O Instituto Tecnológico de Goiás em Artes (Itego) Basileu França é uma megaescola de artes. Com 4.300 alunos, oferece 135 cursos, incluindo formação inicial e continuada, técnico em arte circense, artes visuais, dança, teatro, música, arte-educação, arte e inclusão, além do curso superior tecnológico em Produção Cênica. Toda essa estrutura, que conta com mais de 150 professores, está passando por uma grande mudança: a administração está passando agora para as mãos de uma organização social. Mas o Governo estadual, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico, a qual a escola é vinculada, mantém o controle pedagógico do órgão. E quem tem a missão de coordenador tudo isso é a diretora do Itego, Loide Magalhães, que assumiu o cargo em maio em substituição ao maestro Eliseu Ferreira, que assumiu a coordenação da Rede e Orquestras Jovens do Estado de Goiás. Loide é formada em Educação Musical, mestre em música, especialista em educação infantil e trabalhou no Centro Cultural Gustav Ritter por oito anos, antes de ir para no Basileu França, onde está há cerca de 15 anos. No Basileu, ela atuou como professora, coordenadora de área e coordenadora geral de música, antes assumir a direção da unidade escolar.


Manoel Messias Rodrigues

Tribuna do Planalto – Qual a estrutura do Basileu França, quantos alunos, que cursos são oferecidos?
Loide Magalhães – O Basileu França é dividido em cursos FIC (Curso de Formação Continuada), técnicos e tecnológicos, que são de nível superior. Os cursos FICs são um pouco diferente do comum, porque geralmente cursos de formação numa escola como a nossa deveriam ser técnicos, mas, como se trata de uma escola de artes, a gente precisa formar a criança desde pequenininha, então a gente tem essa formação inicial continuada, que começa aos cinco anos de idade. Então a gente tem tanto no balé como na arte-educação. A gente costuma dizer que é uma escola com sete escolas. O que significa isso? Eu tenho área de arte e educação, com alunos de 5 a 9 anos, e nessa área trabalho a vivência dentro das artes. A criança tem acesso a balé, dança, teatro, música, artes visuais e artes circenses. De 5 a 9 anos, ela tem esse convívio com todas as áreas das artes. Aos 9 anos, ela pode escolher uma das áreas. Ela vai para um segundo plano de formação, que segue dos 9 até os 14 anos, que é quando ela está entrando no ensino médio. No ensino médio, eu tenho a formação do curso técnico, a partir dos 14 anos. Ela tem de estar obrigatoriamente cursando o ensino médio, com exceção do balé. Depois disso tenho o curso superior tecnológico, que é pra quem já concluiu o ensino médio, para o qual acabamos de fazer o vestibular, e estamos com 41 novos estudantes do curso de produção cênica. Então, a gente tem alunos de todas as idades, trabalha um processo de formação a partir dos 5 anos até a formação profissional completa.

Quais são as principais área?
Temos as artes visuais, que englobam dança, música, teatro e circo. Atrelado a isso, temos arte e educação, que é uma mistura de todas as artes. Temos o Núcleo de Arte e Inclusão, cuja proposta é oferecer para as pessoas a oportunidade de também entrar no mercado de trabalho. Esse núcleo está ligado a todas as artes. E temos a grande área de tecnológica de produção cênica.

O curso superior é voltado para quê exatamente?
Para para formação de produtor de arte em geral. O aluno de Produção Cênica tem acesso a conhecimentos de todas as áreas. Preparamos a pessoa para atuar no mercado de trabalho como produtor. Ele pode produzir um espetáculo de música, teatro, dança, um espetáculo misto. Estamos formando a terceira turma agora. E o curso tem duração de dois anos

Quantos alunos tem no Basileu?
A gente tem hoje sem contar os alunos do tecnológico, entre 4.300 e 4.600 alunos, divididos em todas as áreas. As maiores áreas da escola são a dança e a música.

