Entrevista José Vitti: “Uma oposição unida é nosso maior adversário”

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Em entrevista exclusiva, o presidente da Assembleia, José Vitti, dá a receita de como a base governista pode ganhar a eleição em 2018. E mostra em detalhes como pode perder.

O deputado José Vitti (PSDB) está há cerca de nove meses na presidência da Assembleia, e desde a origem na base do governo estadual. Nesta entrevista exclusiva à Tribuna, ele fala do presente, mas principalmente do futuro dessa mesma base. Acompanhe.

Daniela Martins, Fagner Pinho e Vassil Oliveira

Tribuna do Planalto – Os deputados estaduais têm sido bem atendidos pelo governo?

José Vitti – Acho que sim. Tem deputado que chora com razão; tem deputado que chora para ganhar mais; e tem deputado que chora sem razão. Mas nenhum deputado que tem três, quatro, cinco mandatos, e que está na base governista, pode reclamar. O governo tem suas dificuldades, mas sabe valorizar aqueles que estão com ele.

Já são 20 anos do mesmo grupo político no poder, com o governador Marconi Perillo à frente. Na eleição do ano que vem, isso será cobrado. Esgotou o projeto?
Não. Dá para ganhar a eleição. Nós passamos, nesses 20 anos, por cinco eleições, e o eleitor teve oportunidade de fazer uma avaliação, se estava cansado ou não desse projeto. Está fadigado um pouquinho? Está. A gente precisa criar um mecanismo de dar esperança nova ao cidadão. Aí é criatividade nossa. Às vezes, as próprias pessoas vão cansando porque vêem um discurso raivoso de outro lado, mas se estivéssemos em um momento em que o Brasil estivesse bem, tudo estivesse tranquilo, com esse Programa Goiás na Frente não existiria oposição.

Como explicar que Ronaldo Caiado, que faz oposição ao governo, lidere com vantagem as pesquisas?  
Não dá para comparar um nome como o de Ronaldo Caiado, com a história que ele teve, inclusive nacionalmente, com o do José Eliton, que foi formado há sete anos. Agora, eleição não se ganha sozinho. Precisa de grupo.

Dá para ganhar com José Eliton?  
Dá. Precisamos criar, na população, expectativa em torno do nome dele. Esse é o nosso desafio, pois, como gestor, ele é preparado. Marconi soube abrir as portas para buscar recursos em Brasília. Tem essa habilidade, que o José Eliton precisa ter. Acho que vai ter.

A estratégia de José Eliton, de responder com veemência os adversários, é correta?  
Em minha opinião, não. Ele deve ter pesquisas (orientando nesse sentido), mas acho que as coisas têm momento certo para discussão. Ir diretamente para esse embate, não sei se é positivo, é muito cedo. Eu não iria para esse enfrentamento tão prematuramente. Até porque não sabemos como vão ficar as composições ainda. Tem muita coisa para acontecer. O Ronaldo, querendo ou não, ainda está isolado.

PMDB é o adversário mais difícil, no Estado?
Temos dois adversários que são difíceis: Ronaldo, pela sua trajetória política, e Daniel Vilela, que, na minha visão, é um adversário que precisa ser observado. O PMDB é um partido com capilaridade nos 246 municípios, e Daniel é um jovem que representa muito esse antagonismo em relação à continuidade dos nossos 20 anos. Então, é perigoso. Temos que ter muita atenção.

José Eliton corresponde bem à expectativa da base aliada?  
Acho que ele é um cara extremamente esforçado. É aquele jogador que, se você falar “Pô, o cara é talentoso?”, não. Mas é voluntarioso demais, veste a camisa, joga com o time, está buscando, não é preguiçoso, não está atrás da cadeira pensando que Marconi o fará (governador). Está buscando.

Ele consegue unir a base, em meio a esta falta de espaço para acomodar todos?
Está sem espaço porque alguma coisa de boa nós temos. Se nosso governo fosse um desastre, pode ter certeza de que muitos que estão brigando por espaço aqui. Já teriam fechado do outro lado. Então, temos ainda o respeito. Senão, Lúcia Vânia tinha ido embora, Wilder (Morais) estaria em outro projeto; Jovair (Arantes), também.

Mas ficarão todos juntos até o final, a eleição?
Acho que podemos perder alguém. Ainda sou um sonhador de que coisas diferentes possam acontecer. Essa briga de PMDB com PSDB… Não estou dizendo que vai ser agora, mas acho que temos que começar a conversar também. Essa briga foi lá atrás.

