Surdez: inclusão escolar é o foco

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O aluno Gustavo Aires Andrade recebe toda ajuda dos profissionais intérpretes e dos colegas da escola

Dia Nacional do Surdo é celebrado com atividades especiais que promovem a inclusão

Lívia Máximo

Na última semana, os alunos da Escola Municipal Em Tempo Integral Professora Maria Nosídia Plameiras das Neves, localizada no Residencial Barravento, participaram de uma programação especial para celebrar o Dia Nacional do Surdo, lembrado no dia 26 de setembro.
Entre as atividades, os alunos e professores promoveram apresentações musicais em Libras (Língua Brasileira de Sinais) feitas pelo coral da escola, oficinas sobre as diferentes formas de comunicação, exposição de vídeos sobre a surdez, socialização de alguns sinais em Libras que facilitem o contato entre alunos e professores, além de um lanche especial.
“A nossa escola, sendo um espaço de educação integral, não poderia se silenciar diante de tão representativa data, até porque em nosso quadro discente há um aluno surdo. Diante disso, os professores intérprete e regentes de sala promovem cotidianamente ações pedagógicas inclusivas, em conformidade com a proposta pedagógica da escola”, afirmou a diretora da escola, Izabel Leal.
De acordo com a intérprete Aparecida Costa Reis, que trabalha na escola, a intenção das atividades é explicar aos educandos a importância de celebrar a data. “Por décadas os surdos foram excluídos da sociedade, eram proibidos de casar, trabalhar, serem independentes, estudar e até circular na sociedade. O olhar para esses excluídos começou a engatinhar, só após D. Pedro I ter um familiar surdo, quando foi criado o Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES). Entretanto, as famílias que não possuíam condições de investir nas crianças surdas ficavam a mercê. Porém, a inclusão que acontece em Goiânia é relevante para a sociedade, que passa ser um cidadão com direitos e deveres garantidos na Constituição”, ressaltou a profissional.
Atualmente a rede municipal de ensino possui 102 alunos com surdez matriculados em 64 instituições entre escolas e centros municipais de Educação Infantil (Cmeis) e 88 intérpretes disponíveis para atendimento para mais de um aluno.
Gustavo Aires de Andrade, 12 anos, é aluno na E.M Profª Maria Nosídia desde a turma A. Atualmente ele já está na turma F, e, segundo a intérprete, ele é muito bem relacionado com os colegas. “Através das aulas de Libras ele os demais alunos da escola tem aprendido a se comunicar. O Gustavo é muito participativo nas atividades respeitando as suas limitações”, ressaltou Aparecida Costa.
Segundo a gerente de inclusão, Luciana Ferreira Machado, a inclusão de educandos com necessidades educacionais especiais, incluindo o surdo, é prioridade para a SME. “Nesse momento estamos em processo de escrita da Política de Inclusão e das Diretrizes da Educação Inclusiva. O foco, contido nos textos desses documentos, contempla o educando surdo em suas especificidades, onde Libras é uma linguagem valorizada. Essa escrita representa um marco importante para o atendimento educacional do surdo em Goiânia. A diretriz mobilizará os profissionais da área para promover, na prática, a autonomia dos alunos surdos no processo de alfabetização e letramento”, ressaltou a gerente.

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