Tudo funciona aqui na sede, no Setor Universitário?
Não. Tudo deveria funcionar aqui, mas temos a dança dividida entre o setor Oeste e aqui. É um problema que tivemos com relação à construção, tivemos que reformar a sala da dança. E construção é imprevisível. Até o final do mês teremos o balé todo de volta ao Basileu França. Acredito que até dia 10 de setembro, tenhamos a escola de balé toda de volta.

“Nosso objetivo não é só formar o artista, mas formar o cidadão”

Se a pessoa é selecionada, de um modo geral, ela recebe que tipo de suporte? Instrumento, se for o caso? Precisa pagar mensalidade?
Não tem mensalidade. Antigamente a gente trabalhava com contribuição voluntária. A gente não tem condição de oferecer ao aluno o instrumento para ele estudar em casa. Temos o instrumento para ele fazer aula aqui. É claro que nossa orientação é ‘se você pode comprar o instrumento, ótimo, que você pode estudar em casa’. Mas todos os instrumentos que oferecemos, temos aqui dentro da escola. No balé, a gente não pode oferecer a sapatilha, por exemplo, que é de uso pessoal, o bailarino tem que ter. A gente oferece o que é básico para ele fazer a aula. O que é uso pessoal é por conta do aluno.

A Orquestra faz parte do Basileu?
Sim, a gente chama de Grupos Sinfônicos, que são a Orquestra, Banda e o Coral Sinfônico Jovem. A gente tem quatro níveis de orquestra: duas orquestras infantis, de 7 a 14 anos; a orquestra intermediária, que é a Orquestra Pedro Ludovico; e a Orquestra Sinfônica Jovem. Essa já esteve na Espanha, na China, na Alemanha e temos uma convite para voltar à China.

Tem uma alta qualidade, é reconhecida…
Sim. Agora em março está indo para um dos festivais mais importantes do Brasil, que é de Trancoso, tudo a convite. É uma honra receber um convite desse para levar uma orquestra tão nova, feita por jovens, para um lugar tão importante. As orquestras, os grupos sinfônicos, fazem parte da área da Música, da coordenação da Música. A ideia é a gente conseguir juntar todas as artes na produção artística, na formação do aluno. O nosso objetivo não é só formar o artista, mas formar o cidadão. Quando eu formo um bailarino, eu não formo só um técnico, mas ele experimenta como é dançar com orquestra, como é dançar no festival, como é criar uma coreografia. A gente tem um fisioterapeuta, um nutricionista que o acompanha e ele sai pronto para o mercado do trabalho.

“Com a OS, todos os professores terão salário equiparado”

O Basileu sempre sofreu com falta de servidores. Agora o Instituto vive um momento de transição, passando a ser gerido em parceria com uma organização social. Como está essa questão dos servidores?
O quadro de professores do Basileu França será formado por meio de contrato celetista, contratado pela OS selecionada.

Todos devem estar vinculados à OS?
Sim, ao quadro deles, o que dá tranquilidade, agilidade na contratação, permite que a gente supra a demanda desse quadro que estava defasado. E é muito difícil dirigir uma escola deste tamanho com um quadro tão grande de defasagem. Inclusive temos um processo seletivo em curso e já será lançado outro, para suprir toda a demanda, substituir os contratos temporários. Todo o quadro de servidores da escola está passando por um processo seletivo.

Como ficou a divisão da direção?
Somos parceiros. A parte administrativa/física fica com a organização social; a pedagógica, com o Governo do Estado. Eu sou efetiva do Estado, minha ligação é direta com o governo.

A mudança está sendo bem absorvida pelos servidores?
Conversamos com todos os servidores, esclarecemos. A situação está melhorando, porque os comissionados não tinham estabilidade, mas agora serão contratados no regime celetista, com carteira assinada, portanto com  os direitos trabalhistas garantidos. Porém não deixa de ser um momento de apreensão, pois estamos mudando o paradigma, mas ao final tudo ficará melhor.

