazer um arranjo para facilitar para aquelas empresas que importam produtos. Não sei se vocês sabem, mas o Mar Morto hoje oferece uma gama de minério e eu estou construindo essa parceria, esse arranjo. E, falando de Israel especificamente, uma das prioridades minhas neste primeiro semestre foi preparar o governo para digitalizá-lo e um próximo passo é tornar Aparecida uma cidade inteligente. Israel é hoje um dos países que mais têm startups. A média deles de formação de engenheiros é quase o triplo dos Estados Unidos, que é o segundo país que mais forma engenheiros. A ideia também é de tentar fazer alguns intercâmbios, principalmente na transferência de inteligência, de informação e o embaixador tem nos ajudado muito neste sentido. Já recebi o embaixador da Suíça, da Polônia e semana que vem receberei a visita do embaixador do Paraguai. Temos criado esta relação, para visualizar nossos empreendedores para vir para Aparecida, e hoje a cidade tem empresas do mundo todo. Aparecida hoje não é mais só do estado, é uma cidade que tem esse viés internacional. Enfim, nestes primeiros seis meses foi feita muita coisa. E claro, a minha alegria principal é a consolidação do sentimento de orgulho que as pessoas têm por estar em Aparecida. Essa foi a grande obra que Maguito começou a realizar e vamos consolidar, o sentimento que as pessoas têm de Aparecida como pátria. Aparecida é nova, vai fazer 55 anos de emancipação política, e muitas pessoas são oriundas de outros estados, outras cidades e não tinham essa raiz com a cidade.P4-1

“Aparecida é uma das cidades mais competitivas do Centro-Oeste”

Com relação a essa ideia que o sr. falou de startups, que envolve tecnologia e conhecimento, as instituições de ensino superior são fundamentais. Aparecida recentemente recebeu uma unidade da Universidade Federal de Goiás, tem novidades nessa área?
Sim, temos notícia nova. Foi um pedido meu ao governador e ao reitor: estamos recebendo o curso de Direito da Universidade Estadual de Goiás. A Universidade Federal hoje já tem cinco cursos em Aparecida e estamos trabalhando para inaugurar no próximo ano a sede da Universidade Federal, que hoje ela funciona no prédio da UEG. A ideia é ampliar os cursos já oferecidos. É importante dizer que a Universidade Federal especificamente veio atender à mão de obra aparecidense, oferecer cursos que podem ser utilizados pelas pessoas que vão trabalhar na cidade. Então a Federal tem trabalhado muito com engenharia, engenharia de transporte, por conta da logística, ela está procurando trabalhar no segmento de Aparecia. Temos hoje sete faculdades, dois cursos de Medicina. Neste momento está sendo construída a UniEvangélica, já consolidada em Anápolis, e que no final do ano lançará o primeiro curso na cidade, que será de Odontologia. Sempre estamos buscando, seja no ensino superior ou profissionalizante, idealizar e trazer novas opções para a cidade. Estou conversando também com a Mackenzie, de São Paulo, tentando trazer alguns cursos de pós-graduação para a cidade de Aparecida. Isso é o que nós respiramos, Aparecida é uma cidade acadêmica, é uma cidade que tem grandes instituições e, claro, estaremos sempre buscando trazer faculdades que tenham sua vocação para a tecnologia.

O que tem sido feito na área de modernização?
Estamos vivendo num mundo de mudanças rápidas. Temos de estar preparados para este mundo. Aliás, já estamos tentando levar isso para a educação fundamental, estamos com um projeto piloto para levar o ensino de robótica ao ensino fundamental. E um dos investimentos mais importantes que faremos neste segundo semestre é justamente em infraestrutura tecnológica. Lançaremos um edital de 140 quilômetros de fibra ótica para dotar a cidade de uma internet rápida e de qualidade. Vou criar essa infraestrutura e a partir dela subdelegar para as operadores, e a cidade terá dividendos em cima disso. Acredito muito neste viés, a ideia é que daqui alguns dias possamos reduzir o número de papéis que é usado pela prefeitura. Vamos ter um sistema eletrônico, a comunicação entre as secretarias. Vamos reduzir o fluxo de documentos físicos, facilitando a vida de quem trabalha e de quem utiliza os serviços da prefeitura, desburocratizando cada vez mais. Inclusive, estamos trabalhando para ser novamente a primeira cidade a aderir ao novo projeto da Redesim, para que empresas que não tenham potencial de poluição possam ser abertas em quatro horas, em Aparecida. Esta também é uma agenda que temos trabalhado junto ao Sebrae, e à própria Aciag, que é a Associação Comercial e Industrial de Aparecida, que nos últimos dias fez um evento, na sua segunda edição, e que, em apenas dois dias, movimentou mais de R$ 60 milhões, para se ver a pujança da cidade. Então, o momento de Aparecida é extraordinário, e como eu disse, não querendo competir com ninguém, mas Aparecida passa a ser uma das cidades mais competitivas do Centro-Oeste brasileiro. A nossa cidade, por si só, é progressista, mas o nosso trabalho é para que ela se consolide como uma das melhores cidades do país. Nós não estamos mirando só Goiás não, estamos mirando o Centro-Oeste brasileiro, para galgar posições de destaque no cenário nacional.

