A escolha de Iris

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Sobram teorias sobre a falta de um líder do prefeito na Câmara, mas após aceno de Iris, dúvidas podem estar perto do fim

Vereadores

Marcione Barreira

Por que o prefeito Iris Rezende (PMDB), caminhando para o final do primeiro ano de seu quarto mandato como gestor da capital, ainda não escolheu seu líder na Câmara Municipal? Essa é a pergunta que permeia o imaginário de jornalistas e analistas políticos, mas que intriga vereadores tanto de sua base quanto da oposição.

Os motivos apontados por todos os lados são muitos. Iris já afirmou, no primeiro semestre, querer conhecer um pouco mais os integrantes de um poder tão renovado. Mas este pouco tem virado muito, e novas suposições começaram a pipocar aqui e acolá, tanto no legislativo quanto no executivo.

Entre auxiliares e assessores a impressão é a de que o prefeito estaria “esticando a corda” até onde der. A possibilidade corrobora com a apontada pelo vereador Paulinho Graus (PDT), por exemplo, que considera que até o momento Iris ainda não precisou de um articulador no parlamento. Segundo ele, isso só vai acontecer quando surgirem projetos mais contundentes com necessidade maior de articulação do prefeito.

Já os vereadores Oséias Varão (PSB) e Juarez Lopes (PRTB) estão entre os principais escudeiros e saem em defesa de Iris. Eles dizem que a postura do ex-governador se deve ao fato de que a situação financeira herdada por ele na prefeitura demanda cuidados, e essa situação tem feito com que os trabalhos sejam redobrados neste sentido.

Já na oposição, como era de se esperar, as expressões são diferentes. Para Elias Vaz (PSB), a falta de ambição política tem feito com que Iris deixe a Câmara de lado e ressalta ainda que a situação financeira da prefeitura não pode mais ser usada como justificativa. O vereador aponta outra justificativa, dizendo que o prefeito trabalha apenas para “eleger a mulher dele deputada federal”.

As vereadoras Sabrina Garcez (PMB) e Priscila Tejota (PSD), pertencentes à ala oposicionista, afirmam que apesar da falta de unidade dentro da base, o trabalho da oposição é realizado da mesma forma com que seria se a base estivesse forte e unida. No entanto, reconhecem que a falta do líder contribui para as derrotas do prefeito. “A falta de articulação do prefeito é reflexo da ausência de um líder na Casa”, afirma Sabrina.

Oséias Varão admite que existe uma incerteza entre os dois poderes, mas disse acreditar que a experiência de Iris Rezende contornará a situação. “As coisas estão meio em suspense, mas a relação vai melhorar. Eu acredito muito nisso”, pensa Varão.

Para ele, o prefeito está preocupado agora com o momento financeiro da capital e isso tem feito com que o legislativo esteja momentaneamente em segundo plano. “Eu acho que o prefeito tem sido consumido pela situação fiscal de Goiânia. A situação é muito ruim. Ele está resolvendo isso primeiro”, acrescenta.

Em meio a tantos achismos, Oseias reforça que ainda não conversou com o prefeito sobre a pauta, entretanto, mas  acredita que a demora na escolha é para preservar o próprio escolhido. “Acho que o prefeito não nomeou ninguém por uma questão de prudência para não desgastar o líder”, justifica.

SITUAÇÃO

Juarez Lopes (PRTB)

“Ele ainda não escolheu porque disse que não é a preocupação dele agora”

O problema, para Iris, é que o prazo está passando e projetos importantes já estão na porta da Casa. Todos foram unânimes em afirmar que Iris Rezende não pode prolongar demais a escolha sob pena de ter projetos importantes para o Paço, caso do IPTU, não aprovados no parlamento.

Talvez para evitar essa pressão – que não seria boa para si, caso estivesse pensando em promover uma reforma administrativa, por exemplo – é que o prefeito tenha afirmado, há duas semanas, que escolherá seu líder até o início do próximo ano. Com isso, teria mais dois meses e meio, talvez três, para indicá-lo. E para pensar sobre a reforma.

A partir disso, a discussão faz uma curva e passa a ser qual seria esse nome. No páreo, já existem alguns nomes que vêm sendo cotados para assumir a articulação entre a Câmara e a prefeitura. Entre os sugeridos, os principais são Welligton Peixoto (PMDB), além dos próprios Juarez Lopes, Paulinho Graus e Oséias Varão.

O nome de Clécio Alves (PMDB) parece ser carta fora do baralho, uma vez que tem atacado a gestão com constância. O detalhe é que ainda é desconhecido o critério de escolha que será estabelecido pelo prefeito.

Embora alguns vereadores ouvidos pela reportagem garantirem que nenhum de seus pares teria interesse em ser o principal articulador do prefeito no legislativo, pois teme ser “queimado” em pouco tempo, os nomes citados acima são ventilados exatamente pela postura que adotam em defesa do ex-governador.

Juarez Lopes, por exemplo, ajudou nas primeiras discussões sobre as alíquotas do IPTU na segunda quinzena de outubro. Ele diz que Iris não está preocupado com isso agora e que, a exemplo do colega Juarez, acredita que os problemas financeiros estão consumindo tempo do prefeito.

Contudo, Juarez admite que a situação é realmente tensa e assim como Welligton Peixoto ele diz que não há uma clareza em relação a quem é base ou não. “A gente não tem esse entendimento ainda. Cada um tem votado com a sua consciência”, confessa. Sobre a tensão entre Paço e Câmara, é taxativo: em casa que falta pão, todo mundo briga. (M.B.)

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