No contrato com a OS, é previsto piso salarial mínimo?
Sim, o que é bom, porque com a OS todos os professores receberão um piso, evitando discrepâncias que antes eram muito comuns, com professores recebendo bem abaixo de outros que executavam o mesmo trabalho. Com a OS, teremos isonomia salarial. Todos os professores terão o salário equiparado, o que traz uma harmonia dentro da escola e satisfação dos servidores.

Como está a ajuda financeira a estudantes de ponta?
O estado já oferece o Bolsa Orquestra, ao estudante que precisa custear os estudos e manter o instrumento. Tem a meta de oferecer a Bolsa Sapatilha, para ajudar os bailarinos.

O Basileu França se tornou um exportador de talentos. Esse é um dos objetivos da escola?
Nossa intenção é formar artistas completos e mostrar que o Estado de Goiás se importa com a cultura. Afinal a cultura é transformadora, capaz de mudar a vida de uma pessoa, é inclusiva, profissionalizante, qualificadora. Então pegamos pessoas fora do mercado de trabalho e daqui ela sai formada, um produtor técnico, um profissional para o mercado de trabalho. Nas viagens e festivais que os estudantes aprendem que há um mundo de oportunidades, o mercado de trabalho. E temos obtido excelentes resultados em todo o mundo, como festivais de Nova York, Moscou, Suíça. Já atingimos nosso objetivo de entregar alunos profissionais para os palcos do mundo. Chegamos nesse nível de excelência.

“Além do Mediotec, o Basileu oferece cursos a distância”

Quais as principais formas de ingressar no Basileu França?
Temos duas formas de entrada. A primeira é para aquele aluno que não tem nenhuma vivência com nenhum tipo de arte e quer fazer arte. Isso acontece no final do ano, com inscrições normalmente em novembro e, em janeiro, fazemos a seleção. Cada área tem uma seleção específica. Arte e educação, crianças de 5 a 7 anos não fazem seleção, são apenas sorteadas. A gente não testa nenhuma habilidade. A partir dos 8 anos tem um teste específico de cada área. Na música, por exemplo, vai testar coordenação motora, percepção auditiva, se tem uma afinação razoável. E aí depende da quantidade de vagas. A procura é muito grande, mas a oferta é pequena. Não temos muito espaço, nosso espaço físico não permite que a gente pegue todas as pessoas que procuram a escola. Tem a segunda forma de ingresso, que são aqueles alunos que vêm de outra escola, que já estão em processo de formação. Isso acontece no meio do ano, quando a gente tem vaga. Por exemplo, se tenho três vagas para piano, por exemplo, abro as vagas para este aluno, que faz o teste de nível e pode entrar na escola. Isso acontece em todas as artes.

Como é feita a divulgação?
Fazemos editais, divulgamos nas redes sociais e colocamos painéis na entrada da escola. E, em breve, vamos ter um site completo. Nossa ideia é divulgar através da mídia em geral. Às vezes a gente não faz uma divulgação tão massiva porque senão é frustrante pra gente. Aparece tantas pessoas querendo estudar arte e a gente não tem capacidade para oferecer vagas para todos. Goiânia ainda precisa descentralizar, ter polos de artes em todas as pontas. A gente não recebe só o pessoal de Goiânia, recebe de Senador Canedo, Aparecida, Inhumas, Hidrolândia Trindade.

Além do Basileu França, que é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, o estado também tem o Centro Cultura Gustav Ritter, da antiga Secretaria de Cultura e hoje ligado à Educação…
Isso. As duas escolas têm o perfil muito parecido. As duas são do Governo estadual esta, mas o perfil é o mesmo, inclusive, as duas sofrem pela falta de espaço. As duas escolas trabalham com o Mediotec [ensino médio profissionalizante] e o Basileu França oferece também curso a distância, inclusive em administração. A gente sente a necessidade do artista ter essa veia administradora, a necessidade de ele saber gerir a própria arte. Esse curso de administração também é voltado para esse público, que procura uma visão diferenciada do empreendedorismo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here