Dá para PMDB e PSDB conversarem?
Acho que dá. Acho que devem estar até conversando.

Em uma composição dessa, alguém teria que ceder. O PSDB cederia?
Sim. Se eu fosse o grande comandante… Primeiro eu tenho que delimitar quem é meu adversário. É o Daniel? É o Ronaldo? A partir desse pressuposto, vamos conversar. Aí que eu digo: se você pensar sempre naquilo, que são os benefícios e vaidades próprias, ninguém ganha eleição, principalmente uma eleição como essa. Tenho dito que essa será a eleição mais difícil que vamos enfrentar. Citei aqui muitas qualidades do José Eliton, mas acho que ele tem também muitas dificuldades, e tapar essas dificuldades é o primeiro passo para a gente conseguir (ganhar).

 

Desafio é despir das vaidades

José Vitti2

“Nós temos que pensar que quem está, seja buscando vaga ao Senado, seja buscando a vaga de vice-governador, precisa ter votos”

Onde pode melhorar?
Uma das grandes reclamações que eu tive é que ele precisava ser mais conhecido perante o povo. Acho que ele está vendo isso agora. Esse Goiás na Frente Social vai ser bom para isso. Pegar as entidades, pegar o terceiro setor, ele tem que ir para essa interlocução. No setor produtivo, ele precisa ganhar confiança. Essa é minha luta, minha opinião em relação ao José Eliton. Ele tem que se tornar mais Zé Eliton e menos Dr. José Eliton. Acho que ele está se esforçando.

Então a estratégia dele está correta, pois está centrada nisso.  
Melhorou muito. Como eu disse, se pegar as pesquisas (de intenção de voto) em janeiro, era traço. Se pegar hoje, talvez tenha 10%, 12%, 15%, não sei… E estamos a um bom tempo da eleição. E veja que o adversário está ali, distante, mas não está evoluindo. Ele (Caiado) tem um patamar que talvez seja o teto dele.

O PSDB é um bom partido para 2018, mesmo com o desgaste de Aécio Neves e apoiando Michel Temer?
Como queremos cobrar alguma coisa, sendo que nós mesmos não fazemos nosso dever de casa (em relação a Aécio)? Acho que essa é uma grande discussão que deve haver dentro do partido, mas eu também acho que sair (do governo Temer) como oportunista é muito ruim.

É o momento de Marconi assumir a presidência do PSDB?
É o momento. Seria muito bom para o partido. Marconi é visto fora de Goiás até muito melhor do que os próprios goianos o veem. Ele tem credibilidade no mundo político, é jovem, tem capacidade. É o momento para o próprio PSDB também. Marconi tem muita habilidade.

Aécio deveria deixar a presidência?
Sou a favor. Sem dúvida, isso não tem discussão.

Ele já deveria ter se afastado?
Eu acho. O partido está dividido demais em Brasília. Precisava entrar alguém para pacificar os ânimos.

Se a base precisasse de um plano B para o governo, o sr. aceitaria?  
É difícil dizer. Acho que a minha experiência aqui é muito menor que talvez a de muitos que estão no governo. Precisamos entender que, em uma eleição, você precisa ter densidade eleitoral. Se eu aceitaria? Não sei. Se fosse um convite… Mas não adianta nada o “joga na fria e vai você”. Acho que não é isso. Porque uma eleição macro, para o Executivo, é também uma eleição muito conceitual. Por exemplo: se o vice-governador, que há oito anos está lá (na vice), ocupou secretarias importantes, teve visibilidade positiva e negativa (ele se refere à exposição de Eliton na mídia quando foi baleado em Itumbiara, no episódio que resultou na morte do ex-prefeito José Gomes), se ainda assim ele às vezes encontra dificuldades para chegar ao povo, ‘que dirá’ o José Vitti. Então, uma eleição para o Estado tem que ser feita como está sendo. Por mais que tenha sido previamente lançada a candidatura do José Eliton, ele vai ser governador a partir de, sei lá, março, e aí, sim, vamos verdadeiramente conhecer o governador José Eliton. Tudo que vocês estão me perguntando – ele tem capacidade para aglutinar? Ele tem capacidade para chegar lá? –, será medido de verdade. Porque hoje ele ainda vive à sombra do governador Marconi, não tem jeito de se desvencilhar isso. O fato de eu ser pensado como um plano B, me deixa envaidecido. Fico feliz. É um reconhecimento de que aquilo que me propus a fazer – não só como presidente, mas como líder do governo –, consegui desempenhar bem. Agora, tanto ele quanto eu, o PSDB e os partidos que compõem esse projeto, que foi vitorioso até hoje, precisamos ter juízo. Precisamos pensar em compor uma chapa, seja ela qual for, com nomes que tenham densidade eleitoral. É muito bacana ter minuto de televisão, extremamente importante isso. Mas temos que pensar que quem está, seja buscando vaga ao Senado, seja buscando vaga de vice, precisa ter votos. É um projeto que exaurido? Não, mas é um projeto que precisa ter muitas coisas diferentes. Não adianta ficarmos trabalhando o mesmo projeto com nomes que já cansaram as pessoas. Eu cito, do PSD, nomes novos que poderiam compor a chapa. Ou do próprio PSDB, nomes novos que também poderiam. No PP, o Wilder (Morais, senador) é um nome novo, mas está legal? Está bem? Tem pesquisa? Ou está bem só com os prefeitos? Está movimentando demais, está bacana, é um cara muito jeitoso, mas e aí?

