Fim

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“…
Deixa em cima desta mesa, a foto que eu gostava
pra eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo,
deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo.
Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta,
o lençol amarrotado mesmo que vazio.
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio.
deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho, achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e, se puder, sem medo…
Deixa tudo o que lembrar, eu finjo que esqueço,
Deixa e quando não voltar, eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
pra dizer te vendo, fechando atrás a porta…
Oswaldo Montenegro, Se puder sem medo…

O fim está próximo! Avizinhado diante de tempos memoráveis. Fim de relacionamento é punhalada do destino é coisa pra qual jamais se está preparado. Como a morte, é coisa certa! Mas pra que antever o inevitável?
Crises afetivas são a segunda maior causa de doenças mentais começando pelo estresse, ansiedade, depressão, fobias, fora outros problemas de fundo nervoso, como problemas gástricos, insônia, hipertensão, citando de forma resumida os mais comuns.
Faz parte de minha rotina em consultório na área da análise e da psicologia clínica lidar diariamente com casos de pessoas que sofrem por relacionamento que está em crise, ou por um envolvimento que terminou.
Em minha prática profissional percebo que algumas pessoas têm enorme dificuldade para lidar com sua afetividade, para perdoar e se perdoar, ficando às vezes preso a uma história mal resolvida por anos.
Certa vez atendi uma paciente com cerca de 55 anos. Ela durante a consulta esbravejava falando mal de seu ex-marido com ódio, evidenciando uma situação psíquica atormentada. Fiquei pasmo, durante esta consulta ao perceber que haviam mais de 30 anos que a paciente havia se divorciado, mas para ela foi ontem… Emoções muito a flor da pele… feridas expostas cristalizadas, paralisia presa ao fim sem chance de recomeço… o amor que virou ódio e o ódio que vira algema… e quantas pessoas não estão paralisadas por histórias que vivenciaram no passado?
Quantos tem coragem de tentar de novo?
“Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima” é necessário porque o maior exercício de evolução está no amor, amor que perdoa, cativa e exige cuidado, atenção e respeito, atributos que quando deixam de existir fazem o fim chegar mais rápido… e o ciclo recomeça. Vida afetiva é um constante aprendizado e quem aprende não pode ter medo de errar, por mais que o erro machuque.

Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e mestre em Antropologia Social pela UFG.

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