Desavença no ninho tucano

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Tasso, Alckmin e Perillo: esquenta o clima no ninho tucano

Fagner Pinho

A semana tem sido quente como o clima de Goiânia nos últimos meses dentro da cúpula nacional do PSDB. Quente. A tentativa da apresentação de uma pesquisa encomendada pelo presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), gerou um grave bate-boca entre ele e deputados ligados ao presidente licenciado da sigla, senador Aécio Neves (PSDB-MG), e ao candidato à presidência do partido, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO).

A pesquisa, encomendada junto a simpatizantes do partido por Tasso, mostra que 75% dos brasileiros não acreditam que o próximo presidente será um tucano. Aponta ainda três grandes problemas observados dentro da sigla: o apoio ao governo de Michel Temer (PMDB), a permanência de Aécio Neves (MG) no partido e as brigas internas.

A pesquisa não foi bem recebida pelos deputados Domingos Sávio (MG) e Paulo Abi Ackel (MG), ligados a Aécio. Ambos questionaram a contratação da empresa Ideia Big Data, que teria produzido material contra o partido na eleição estadual mineira em 2014, além de produzir duros ataques contra Aécio e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O encontro esquentou de vez quando o deputado Giuseppe Vecci (PSDB-GO), vice-presidente do partido, e ligado a Marconi, questionou Tasso se o senador seria candidato na disputa interna pela presidência do partido em dezembro. Tasso se esquivou de responder, alegando não se tratar da pauta da reunião, o que foi o estopim, gerando um grande bate-boca e uma quase ida às vias de fato.

Havia a possibilidade de a ala governista boicotar a reunião, mas sua participação demonstrou que aecistas, alckmistas e marconistas partirão para o ataque a Tasso, uma vez que defendem que o senador utiliza o cargo para impor sua tentativa de tirar a sigla da base de apoio de Temer, desequilibrando, assim, uma possível disputa no próximo mês.

Além disso, a celeuma externaria a grande divisão que vem ocorrendo há meses dentro da cúpula nacional do PSDB, e que tem apenas um objetivo em pauta: a presidência da sigla e a consequente força que o novo ocupante do cargo terá na decisão sobre a indicação do nome do partido para as eleições de 2018.

União

Com a disputa entre o goiano e o cearense cada vez mais quente, aumenta-se, pelo menos neste momento, o desafio a ser enfrentado por Marconi dentro da sigla, uma vez que a defesa em torno de seu nome seria pelo grande fato dele ser um bom articulador, capaz de unir de uma vez o hoje esfacelado ninho tucano.

O governador goiano seria o nome de confiança de Alckmin para manter o poder do partido no Centro-Sul do País – leia-se no eixo Goiás, Minas, São Paulo – enquanto que o senador cearense pretende buscar o poder para si e para os chamados ‘cabeças pretas’ do partido, grupo de jovens deputados das regiões Norte, Nordeste.

Mas, ao contrário de Marconi, que defende a preferência por Alckmin para a disputa nacional em 2018, argumentando que há uma ‘fila’ no partido e que ela deve ser respeitada, Tasso propõe a realização de prévias, dando a entender que ele mesmo poderia entrar na disputa. Vale lembrar que o nome do tucano cearense já havia sido cotado em caso de uma eleição indireta, se houvesse renúncia de Temer ou cassação da chapa do peemedebista com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Ao comentar o bate-boca e a quase agressão na Câmara, Tasso afirmou que “o PSDB desses caras não é o meu PSDB”. A frase forte do senador tucano demonstra que a tarefa do goiano, que vai a Brasília nesta quarta-feira (1º) conversar com o senador, não será das mais fáceis, apesar de toda sua experiência em aglutinar, adquirida ao longo de quase quatro mandatos.

Um alento? O governador tem uma base maior do que a do ‘opositor’ dentro da sigla e isso pode ser-lhe favorável.

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