E Lúcia Vânia e Vilmar Rocha, que querem vaga no Senado?  
É isso que estou falando. Agora, de repente, você faz uma pesquisa e as pessoas entendem que Vilmar Rocha está muito bem posicionado. Então, está bom, Vilmar é bacana e tal. Mas será que, no PSD, se a gente olhar – e não estou fazendo defesa de ninguém – para o Francisco Júnior, ou para o Thiago Peixoto, ou para o Heuler Cruvinel, pegar alguém do Entorno que seja jovem, que de repente traga algo novo para as pessoas… Jovair? De repente, Henrique é melhor que Jovair, que é novo. A Lúcia… Poxa, é inegável a trajetória da Lúcia. Senadora, deputada federal, tem uma experiência que é grande, ajuda demais Goiás. E aí, quem agrega mais? Ela ou Wilder, Jovair ou Demóstenes, que as pessoas estão falando que vai voltar? Quer dizer, temos que ter atenção a isso. Temos que trazer pelo menos alguma coisa de novo para as pessoas terem perspectiva. Perspectiva de futuro, com nomes só lá de trás?

A dificuldade em relação à abertura para esse novo é conceitual, ou reflexo da resistência dos mais antigos?
Resistência. Vejo alguns falando “Nós merecemos a vaga”. Mas por quê? “Vocês” também foram agraciados e contemplados até hoje com o projeto que foi vencedor. Todos foram. Ninguém pode reclamar.

A gente fala que a oposição está desunida, mas nós (base aliada) estamos desunidos. Você não vê a Lúcia andando com o Marconi, que só anda com Vilmar, que não anda com ciclano…?

É hora, então, de a base apresentar novos nomes.  
É. Novos nomes, conceito de novo.

Qual será o maior adversário da base aliada?
Acho que, se a oposição se unir, é nosso maior adversário. Uma oposição coesa e unida é nosso maior adversário. Se a oposição não se unir, nosso maior adversário somos nós mesmos. Acho que temos a responsabilidade de nos despir das vaidades. Não adianta. A gente fala que a oposição está desunida, mas nós (base aliada) estamos desunidos. Você não vê a Lúcia andando com o Marconi, que só anda com Vilmar, que não anda com ciclano… Jovair está emburrado… Estamos unidos? Não estamos.

Cabe a quem construir essa unidade?  
Acho que cabe ao nosso candidato a governador. É claro que é uma situação difícil, porque ele não é efetivamente governador, está vivendo à sombra. Agora, também temos que ter datas. Até quando vamos (continuara assim)? Porque, do jeito que está, hoje o pessoal está reclamando, mas está no governo. O jogo está zerado. Não tem esse negócio de que estamos bem demais. Temos que formatar um grupo. Isso realmente é um desafio para José Eliton. E começar a formatar uma ideia. Eu vejo gente que está com um pé aqui, um pé com Ronaldo, mas que é do partido do Daniel… Como vai ficar?

Qual seria essa data limite?
Acho que está quase nela. Teremos uma reforma (no governo), para quem é candidato, até dezembro, e é um pacotão só. Ou entra por amor ou então, “obrigado”, e vamos trabalhar com o que tem. Se a gente for empurrando isso, deixar para junho, convenção… Não adianta a gente querer vender esperança se nós mesmos não estamos conseguindo formatar essa esperança.

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