Amor próprio

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Hoje deixo no ar uma indagação pertinente aos dias atuais: você tem ou sabe o que é ter amor próprio? Existe compreensão e entendimento sobre o que é o auto-cuidado e seus desdobramentos? Carlos Drummond ou Augusto dos Anjos?
Em nossa pós-modernidade tornou-se hábito observarmos que houve uma ampla mudança de paradigma acerca dos processos de estética, saúde, beleza. Há milhares de pessoas que até ficam sem comer para comprar roupa, suplementos alimentares para malhar, e ou que cuidam bem da alimentação. Fora as milhares de pessoas que vivem a idéia do culto a estética, cuidando muito da aparência. Tudo isto será que pode ser visto como amor próprio?
O cuidado com a saúde e a estética são apenas a ponta mais superficial do que deveria ser compreendido por amor próprio. Em minha experiência profissional, atuando como analista e psicólogo clínico, percebi claramente que há uma imensa diferença entre cuidar da casca e ter amor próprio. E nos dias atuais isto é crucial, especialmente por que a maior parte das pessoas não compreende o real significado do que é se cuidar.
O auto-cuidado real deve iniciar pelo auto-conhecimento. Pela decantação de nossa identidade, gosto pessoal, das diferenças entre o que somos e o que os modismos impõem. Hoje vivenciamos tantos desejos pré-fabricados e quantos ecoam em sua essência, em sua alma no que realmente você acredita?
Ter  consciência corporal é outro ponto importante do amor próprio, sabendo respeitar os limites do corpo, suas necessidades de alimentação, repouso, higiene, o que em uma cultura hedônica cujos limites são paradoxais, é complicado. Sempre deparo com situações de pessoas extremamente ansiosas, estressadas e boa parte disto se dá pelo fato de não existir um reconhecimento dos limites do próprio corpo.
Outro fator que acredito ser crucial no amor próprio é a cultura. O investimento feito pelo próprio indivíduo em educação, em arte, na lapidação da sensibilidade e da  intelectualidade. Convido a você a fazer contas: quanto no último ano você gastou em moda, roupas acessórios e quanto foi investido em livros, em arte, em cultura?
Nos dias atuais é fácil perceber que o investimento na formação e elaboração cultural é bem menor chegando a casa de 10%, quando muito, do que é investido no campo da formação intelectual.
Por fim, o campo dos afetos… hoje a imersão instintiva que vivenciamos evidencia um desconhecimento amplo da própria afetividade. Para chegar ao amor, ao auto-cuidado, é necessário reconhecer ter percepção do que e de como se vive. Olhar para dentro e se perceber para vivenciar sua própria essencia… o caminho de evolução de nossa alma.

Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e mestre em Antropologia Social pela UFG.

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