Aos poucos, PMDB e PT retomam diálogo

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Apesar de membros da legenda não admitirem publicamente, discurso dos peemedebistas é de que legenda está de portas abertas aos petistas

Marcione Barreira

Antes vista como algo difícil de acontecer, a reaproximação entre PT e PMDB volta à pauta a pouco mais de um ano da eleição de 2018. Maioria da bancada peemedebista usa o discurso de que não se pode descartar parcerias, sobretudo porque sabem que para enfrentar os governistas somar força é essencial. O discurso ganhou força depois que o deputado federal e presidente estadual do PMDB, Daniel Vilela, se encontrou em Anápolis com Antônio Gomide, ex-prefeito da cidade e um dos líderes do PT, em encontro que foi visto como sinal de reaproximação entre as duas legendas.
Pesa também o fato de que o deputado federal Rubens Otoni (PT) é próximo de Daniel Vilela no Congresso Nacional e esse entrosamento poderia facilitar os diálogos entre os partidos. Grande parte dos correligionários peemedebistas na Assembleia vê o fato como normal, mas nos bastidores muitos temem herdar o desgaste do PT, afundado em um mar de corrupção no plano federal.
Se ventilou também uma possível mudança de partido de Antônio Gomide, que poderia se transferir para o PDT. O ex-prefeito nega veementemente a possibilidade. Ele garante que está focado na viabilização da candidatura de Lula a presidente e no fortalecimento da agremiação, que se encontra profundamente desgastada.
Antônio Gomide diz, entretanto, que o momento é propício para conversa. O discurso do líder petista segue, portanto, a mesma linha das lideranças do PMDB, que defendem diálogos com toda a oposição. Neste momento, não se descarta nenhuma parceira – sendo exceção o que pensa o líder do PMDB na Assembleia Legislativa, deputado José Nelto.
Nelto admite que possa haver conversas isoladas, mas acredita que será difícil uma aliança entre PT e PMDB. A principal obstáculo – afirma – são as arestas entre os dois partidos oriundos da aliança passada na Prefeitura de Goiânia e também no governo federal. Isso impediria um diálogo entre os dois.
“Pode ter conversas isoladas entre um ou outro membro das legendas, mas não há fatos concretos. Essa união é muito difícil por conta dos atritos que tivemos com eles na Prefeitura de Goiânia e também pelo fato de nós termos apoiado o impeachment da presidente no cenário nacional”, justifica.
O deputado diz ainda que, tendo em vista os desgastes do PT, a possibilidade de composição com a legenda se torna muito complicada. A rejeição da sigla dentro do PMDB, segundo Nelto, é muito alta.
“Hoje o partido tem um alto grau de reprovação aqui no PMDB. Então para isso acontecer será um grande desafio”, garante.
Mas há quem coloque panos quentes na relação entre os dois. O deputado estadual Paulo Cezar Martins, secretário-geral do PMDB, resumiu o fato que envolve os dois numa frase em clara demonstração de que o PMDB não pode se dar ao luxo de descartar nenhuma união.
“Cachorro que rejeita linguiça, cacete nele”, diz.
Paulo Cezar Martins acredita que não pode desconsiderar nenhuma aliança, nem mesmo pelo fato de os desgastes do PT estar em evidência.
“Todos os partidos estão desgastados. Nenhum está imunizado do descrédito”, admite.
Outro peemedebista quem endossa o discurso de que não se pode desconsiderar uma possível composição com o PT é o deputado estadual Wagner Siqueira, o Waguinho. Segundo o deputado neste momento é preciso que haja diálogos a fim de aparar as arestas e focar nas parcerias.
“Estamos abertos a todas as alianças e parcerias”, frisa.
Wagner Siqueira aponta que as divergências precisam ser superadas em nome do projeto de governo, além de que uma composição ampla facilitará o campo oposicionista.
“O que precisamos é construir uma aliança grande, superar as discordâncias em nome de um projeto para o Estado”, completa Siqueira.
Situação sempre exposta por analistas é o fato de que as oposições nunca se unem e é justamente isso que o deputado estadual Lívio Luciano, também do PMDB, pede à ala oposicionista. O deputado acredita que este é o momento certo para o diálogo entre os partidos que hoje fazem parte da oposição.
Para Lívio, as interlocuções com qualquer partido neste momento têm que ser exploradas.
“O momento é oportuno entre todos os membros da oposição. Qualquer tipo de conversa neste momento é importante. Acho que as oposições têm que dialogar mais”, aconselha.

