Goiás na Frente alavanca a figura de José Eliton

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Programa de governo tem sido importante porta-voz do executivo estadual pelo interior do estado. Vice-governador é coordenador do programa e pré-candidato ao palácio em 2018

Marcione Barreira

Desde que lançou o programa Goiás na Frente, em março, o governo do Estado não tem poupado esforços para percorrer o território goiano de ponta a ponta. O programa tem sido até aqui um verdadeiro pesadelo para a oposição, que se vê encurralada pela agressividade do projeto com R$ 9 bilhões para serem investidos nos municípios. Ninguém diz que o pacote é uma medida eleitoreira, aliás, a situação faz questão de destacar que não. Sem negar, entretanto, que o volume de recursos vai beneficiar o vice-governador José Eliton (PSDB), que é pré-candidato ao governo do Estado nas próximas eleições e coordenador do programa.
Surgido a partir da economia gerada pela reforma administrativa realizada pelo governo estadual no final de 2014, que extinguiu mais de cinco mil cargos e diminuiu para 10 o número de secretarias, o programa Goiás na Frente ganhou ainda mais peso depois da venda da Celg. Com a reforma aplicada naquela ocasião, o governo previa uma economia anual de R$ 300 milhões. Com isso, o conjunto de investimentos reúne receitas resultantes do ajuste fiscal, da privatização da Celg Distribuição, de receitas do Orçamento Geral do Estado, convênios com a União e de aportes da iniciativa privada.
Em termos políticos, a menos de um ano da campanha eleitoral, até aqui nota-se o jogo de um time só. No confronto que envolve situação e oposição, o time oposicionista não consegue medir forças com os governistas. Dois fatores contribuem para isso: o programa Goiás na Frente e a falta de unidade interna dos oposicionistas.
Analista consultado pela reportagem diz que inevitavelmente a situação ganha com as andanças pelo interior de Goiás na divulgação e assinatura de convênios que volta e meia tira lideranças políticas do campo oposicionista e as traz para a base governista. A falta de unidade dentro da principal sigla adversária, o PMDB, favorece a base aliada.
Sempre ao lado de Marconi Perillo ou na condução das caravanas, quando o governador não pode comparecer, José Eliton tem se mostrado bom de palanque e arrancado elogios de prefeitos de diversos partidos, incluindo do PMDB. Articulador por natureza, Marconi tem conseguido passar sua astúcia para Eliton, que tem, segundo alguns integrantes da base, até surpreendido pela desenvoltura, antes ausente.
Mesmo com o discurso de que o programa não pode ser usado como medida eleitoreira, os governistas causaram o primeiro grande impacto na oposição este ano, quando tiraram dela 23 prefeitos. O PMDB e o DEM foram os partidos mais afetados, o que levou os oposicionistas a criticarem os prefeitos por suas decisões, acusando o governo de usar o programa para cooptar seus aliados.
Na condução do Goiás na Frente, José Eliton e Marconi Perillo devem causar ainda mais temor à oposição porque os dois pretendem visitar todos os 246 municípios goianos até o final de setembro. Até agora foram mais de 220 cidades e todas elas acompanhadas por uma caravana que reúne deputados e outras lideranças nas cidades onde promove assinatura de convênios.
Aliado de primeira hora e possível postulante ao Senado com uma vaga na chapa governista, o senador Wilder Morais (PP) destaca a força do programa na conquista de aliados. Para ele, os prefeitos ganham muito com isso por conta dos benefícios que suas cidades recebem.
“À medida que os prefeitos vão recebendo esses convênios, o governo mostra que não importa a cor do partido”, avalia Wilder Morais.
O senador destaca que o fato de a maioria dessas obras serem inauguradas no ano que vem facilita para os dois lados: tanto para os prefeitos quanto para José Eliton, que deve se beneficiar das ações.
“É fato que no momento em que as obras resultantes desses convênios forem inauguradas José Eliton estará à frente do governo e certamente ganhará mais visibilidade”, declara o senador.
Wilder Morais faz questão de destacar que o pré-candidato ao governo pela oposição está mais que preparado. Segundo o senador, José Eliton chegou a tal patamar por ter se mantido fiel ao governador e por ter mostrado competência.
“Ele é coordenador do programa. Está por dentro de tudo. Conhece o estado e já passou por várias secretarias e hoje tem demonstrado ser um grande gestor”, frisa.
A lealdade de Wilder Morais e o desejo dele de continuar no Senado tem sido recompensados. No início deste ano, Marconi Perillo declarou que Morais teria uma vaga certa na chapa majoritária da base governista, sempre muito concorrida. Tanto é grande a afinidade que no evento em que o PSDB filiou prefeitos, o partido do senador, PP, também filiou três gestores.
Com duas vagas para o Senado, a base governista vê acirrada a disputa interna com vários nomes, mas três com destaque. Levando em conta que Marconi teria uma dessas vagas – dependendo do seu projeto –, Wilder é favorito para outra, entretanto, dois aliados de Marconi também postulam, sendo os secretários Vilmar Rocha (PSD) e a senadora Lúcia Vânia (PSB).
Na Câmara federal, o deputado Fábio Sousa (PSDB) acompanha a discussão e as caravanas do Goiás na Frente. Ele enxerga o poderoso avanço da base governista sobre a oposição como normal, mas observa que o programa não pode ser confundido e analisado como um caminho para conquistar apoio de adversários de outros partidos.
Segundo o deputado, o Goiás na Frente é um programa importante e que trará desenvolvimento para o Estado, o que acaba repercutindo no processo eleitoral de 2018.
“Acho que o programa não pode ser usado como viés eleitoral, entretanto as consequências devem ajudar o vice José Eliton no projeto de 2018”, observa Fábio.
O PSDB tem hoje o comando de 95 cidades do estado e quer chegar a 100 municípios sob sua gestão. Para se ter uma ideia do tamanho da representatividade, o partido tem atualmente mais que o dobro do número de prefeitos administrados pelo PMDB.

