Petistas correm atrás de um palanque para Lula em Goiás

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Mesmo com a candidatura do ex-presidente ameaçada, caso ele seja condenado em segunda instância, líderes dizem que vai compor somente com quem ceder palanque a Lula

Marcione Barreira

Com o discurso de que só vai compor com algum partido que esteja disposto a ceder palanque ao ex-presidente Lula, o PT tem tentado se fortalecer internamente com foco na viabilização da candidatura do líder da legenda. Essa é a linguagem tanto nacional quanto regional. As lideranças da agremiação em Goiás têm sido bem clara neste sentido, apesar de reconhecer que há conversa com outros partidos fora do eixo de esquerda. O PMDB, por exemplo, é um ex-aliado que o PT tem conversado extraoficialmente, segundo disse o deputado federal Rubens Otoni em recente entrevista ao “Diário de Goiás”.
Embora reconheça a importância da parceria, Otoni disse acreditar que será muito difícil isso acontecer pelo fato de o PMDB ter patrocinado, segundo suas palavras, o “golpe”, além da aprovação de matérias que o PT se posicionou contra. Otoni se refere à aprovação da terceirização e da reforma trabalhista.
Em Goiás, a relação entre PT e os partidos com quem já formou parceria não é das melhores há muito tempo. Haja vista a maior e mais vencedora das parcerias, com o PMDB, que tanto no âmbito estadual, municipal e federal se deteriorou. No cenário atual, o partido caminha para sair, assim como ocorreu em 2014, em voo solo, com candidatura própria a governador.
Hoje os nomes mais cotados  para sair candidato a governador dentro da agremiação são da ala anapolina do partido. Por coincidência os dois irmãos: vereador Antônio Gomide e o deputado Rubens Otoni. Gomide foi o candidato do PT em 2014. Já Otoni venceu corrida para reeleição à Câmara.
Para que o voo solo não ocorra, duas coisas precisam se viabilizar primeiro: a inocência do presidente Lula e o fato de algum partido estar disposto a compor com o PT.
Por tudo isso, o PT terá que dialogar muito se quiser ter chances de conquistar algo no estado. Caso o ex-presidente Lula fique livre de condenação e sua candidatura seja viabilizada, como pensam a maioria dos petistas, o caminho será facilitado porque neste momento as pesquisas de intenção de voto dizem que Lula lidera a corrida eleitoral.
O líder maior do PT tem rodado o Brasil e inflamado discursos dizendo ser vítima de perseguição. A última caravana percorreu o nordeste, onde o partido, sobretudo Lula, goza de grande prestígio.

Líderes do PT em Goiás jogas todas as fichas em uma provável candidatura do ex-presidente Lula em 2018. Nos bastidores, petistas têm conversado extraoficialmente com outras legendas
Líderes do PT em Goiás jogas todas as fichas em uma provável candidatura do ex-presidente Lula em 2018. Nos bastidores, petistas têm conversado extraoficialmente com outras legendas

Analistas dizem que a chance de Lula ser inocentado é muito pequena, mas, caso seja, o palanque do PMDB poderá estar aberto a ele, se o candidato for o deputado federal Daniel Vilela (PMDB), que tem proximidade com os petistas da Câmara dos Deputados. Leia-se Rubens Otoni, que já disse não ter nada contra Daniel.
Outro fator que também pesa a favor dessa hipótese é o ex-prefeito Maguito Vilela (PMDB) não ter demonstrado nenhum problema em apoiar o líder petista. Em 2006, Lula apoiou Maguito na corrida pelo governo do estado na eleição em que foi derrotado por Alcides Rodrigues, então candidato apoiado por Marconi Perillo (PSDB).
Por outro lado, se o tribunal de segunda estância confirmar a condenação do juiz Sérgio Moro a lei da ficha limpa vai atingir Lula, garfando também o coração do PT. Neste momento, o partido não tem nenhuma liderança capaz de aglutinar, além da escassez de carisma semelhante ao do ex-presidente.
O fato forçaria o PT de Goiás a baixar a guarda e diminuir o tom do discurso, que às vezes soa agressivo quando volta e meia solta a voz e qualifica como golpistas os partidos que votaram pela cassação da ex-presidente Dilma. Hoje o discurso é este: “Vamos conversar com quem estiver disposto a ceder palanque a Lula”, garante o deputado estadual Luis Cesar Bueno.
Em caravana pelo interior do estado, o deputado petista afirma que está impressionado com as receptividade das pessoas que segundo ele estão pedindo a volta o partido. Tem dito o mesmo o vereador por Anápolis Antônio Gomide (PT): “Vejo a vontade do povo de ver a volta do Lula”.
A possibilidade de condenação do ex-presidente Lula levou a presidente nacional do partido, senadora Gleisi Hoffman, considerar até boicotar a eleição do ano que vem. O boicote faria com que o PT deixasse de lançar candidatos ao Executivo e ao Legislativo.
Essa estratégia seria uma forma de sair do páreo de forma honrada. A intenção dos petistas é boicotar o pleito de 2018 e rodar o mundo dizendo ser vítima de perseguição do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Luis Cesar Bueno defende ser muito pouco provável que isso aconteça porque acredita totalmente na candidatura do ex-presidente. Mesmo os que não têm a mesma confiança de Bueno afirmam que será difícil que o partido desista das eleições apenas por esta razão. Eles consideram que é muito improvável que alguém desista de suas candidaturas, em especial aqueles que têm real chance de ganhar nas urnas.
De olho nisso, as lideranças trabalham para que o partido se fortaleça ao faltar pouco mais de um ano para o pleito. No primeiro semestre, o partido renovou suas lideranças em todos os níveis. Em Goiás, trocou Ceser Donisete pela professora Kátia Maria. No Diretório Metropolitano, Luis Cesar Bueno cedeu lugar à deputada estadual Adriana Accorsi.

 

 

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