A peste contemporânea

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Jorge Antônio Monteiro de Lima

Jorge de Lima
Jorge Monteiro

No ápice da idade média uma praga se alastrou dizimando boa parte da Europa, Ásia, norte da África. Era a peste bubônica, uma doença transmitida, derivada do problema da falta de saneamento básico, advinda da proliferação dos ratos, transmitida pela picada das pulgas. Uma doença fatal que dizimou aproximadamente um terço da população existente. Os hábitos de higiene neste período histórico eram escassos. Banho, lavar as mãos, higiene pessoal eventos raros… o cantinho da casa era o urinol  e o depositário dos excrementos. O ser humano coabitava com a sujeira naturalmente…

Mais de quatrocentos anos depois, os hábitos de higiene melhoraram um pouquinho, mas ainda convivemos de forma pouco higiênica. Convivemos com a imundice, a escrotidão, a sujeira, que hoje saíram do cantinho da casa e passaram a habitar os espaços públicos, os partidos, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, os meandros da estrutura do poder são, hoje, a alcova.

É tanta sujeira, tanta vergonha, tanto escândalo que torna-se impossível contar qual é mais chocante. E de uma outra forma a corrupção vem destruindo nossa qualidade de vida, fazendo com que subam impostos, dificultando a vida das pessoas, matando, roubando nossa alegria diariamente…

Quantas pessoas não são vitimadas por falta de assistência nas filas dos hospitais públicos. Outro ponto semelhante, na atualidade, é o aumento de políticos fundamentalistas, radicais, como na idade média.

Por que tamanho retrocesso?

A peste de nossa atualidade é a psicose política, um surto, recheada de delírios, megalomania, fantasias, paranoia, agressividade, onipotência e a certeza que o surtado pode estar acima do bem e do mal. Hoje, nosso rato político, que alastra a peste, está totalmente desconectado do povo, discursa para si próprio, delirando frente a um espelho. Vive pleno egoísmo, preocupado com se beneficiar, tirar vantagens para sua empresa, igreja, partido. Não se preocupa com o próprio país em que vive. Preocupa-se apenas consigo próprio.

Este novo quadro psicótico de loucura institucionalizada transformou nosso Supremo Tribunal Federal, Congresso e Senado Federal em genuínos manicômios, no quais é licito destituir valores, ética, para se beneficiar ladrões e corruptos.

Mais impressionante ainda é ver que tais instituições estão pouco preocupadas com a opinião pública evidenciando um cinismo político. Sabemos que está errado, mas vamos fazer assim mesmo!

Os rumos das eleições no próximo ano vão ser pautados pelo conflito deste delírio coletivo com a realidade e opinião pública armada pelas redes sociais. Os ratos da política contra o povo que não aguenta mais pagar impostos e conviver com uma inflação que dobrou o preço de tudo. Com a gasolina chegando a cinco reais. E com um governo dando dinheiro para parlamentares para manter seu poder. Hoje pagamos a conta dos desvios da Petrobras. E onde estão os responsáveis por desviar o dinheiro da estatal?

Mas o maior confronto de 2018 vai ser do eleitor com sua própria consciência, com sua responsabilidade, com o respeito a seu suor e trabalho, confrontando o rato político que delira, que vive em plena suntuosidade, esbanjando viajando em jato particular na mordomia custeada em loucura pelo sacrifício de quem de verdade trabalha. 2018 vai ser o ano do confronto entre a realidade e o delírio…

Entre a loucura e a razão. Quem vencerá?

Jorge Antônio Monteiro de Lima é analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e  mestre em Antropologia Social pela UFG. Site: www.jorgedelima.com.br

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