Entre os malas, tsunamis e furacões

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Na semana passada, o mundo esteve tenso! Primeiro, dia 4, a Coreia do Norte anunciou testes com uma bomba de hidrogênio. O artefato é mil vezes mais potente que as bombas atômicas que arrasaram, em 1945, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, despejadas pelos Estados Unidos. Aí veio, na madrugada da sexta-feira, 8, o tremor no México, terremoto de magnitude 8,1 na escala Richter, o maior dos últimos 100 anos. Deixou dezenas de mortos e pelo menos oito países – México, Guatemala, El Salvador, Costa Rica, Nicarágua, Panamá, Honduras e Equador – em alerta máximo para um possível tsunami…
Por esses dias, o furacão Irma, uma das tempestades mais fortes no Atlântico em um século, também fez lá seus estragos. Na quarta-feira, 6, deixou um longo rastro de destruição em ilhas do Caribe para, então, seguir em direção à Flórida, Miami, nos Estados Unidos. As notícias das entidades governamentais eram de que, no fim de semana, provavelmente na noite do sábado, 9, a costa americana seria devastada pelo furacão de força descomunal. No Caribe, o furacão Irma já havia registrado ventos de 295 quilômetros por hora.
Nesse ínterim, vejo a entrevista de uma goiana que mora na Flórida há mais de duas décadas, e já experimentou outros períodos de medo diante da fúria da natureza. Assim como tantos brasileiros que saem do país em busca de uma vida melhor, ela não lamenta a distância da tranquila (será?!) terra tupiniquim. Tranquila, ao menos, no que se refere a terremotos, tsunamis e furacões, como fenômenos da natureza. “Quer saber da verdade?”, provoca ela na entrevista. “É melhor vivenciar toda a possível destruição que nos espera, porém com a certeza da reconstrução. Melhor que assistir toda a destruição do Brasil, cometida por ladrões da República, e ter a certeza de que essa prática está longe de se acabar. Espero, um dia ter orgulho daí, como tenho daqui”, completou Débora Lousa, design de interiores e corretora de imóveis e investimentos em Miami, em conversa com a jornalista Aurélia Guilherme (www.boavidaonline.com.br).
De fato, e em números crescentes, o brasileiro tem desistido do país. Levantamento da Receita Federal aponta que, no período de 2014 e 2016, houve um crescimento de 81,6% na quantidade de pessoas que deixaram o país, feita a comparação com o triênio imediatamente anterior. O sentimento de apatia do brasileiro com o país tem razão de ser. Não está fácil a vida por aqui. Nunca foi, mas ultimamente…
É crise financeira, crise hídrica, crise na saúde, crise na segurança pública, crise no emprego… crise, crise, crise! Uma presidente afastada, outro presidente escorrega-mas-não-cai. Uma vida político-judiciária cínica e covarde (covarde com a situação do povo, digo!). Para completar esse cenário inacreditável chamado Brasil, a Polícia Federal apreende, na semana do Dia da Independência, R$ 51 milhões em espécie dentro de malas deixadas num apartamento vazio pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima. Foi a maior apreensão de dinheiro vivo já realizada no país. Foram duas caminhonetes para carregar, e ainda sete máquinas e cinco horas para contar toda a grana. Enquanto isso, Geddel ria de tudo em casa (prisão domiciliar, sem tornozeleira). Deve ter se divertido com os memes na internet. Mais um dia de fama! Fama de bandido espertalhão, tipo Cachoeira, Joesley. Teve tempo. Afinal, a PF precisou de mais dois dias, e só então o país viu o dono da mala ser preso de verdade. Não se sabe até quando.
Por aqui não há tsunamis, é verdade. Mas é bem difícil viver governado – e sendo subjugado – por “malas”, enquanto tentamos a todo custo pagar as contas no final de cada mês. Até quando, Brasil?!

Daniela Martins – Jornalista

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