Iris prega bom senso à política nacional

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Manoel Messias Rodrigues

Parecia apenas mais uma agenda administrativa do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), mas a defesa feita pelo prefeito ao ex-presidente Lula (PT) e ao presidente Michel Temer (PMDB) surpreendeu muitos ao declarar que “Lula estava a merecer da nação um perdão pelos possíveis erros que ele cometeu… colocando na balança o que o Lula fez de positivo e o que ele fez de mal, a balança pesa mais positivamente”, respondeu Iris Rezende em um ambiente polarizado, um dia após a condenação do líder petista, em primeira instância, na Justiça Federal.
O peemedebista enfatizou, na mesma coletiva, que pede a nação que “tenha juízo”. As declarações foram feitas durante coletiva de vistoria às obras do Parque Cascavel na última quinta-feira, 13.
Nas entrelinhas, a leitura das palavras do peemedebista sobre o assunto (que 99% dos políticos hoje evitariam comentar) é de um apelo ao bom senso.
Iris, de fato, acredita que a troca de Michel Temer aprofundaria ainda mais a crise que já paralisa o país e consequentemente atrapalharia sua gestão. O prefeito age republicanamente, mas também pensando em sua gestão, na responsabilidade administrativa com a população de Goiânia. Afinal, no momento Iris realiza um difícil ajuste financeiro do déficit de R$ 700 milhões da Prefeitura de Goiânia, ao mesmo tempo em que obras de grande porte, como o BRT, são retomadas. A gestão precisa tirar do papel dezenas de Cmei’s e asfaltar 30 bairros, em resgate aos compromissos de campanha. A equação, na visão de Iris, dispensa novos sismos em um ambiente seriamente trepidado.
Apesar de a turva memória de alguns correligionários à franqueza típica de Iris dificultar uma percepção menos maniqueísta do cenário nacional, Iris foi assertivo em se colocar como autêntico. A “lealdade está em seu DNA político”, confirma um auxiliar que preferiu não se identificar. Mergulhado no objetivo de atingir as expectativas dos eleitores que depositaram a esperança no projeto vitorioso das urnas em 2016, Iris flerta com a memória recente política de Goiás. Goste ou não de Lula, mas Iris lembra aos adversários do governador Marconi Perillo, inclusive Caiado, que foi o petista quem mais se empenhou em uma derrota do tucano, na eleição perdida por Iris por apenas 170 mil votos no segundo turno de 2010.
Ao puxar à memória sobre Lula, Iris corrobora a posição do ex-sindicalista como um personagem central de nossa história recente. Desde a década de 1960, a história do retirante de Garanhuns (PE) e do Brasil se mistura, quando o assunto é política e/ou eleições presidenciais, principalmente pós-Constituinte de 1988. Iris pondera que a nação erra ao flertar com a possibilidade de condenar um líder popular importante, com possibilidade de traumas iminentes ao país, acrescentando um cenário de escândalos exponencialmente maiores onde, segundo Iris, “bilhões são retirados do povo através das empresas públicas”, enquanto o ex-presidente é condenado sem uma prova cabal. Apesar de não fazer juízo sobre Sérgio Moro.
O dramaturgo Nelson Rodrigues, que cunhou a máxima “toda unanimidade é burra”, também sintetiza que o Brasil está fadado ao fracasso pelo revelador fato da “vocação de matar seus ídolos”. Lula, como pondera Iris, errou e acertou. Os erros não precisam de escalação para jogar, mas os legados de uma economia que crescia pujante, com inclusão social, com a construção de mais de um milhão de casas e 18 universidades federais, e que retirou o país do mapa da fome, não podem ser destruídos. Enfim, Iris não disse que quer Lula de volta no comando do país, ele apenas mostrou que tem memória.

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