Colégio Goyases tenta ao poucos retomar a realidade

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Escola passará a ser acompanhada por equipe de psicólogos e aos poucos professores e estudantes vão tentar voltar à rotina

Fabiola Rodrigues

 A tragédia que aconteceu no Colégio Goyases deixou marcas profundas a todos do ambiente escolar e da comunidade, o primeiro passo a ser dado pela escola é a busca da reestruturação psicológica dos estudantes, pais, professores e familiares vítimas do atentado. O corpo docente escolar juntamente com os estudantes passará por uma trajetória de acompanhamento com psicólogos em sala de aula.

O colégio se prepara desde a semana passada para enfrentar um novo desafio, resgatar a estabilidade emocional das crianças. O diretor do Colégio Goyases, Luciano Rizzo, diz, ainda com semblante muito abalado, que fará de tudo para que as boas lembranças ao longo dos 24 anos a frente da diretoria sejam resgatadas.

“Conhecemos todos os nossos estudantes, tentamos ao longo do tempo fazer do ambiente escolar a extensão da casa deles. Neste momento a escola receberá um respaldo técnico psicológico dentro de cada turma, mas vamos também colocar à disposição permanente dos pais e alunos orientações com psicólogos”, conta o diretor.

A calamidade na escola chama a atenção para uma realidade vivida entre as famílias. Mesmo que a escola dê o total suporte para o estudante, isso nunca será o suficiente. Os pais precisam e muito estar presente o mais próximo possível da vida do filho. Luciano Rizzo relata que sempre tentou estar perto dos estudantes.

“O vínculo da família do aluno com a escola é fundamental, para que ele seja uma pessoa e estudante melhor. Nós diariamente procuramos ter essa proximidade com as crianças por entender a total importância, mas isso não é o suficiente. Os familiares são os principais responsáveis por diagnosticar possíveis problemas emocionais dos filhos”, diz o diretor.

Sobre a possiblidade do estudante de 14 anos ter sofrido de bullying e ser chamado de ‘fedorento’, não justifica ele matar dois adolescentes e ferir outros quatro. Luciano Rizzo frisa –com olhar tristonho – que essa nunca pode ser a forma de encarar insultos.

“Nem os próprios pais sabiam se o filho estava sendo alvo de preconceito, pelo fato do adolescente não comentar nada. Acredito que a fatalidade tenha outros fatores envolvidos, mas que somente com o tempo serão descobertos”, relata.

O diretor lembra que a escola sempre trabalhou em prol do combate a qualquer tipo de intolerância entre os estudantes, e frisa que os pais devem fazer o mesmo.

“Nossa equipe pedagógica sempre colaborou para que as crianças respeitassem o espaço uma das outras. Conviver com as diferenças é essencial para vida. Na relação familiar isso também deve ser ensinado”, diz Luciano Rizzo.

Os psicólogos que estarão à disposição nos próximos meses no colégio irão juntamente com os professores diagnosticar a evolução de cada estudante.

“Vamos assistir presencialmente juntamente com os psicólogos o retorno das aulas. Estaremos atentos viveremos uma nova fase, até então nunca enfrentada, mas presentes dando força a quem precisa. Essa será nossa principal missão”, diz o diretor.

“Os adolescentes devem sentir-se compreendidos e acolhidos”

A psicóloga Mariana Abbott diz que tragédias como a acontecida no Colégio Goyases deixam cicatrizes profundas nas crianças como em todo o ambiente escolar, mas que podem ser superadas por meio de muita compreensão, atenção e diálogo.

“Estes adolescentes devem sentir-se compreendidos e acolhidos por professores e coordenadores em suas dores e medos. O assunto será recorrente até que a necessidade emocional de falar sobre isso passe, mas enquanto quiserem falar devem ser ouvidos”, diz a psicóloga.

Mariana Abbott lembra que a escola deve dar total atenção aos pais e familiares, e que este precisa ser o maior cuidado neste momento de tristeza.

“O trabalho na escola até o final deste ano letivo deverá ser de reconstrução psicológica e emocional, essa deve ser a prioridade”, observa a psicóloga.

Como os funcionários, pedagogos e professores estão visivelmente abalados à orientação é tratar essas feridas de maneira cautelosa, para que a cada dia, o marco do dia 20 de outubro seja menos doloroso.

“As famílias devem estar atentas a qualquer tipo de mudança de comportamento do filho, isso ajudará ele ter mais segurança nas atitudes diárias e superar os traumas. O mesmo vale para toda coordenação da escola”, diz Mariana Abbott.

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