PT e PMDB: entre tapas e beijos

PT e PMDB sempre firmaram parceria de sucesso, mas nos últimos anos a união foi quebrada e teve a ruptura concretizada depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2014, os dois tinham praticamente certa a parceria para o governo do Estado, no entanto as duas legendas não chegaram a um consenso acabando por alçar candidaturas separas.
Enquanto dentro do PMDB havia a briga entre Junior do Friboi e Iris Rezende, o PT viabilizava a postulação de Antônio Gomide, que gozava de grande prestígio em Anápolis – cidade onde era prefeito com a provação popular de 92%. O fato dava esperança ao PT, que mesmo atrás de PSDB e PMDB apostava no fato da figura de Antônio Gomide representar uma nova liderança com potencial de crescimento.
No final das contas, o PMDB resolveu se definir por Iris Rezende, após comunicado de desistência de Junior do Friboi, e o PT seguiu o caminho solo. Os dois partidos só se uniram no segundo turno em eleição perdida para Marconi Perillo.
Na prefeitura de Goiânia a união rendeu mais frutos. Até 2016 os dois só tiveram êxito. Em 2008 Iris encabeçou chapa com o médico Paulo Garcia (PT) em dobradinha que duraria até 2015. Iris deixou a prefeitura em 2010 e passou o cargo às mãos de Paulo Garcia, que se candidatou em 2012 com apoio do PMDB e venceu as eleições daquele ano.
A união entre os dois partidos se desgastou em 2016 e deixou de existir após diversas críticas peemedebistas à gestão petista de Paulo Garcia, que já vinha sofrendo com desgaste na administração e baixa aprovação popular.

DEM e PT não falam a mesma língua. E agora, PMDB?

Ao levar em conta que o PMDB é, dentro da oposição, o partido com maior representatividade no interior do estado, com Daniel Vilela definido como pré-candidato ao governo e considerarmos ainda que líderes do partido pedem mais diálogo entre as oposições para enfrentar a base governista, pressupõe que o partido precisa se mobilizar para reunir DEM e PT do mesmo lado. O problema é que Trabalhadores e Democratas não se bicam. E agora, PMDB?
Para o partido, no entanto, essa é uma questão que será postergada para o ano que vem, ou “lá na frente”, como costumam dizer as lideranças da agremiação. Siqueira diz que primeiro é preciso reunir as oposições e depois aparar as arestas internas.
“Lá na frente a gente vê as questões internas que precisam ser resolvidas, antes é necessário reunir a oposição”, sugere.
Já Lívio Luciano diz que nessa briga o PMDB não pode se meter e pede bom senso e humildade na oposição.
“O PMDB não pode resolver os atritos entre DEM e PT. Se nós, da oposição ao governo, quisermos algo ano que vem essa é a hora de todo mundo sentar e conversar”, afirma.
O PMDB também está de olho em membros que são próximos da base e os que integram ela. Casos do PSB da senadora Lúcia Vânia, PTB, do deputado federal Jovair Arantes e PSD, do secretário de Estado Vilmar Rocha.
Os peemedebistas observam que há um inchaço na base e que fatalmente sobrará alguém. José Nelto diz que há diálogos com PSB e que os partidos devem conversar ainda mais até a decisão. Lívio acredita que alguém deve ficar de fora na composição da base e o partido pode se aproveitar disso.
“Lá na frente alguém vai escorregar”, afirma.

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