Aparecida vive este momento bom, com melhoria no PIB. É possível converter isso na elevação do nível salarial dos servidores?
O grande problema é que a construção de novos equipamentos demanda novas contratações e eu vou dar o exemplo do Hospital Municipal. A UPA do Flamboyant, conseguimos abri-la sem nenhuma nova contratação, a não ser dos médicos. Fizemos algumas adequações e conseguimos abrir a UPA. Já o Hospital Municipal, com a abertura em sua totalidade, seriam necessários mais de mil servidores, o que hoje representaria 10% do que eu tenho de funcionários. Hoje a prefeitura possui cerca de 11 mil servidores. E isso claro que vai ficando complicado. Mas temos tentado valorizar nossos servidores, professores, guardas, enfermeiros, mas, até por conta do momento, não pagamos aquilo que gostaríamos de pagar. É importante dizer que com esses novos equipamentos, o atendimento sendo ampliado, melhora da qualidade, temos condições de centralizar, as pessoas terem atendimento mais perto de casa. O grande desafio nesse momento de dificuldade é conter despesas. Só um comparativo, Aparecida tem hoje cerca de 600 mil habitantes. Goiânia deve estar ultrapassando a casa de 1,2 milhão habitantes. Goiânia tem pouco mais que o dobro da população de Aparecida e só fazendo um comparativo das receitas. A receita prevista de Goiânia é seis vezes maior que a receita de Aparecida. E você pode andar em Aparecida e em Goiânia que não vai ver nenhuma disparidade dos serviços oferecidos. Pelo contrário, agora já resolveu, mas eu fiquei quase três meses atendendo o povo de Goiânia por conta da falta de médicos na Capital. Então, é com muita criatividade, responsabilidade e planejamento que temos oferecido os serviços com o pouco que temos. Fiz um comparativo com Goiânia, mas eu poderia fazer citar outras cidades com a mesma população de Aparecida e que arrecadam bem mais. E quando você faz o comparativo, vê que Aparecida está muito à frente pela eficiência que temos no serviço. Embora tenhamos muitas indústrias hoje, Aparecida cresceu muito, mas para atrair essas empresas foram feitas concessões que, de certa forma, hoje atrapalham a nossa arrecadação. Mas muitas concessões estão se encerrando e as empresas continuam em Aparecida. Aliás, estamos idealizando novos polos justamente pela quantidade de empresas que nos procuram. Temos hoje na Prefeitura, só neste primeiro semestre, mais de 4 milhões de metros quadrados de área solicitados por empresas que querem se instalar na cidade. É este ambiente que temos hoje, favorável.

O sr. falou na questão da prestação de serviços na área de saúde, mas houve um fato negativo que ganhou repercussão recentemente, o caso da Maternidade Marlene Teixeira, onde foram utilizadas caixas de papelão para colocar recém-nascidos. Isso já foi equacionado?
Foi justamente por conta de um problema que a Maternidade Dona Iris [em Goiânia] teve que as pessoas começaram a procurar atendimento em Aparecida. E por mais que pareça uma coisa que chamou atenção em nível nacional, eu elogiei a postura da enfermeira e da médica porque há poucos dias uma médica deixou de dar atendimento a uma criança, que morreu por conta da falta de atendimento. Então, em determinadas situações é preciso utilizar a criatividade para cuidar bem. Muita gente do Brasil e a imprensa, massacraram a enfermeira e eu li, depois disso, vários matérias de médicos, especialistas defendendo a postura da enfermeira. Claro que não estou dizendo que aquilo era o ideal, que é que tem que ser utilizado, mas, em um momento que não tinha o local para deixar a criança, a enfermeira ter todo o cuidado de preparar e deixar a criança com toda segurança, eu tenho que elogiar a postura dela. Mas claro que isso foi uma eventualidade. Na Maternidade Marlene Teixeira, onde aconteceu, temos uma média de 8 a 12 partos por dia. Naquela semana, chegou a ter 23 partos por dia. E eles foram colocando em locais, mas deu atendimento, melhor que dispensar essas mães, que poderiam perder seus filhos ou tê-los em locais inadequados. Não é o adequado, mas foi algo que foi feito e digo que foi uma atitude louvável por parte dos funcionários.