Professor Joãomar Carvalho: Eliton tem surpreendido e aproveitado a força que Marconi tem dado a ele nesses anos
Professor Joãomar Carvalho: Eliton tem surpreendido e aproveitado a força que Marconi tem dado a ele nesses anos

“Parece-me que ele tem conseguido captar o apoio da base”

Desde 2010, quando se tornou um dos aliados mais próximos a Marconi Perillo e depois como centro das atenções com o comando de secretarias importantes no governo estadual, José Eliton tem sido encarado como alguém quem tem pouco carisma político, mas que por outro lado, é competente nas suas ações.
Além de vice-governador, José Eliton acumulou outros cargos importantes no governo. O primeiro deles foi assumir a presidência da Celg Par, em 2011. Lá permaneceu por 11 meses, numa gestão que foi elogiada por aliados ao promover o equilíbrio interno da empresa.
Em 2015, assumiu a supersecretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado com a missão de estruturá-la numa articulação que deu mais espaço ao PP no governo estadual. Por lá, permaneceu até o início de 2016. Naquela ocasião, o governo promoveu mudanças em algumas pastas e Eliton foi remanejado para assumir a Secretaria de Segurança Pública, onde permaneceu por um ano. Apesar do balanço realizado pela secretaria ter mostrado a diminuição da violência durante o comando de Eliton, a gestão foi bastante criticada pela opinião pública.
Agora, entretanto, Eliton foi designado pelo governador para se dedicar exclusivamente à tarefa de vice e coordenar o programa Goiás na Frente. Para o analista político Joãomar Carvalho, professor de Comunicação  Social, o vice-governador tem surpreendido e conseguido aproveitar da força que Marconi tem dado a ele ao longo desses anos.
Como coordenador, Eliton tem aproveitado do palanque, se destacando como figura principal. Além disso, tem arrancado afagos de prefeitos da oposição que elogiam o “caráter republicano” do governo, algo que, querendo ou não, reflete em Eliton, que deve assumir o Palácio das Esmeraldas em abril com a desincompatibilização de Marconi Perillo.
Joãomar não acreditava que isso fosse possível por considerar o vice-governador uma figura “pesada”. “A princípio eu achava que não, mas me parece que ele tem conseguido captar o apoio da base de Marconi”, disse Carvalho.
Segundo o analista, isso ficou mais claro agora, faltando pouco mais de um ano para a eleição. Ele destaca o papel do programa Goiás na Frente, que deve ajudar ainda mais a imagem de José Eliton.
“Eu vejo que criou um ambiente muito favorável com o programa e a oposição também contribui para isso com a falta de unidade”, pontua Joãomar.
Ao comentar sobre a oposição, o analista entende que a falta de consenso dentro do PMDB, principal adversário da base aliada, ajuda o governo. A situação nada de braçada, enquanto os oposicionistas convivem com problemas internos e a eterna discussão entre iristas e maguitistas. Eles têm agora o dilema envolvendo o senador Ronaldo Caiado (DEM), que corre risco de ficar sozinho.
“O Ronaldo Caiado é um lobo solitário. Tem seus problemas. Acho que o Daniel não dá. Tem muitos problemas internos dentro do PMDB. O fato de José ser o principal nome da base ajudar porque o grupo começa a trabalhar o nome dele com muita antecedência”, diz Joãomar.
Apesar de dizer publicamente que não possui mais o desejo de postular em eleição, o ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela é analisado por Carvalho como sendo uma válvula de escape do PMDB. Ele vislumbra um disputa no ano que vem entre Eliton e Maguito. “Acho que com tudo isso vai acabar em uma disputa entre Maguito e José Eliton”, aponta.

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