Reclamar

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Carinha de entendido, ar intelectual, sabe todos os nomes técnicos, jura que entende do assunto mas tudo não passa de verborragia. Não o peça para efetivamente fazer nada, ele não vai dar conta mas… reclamar e achar defeitos… é sua maior especialidade, principalmente naquilo que os outros fazem.
É assim com as pessoas que vivem de reclamar, os rabugentos que diariamente têm uma opinião destrutiva para emitir e nada para fazer.
Reclamar é arte, e desta arte com roteiro, estilo, tendências, nuances existem os que apenas copiam a reclamação alheia como um cover. Sacro ofício dos críticos literários, de música e dos rabugentos do existir. Assim reclamar pode ter erudição, se for bem construído, ou ser apenas o velho resmungo, entre dentes, um rosnado.
Ha um tempo atrás ouvi uma jovem mulher reclamando de sua existência. Tudo na sua vida era chato: trabalho, família, amigos, saídas, a rua, as pessoas, as coisas, o cinema, os filhos da amiga, a sua mãe, os paqueras e pretendentes. Tom de desânimo com cinza. Evento transparente do tédio urbano, da plastificação do espírito, da falta de alma que foi escondida em um árduo trabalho de anos. Mas o que é ter graça? Todo universo é chato nada nem ninguém presta?
O reclamador oficial faz isto com sua existência. Pensando muito, no racionalismo contundente, se torna crítico com tudo e todos querendo explicações para as minúcias da vida. Como nem tudo tem um por que, o resultado é a chatice estendida aos recantos da vida.
Sorriso só se for pago sem taxa de juros. O racionalismo está ligado a um complexo destrutivo na personalidade e se apodera da alegria, detona o sentido de vida. Assim desconstrói sempre, em um processo neurótico. Ressalta defeitos e impossibilidades, encontrando uma “manchinha” na obra de arte renomada. Uma atitude Senex de um eterno adolescente que, para não ter e viver responsabilidade e compromissos, não faz vínculos, não cria, não vive. Esse adolescene que retroalimenta o ciclo vicioso no qual nada tem graça. Sempre reclamando… As pessoas são problemáticas e estranhas. Tudo e todos têm defeitos e nisto o isolamento vira regra de existir.
Reclamar assim é um escudo, um campo de força que com o tempo proíbe o reclamador de viver com alegria. E nada presta! Nem profissão, trabalho, projetos de futuro.
Diariamente encontramos este tipo criando regras e tratados existenciais nas redes sociais. Resmunga dores de Facebook. Este é um pequeno exemplo dos especialistas em detonar e criticar. Eles vivem presos à telinha, sem viver… Falam mal de tudo e de todos, mas sem oferecer ao mundo uma linha positiva.
Conhece alguém assim leitor? Este é o tipo de pessoa infeliz que tudo justifica, e não sai do lugar, o ser de plástico, da alma de fotocópia, de um tipinho mal encarado e que, como plágio, nada vira.
Resultado ser amargo, triste, isolado e sem realizações. Que tal mudar esta trajetória?

Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e  mestre em Antropologia Social pela UFG.
Site: www.jorgedelima.com.br

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