“Estou solicitando uma auditoria nas empresas de transporte para que elas possam de fato abrir suas planilhas”

O sr. pretende regulamentar o Uber no município?
Vou levar essa discussão para a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), para que na regulamentação do Uber, em vez de o recurso ir para o município, ir para um fundo de transporte para ajudar a subsidiar o transporte público na região metropolitana como um todo. Em países de primeiro mundo, quem utiliza o transporte próprio tem que ajudar a subsidiar o coletivo. Isso é mais do que justo até porque, infelizmente, as empresas estão falindo. Estou acompanhando muito de perto, por ser o presidente da CMTC, inclusive agora estou autorizando, solicitando, uma auditoria nas empresas para que elas possam de fato abrir suas planilhas e mostrar a situação real das empresas. Algumas delas estão capengando e é melhor a gente tentar buscar uma solução alternativa de fundo para ajudar o transporte do que ficar sem transporte público, o que seria muito pior e um caos para a população da região metropolitana.

Que ações o sr. considera importantes para melhorar o transporte coletivo na Região Metropolitana?
Num primeiro momento, quem acompanhou viu que eu travei uma briga e disse que seria contra o reajuste, a não ser que provassem pra gente que fariam melhorias. O governador entrou com auxílio, que é insuficiente para que as empresas possam ter a sua saúde financeira equilibrada. O governador ofereceu somente 5,1% através da totalidade do subsídio para as pessoas que utilizam o passe livre escolar, mas ainda faltam três pontos percentuais para se equilibrar a planilha que foi acordada. Tem toda uma conta que é feita em cima para se chegar àquele valor. O que temos feito é cobrar, primeiro, um maior número de viagens, a questão da segurança, que todo ônibus tenha o videomonitoramento, tenho cobrado também o ar-condicionado nos ônibus, e reformas nos terminais do Eixo Anhanguera. E também a melhora nos pontos de ônibus. Estou dando minha contrapartida, na minha cidade faremos 140 abrigos, mas isso vai ter que avançar para todas as cidades. Como presidente da CMTC, eu defendo todas as cidades, e tenho conversado com todos os prefeitos para que haja diálogo, uma luta em conjunto, mas especificamente no caso de Aparecida é inadmissível não ter o transporte público para a cidade. Quando foi criada a região metropolitana, as pessoas vinham para Goiânia trabalhar e Aparecida era uma cidade dormitório. Isso mudou. Hoje, o usuário do transporte público de Aparecida anda em Aparecida e em muitas linhas temos que sair de Aparecida, ir para Goiânia, para voltar para Aparecida. Então bato na tecla da criação da subcompanhia ou da companhia de transporte de Aparecida. E se isso não ocorrer, já disse isso para as empresas, eu posso inclusive abrir uma nova licitação e criar o transporte público de Aparecida de Goiânia. Sei que isso seria uma briga jurídica, demandaria tempo, mas se não me atenderem nesse requisito eu posso fazer isso.

“PMDB não pode abrir mão de candidatura própria”

Ano que vem é ano eleitoral, queremos ouvir sua opinião sobre as eleições de 2018…
Sou suspeito para falar porque, claro, vou defender os meus líderes. Para o governo, nosso candidato será o deputado federal Daniel Vilela e vou defendê-lo, não tem discussão.

O atual governo está no poder há quase 20 anos. No ano que vem haverá união das oposições para barrar a força liderada pelo governo?
Acho que tem de estar conversando e o PMDB, pelo seu tamanho, não pode abrir mão de ter candidatura própria. Sabemos que hoje tem a postulação de um senador do Democratas, que tenta buscar essa união. Acho que nesse primeiro momento cada partido tem que lançar seu candidato. Temos hoje um nome de peso, que é jovem como eu, que é líder do nosso partido em nível estadual, reconhecido como um jovem que está à frente do seu tempo, tem condições de governar e acho que o momento é dele ser candidato. Principalmente neste momento que vivemos no país em que as pessoas querem ver de fato novidades. O vice-governador assumirá o Governo e creio que dificilmente ele abriria mão de ser candidato. Então são três candidaturas e que cada um apresente suas propostas, seu plano de governo, para que a população possa escolher o melhor. Existe, claro, uma conversa do próprio partido de tentar buscar essa união, mas acho que se essa união for bater na candidatura do PMDB, mesmo que não seja a do deputado Daniel, terá o prefeito de Aparecida como um defensor dessa aliança. Se não, defendo que o PMDB tenha candidato próprio. Somos o maior partido o país, o partido com maior número de filiados em todo o Estado, então não tem como abrir mão nesse momento de discutir a candidatura própria.

A citação dos nomes de Daniel e Maguito Vilela nas denúncias da Lava Jato não pode prejudicar a candidatura?
Esse fato já está ultrapassado. O próprio ministro (Edson) Fachin redistribuiu entendendo que não houve corrupção passiva.

Isso não terá nenhuma implicação?
De jeito nenhum, já é uma página virada. O ministro já arquivou e já redistribuiu, justamente entendendo que não houve corrupção nesse caso.

A instabilidade em Brasília tem refletido nos municípios?
São realidades diferentes e, claro, minha torcida é que o presidente Temer possa continuar. Acredito que uma nova saída de um presidente seria muito ruim para nosso país, agora que as coisas começaram a caminhar. Temos que pacificar o país, preparar o Brasil para novas eleições. Fico na torcida para que isso não venha acontecer.

 

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