Oposição não dá bola para o Senado

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Bola murcha da oposição

Oposição tem dois candidatos a governador, mas não mostra interesse em eleger senador, apesar de suas vagas abertas

Vassil Oliveira

A oposição em Goiás tem dois pré-candidatos a governador e nenhum, de verdade, a senador.  Já os governistas têm um candidato a governador e excesso de candidatos a senador. De um lado, briga para ser; do outro lado, ninguém, ao que parece, querendo… ser candidato.

O único nome citado como provável postulante a uma de duas vagas que serão abertas no ano que vem – de Lúcia Vânia (PSB) e Wilder Morais (PP), que completam oito anos de mandato – pelos oposicionistas é o deputado federal Pedro Chaves (PMDB).

Mas é um nome jogado ao vento. Não há trabalho, defesa de seu nome pelos companheiros – no máximo, citação protocolar – ou qualquer trabalho efetivo da parte dele até agora. Nos eventos em que ele está e se apresenta como possível candidato, pouca ênfase é dada.

Entre os partidos considerados de esquerda, também não há candidato natural ou alguém minimamente interessado em se apresentar para a disputa. Aqui e ali, fala-se em negociação para indicação de nomes. Como na possível reaproximação entre PMDB e PT. Porém, nada com lastro na realidade.

Na base do governo, o clima é outro. A disputa por uma vaga de candidato a senador mexe com ânimos. É fator de desunião, o que significa problema sem solução no horizonte. Bola dividida que o candidato a governador, o vice José Eliton, já está em campo tentando apaziguar.

A senadora Lúcia Vânia quer a reeleição. Wilder, também. Vilmar Rocha, do PSD, não abre mão de ser ele o escolhido. O PTB não bate o pé, mas apresentou o ex-senador Demóstenes Torres como nome possível, desde que, claro, legalmente possa ser candidato ano que vem. Tá na área.

Uma vaga na base tem dono, na visão dos próprios integrantes dela: a do governador Marconi Perillo (PSDB). A guerra pela outra entre os governistas é que torna a situação na oposição mais curiosa: o espaço está aberto, mas ninguém mostra disposição para entrar em campo. Sobra espaço, falta vontade.

Essa ausência de nomes ganha discurso positivo entre os oposicionistas. Argumentam que isso libera a área para negociações que visem ampliar o leque da aliança eleitoral. Não convencem. Em circunstâncias normais da política, área com vácuo gera invasão de campo, e não defesa retórica. O argumento parece mais desculpa de quem não tem jogador qualificado.

É por esse vazio oposicionista que entram as recorrentes especulações sobre uma possível composição de Lúcia Vânia e Vilmar Rocha com o PMDB. Os dois ensaiam uma dança, enquanto pressionam a base marconista a garantir, para eles, lugar no time principal. O resultado disso é desconfiança geral, porém com todos alimentando tudo, enquanto o jogo principal não se define.

Governistas reclamam de falta de lealdade da parte de Lúcia e Vilmar, mas não descartam a recomposição em nome da base unida. Oposicionistas aceitam o diálogo, mas não fecham negócio porque desconfiam das verdadeiras intenções. Por ora, tudo é possível, inclusive nada. Nas fotos para o público há empate técnico: Lúcia Vânia com Iris; Vilmar com Daniel; Lúcia com Caiado; Vilmar e Lúcia, com Marconi.

Ironia no horizonte: no final, a oposição ganhar o governo entregando de goleada o Senado. Poderá dizer que foi estratégia: o que importa é chegar ao Palácio das Esmeraldas; em nome desse objetivo, vale tudo. E pode ser que isso aconteça por outra razão: mero descuido, ou erro tático.

Risco. Ou oportunidade

A ausência de nomes para o Senado na oposição é falta de interesse mesmo ou falta de visão de oportunidade?

O favoritismo do governador Marconi Perillo (PSDB) é uma unanimidade. Fora a torcida por uma eventual derrota sua, a aposta majoritária é na eleição. Mas o favoritismo de Marconi define, na imaginação política, uma vaga. E a outra? Por extensão, é também dele, de quem ele indicar?

A resposta positiva a essa pergunta explicaria a cobiça por um lugar ao lado do governador na chapa governista.

A negativa, embora comentada em discussões de bastidores, não é explorada: a avaliação de que, depois de 20 anos no poder, a base do governo não tem fôlego mais para eleger dois senadores. Elege Marconi; outro da base aliada, dificilmente.

O único que parece disposto a pagar pra ver na disputa para um mandato de senador, independente de prognósticos e considerandos, é o vereador por Goiânia Jorge Kajuru, do PRP. Kajuru é oposição a Marconi, e ao mesmo tempo o seu par. Os dois formam a dupla que, no meio político, é vista hoje como favorita para o Senado.

Ponto fora da curva

Radialista com origem no esporte e craque (sem trocadilho) em comunicação, Jorge Kajuru atrai as atenções e amplifica, com seus discursos e posicionamentos, as especulações em torno de seu futuro político. Para o Senado Federal, é o ponto fora da curva.

Muitos torcem por sua candidatura como quem espera a final de um campeonato: Marconi Perillo x Kajuru. Quem piscará? Quem não será eleito? Quem terá mais votos? Na outra ponta estão os que veem pouca chance para ele por uma razão pragmática: falta de espaço adequado.

Partido para ser candidato, ele argumenta ter. Mas como entrar nos times principais, liderados pelo PSDB e PMDB, se hoje ele é oposição tanto ao governo estadual (tucano) quanto à administração em Goiânia (peemedebista)?

Restaria a opção por uma candidatura avulsa, sem o respaldo de uma candidatura a governador forte. Um risco. Ele toparia? Ou, quem sabe, a formação de chapa com Caiado governador.

Na oposição, a visão de que Kajuru incomoda o governo é real. Há outra, que também produz incômodo geral: e depois dele eleito?

24 horas em campo

Marconi Perillo puxa a base aliada governista desde 1998. É o avalista da candidatura de seu vice, Zé Eliton, que assumirá o governo em abril e buscará a reeleição. Na disputa de 2018, Marconi busca fortalecimento no jogo nacional. Mais do que ser eleito senador, quer ter votação histórica.

Estrutura e apoiadores não lhe faltam. Ele deixará o governo depois de percorrer o Estado quase três vezes, no último ano, levando recursos para municípios via programa Goiás na Frente. E quem duvida de que ele sairá do governo, mas o governo não sairá de sua campanha?

Algo que diferencia o governador como candidato é a sua disposição para o embate. Ele não espera. Ele vai a campo em busca de resultados. Em campanhas passadas, saiu atrás nas pesquisas. Terminou na frente. Este ano, fez movimento repetitivo: para combater desgastes da administração, buscou apoio no interior.

A avaliação do governo no ano que vem será decisiva para se ver o tamanho de seu cacife eleitoral. Por ora, é jogador de ponta. Em vez de se acomodar com o favoritismo para o Senado ou o corpo mole adversário, joga para ganhar de goleada.

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