Armas para ser reconhecido

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Vereadores focam nas redes sociais e na atuação parlamentar para se cacifarem para 2018

Marcione Barreira

Manhã de terça-feira na Câmara Municipal de Goiânia. Dia de sessão. No painel eletrônico começam ser registradas as presenças dos vereadores. Algumas horas depois, entre uma discussão e outra, um deles pede a palavra e inicia um incisivo discurso na tribuna do parlamento.

Ele discorre sobre eleições 2018, faz um discurso agudo de sua postura com relação à prefeitura e pede união de sua legenda para o pleito. Com a voz forte, ele ergue o punho e se expressa para uma plateia de vereadores, convidados e jornalistas e diz que vai andar lado a lado com o candidato do seu partido ao governo do Estado.

Esse relato, que poderia descrever a atuação de diversos vereadores, é o perfil diário de Clécio Alves (PMDB), que já se declarou pré-candidato à Assembleia Legislativa em 2018. Assim como ele, ao menos outros nove vereadores devem seguir o mesmo caminho, buscando alçar voos mais altos no próximo ano. Eles têm tentado, como estratégia, se tornar mais palatáveis e conhecidos tanto em suas atuações no púlpito da Casa, como nas redes sociais.

Tanto é que a maioria esmagadora dos prováveis candidatos elegeu o terreno digital como a principal arma para este momento de fortalecimento do nome de cada um. Fora do ambiente legislativo, as ferramentas digitais são uma forma de chegar próximo do eleitor que não costuma ir à Câmara ou acompanhar o noticiário político.

Com pouco menos de um ano para as próximas eleições, os parlamentares com alguma pretensão para o ano que vem se mobilizam na tentativa de angariar votos. Os prováveis postulantes têm objetivos variados. A maioria deles se apresentam como candidatos a deputado estadual, mas também há aqueles que também apostam alto e pensam em candidaturas ao Senado, como Jorge Kajuru (PRP), à Câmara Federal, no caso de Tatiana Lemos (PCdoB), e até ao governo estadual, como é o caso do Delegado Eduardo Prado (PV).

Redes sociais 

Grande filão de atuação nas eleições de 2014 e 2016 e ferramenta de mobilização social para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), as redes sociais, como o Twitter, o Instagram e o Facebook, têm sido amplamente usados pelos legisladores goianienses. Os instrumentos estão alinhados com os projetos que são apresentados por eles na Câmara e servem como material de divulgação nas redes.

A Câmara apresenta alguns nomes populares nas redes, como o radialista Jorge Kajuru; o Delegado Eduardo Prado e Paulinho Graus, que ainda não se definiu sobre 2018, e que se licenciou do mandato há duas semanas, abrindo espaço para o peemedebista Markim Goiá assumir o mandato.

Eleito pela primeira vez em qualquer disputa, Eduardo Prado (PV) é um dos mais ativos nas redes sociais. Com 54.700 seguidores no Instagram, carrega o estigma conquistado quando ainda atuava na Polícia Civil e faz em média cinco publicações por dia, a maioria delas ligadas à Segurança Pública. Além disso, é comentarista de um programa policial na televisão.

Apontado como o único candidato ao governo estadual dentro do poder legislativo municipal, Prado explica que esta é uma decisão de seu partido. Por ele, o caminho seria outro. “O desejo é de meu partido, para que eu encare uma disputa para governador. Contudo, entendo que o mais viável seria uma candidatura à Assembleia”, revela. A decisão fica mais para frente.

Kajuru é outro nome certo para disputa em 2018 que usa e abusa das redes sociais. Um dos mais influentes políticos do País, ele diz que poderá se lançar a deputado federal, mas o partido vai avaliar a possibilidade de uma disputa ao Senado (leia mais na matéria correlata).

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Atuação

Além das redes sociais, outro filão explorado por alguns postulantes em 2018 é a atuação parlamentar. O foco passa a ser na atuação parlamentar, com grande atuação na oposição e críticas à administração do prefeito Iris Rezende (PMDB). É o que tem feito a oposição, conforme esperado, e até companheiros de partido, como o vereador Clécio Alves, que tem atacado constantemente a gestão.

Trata-se de uma estratégia que também vem sendo utilizada por outros. Dra. Cristina Lopes (PSDB) é nome certo na disputa pela Assembleia no próximo ano e, embora não tenha uma presença tão interativa e forte nas redes sociais, tem uma atuação forte com críticas à saúde na Câmara, assim como outro nome importante da oposição na Casa, o vereador Elias Vaz (PSB).

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Presidente da CEI da Saúde, Vaz atuou com afinco na última semana para derrubar, na CCJ, o veto do prefeito a um projeto de sua iniciativa que impede os aumentos contínuos de IPTU em Goiânia.

Ele afirma esperar que seu trabalho na Câmara seja reconhecido pela população em 2018. “Tenho tentado fazer um trabalho legal na Câmara. O povo é quem tem que decidir se está bom ou ruim”, declara, apesar de não se definir como candidato.

Outros nomes ainda não confirmaram, mas é certo que deverão se candidatar. Um deles é o da vereadora Tatiana Lemos (PCdoB), que, apoiada por sua mãe, a deputada estadual Isaura Lemos (PCdoB), que deverá postular mais uma vez à Câmara dos Deputados. É considerada puxadora de votos. Em 2014 obteve mais de 34 mil.

Vinícius Cirqueira (Pros), que foi um dos mais bem votados na última eleição, também adota o mesmo discurso e afirma que definirá sua candidatura apenas em março.

Já o vereador Andrey Azeredo (PMDB), presidente da Câmara, descarta qualquer possibilidade de candidatura. Homem de confiança de Iris Rezende, Andrey é o primeiro na fila para assumir o lugar do prefeito em caso de sua ausência, uma vez que o vice-prefeito eleito, Major Araújo (PRP), preferiu permanecer na Assembleia.

Kajuru: decisão só em junho

Um dos candidatos mais certos para o ano que vem é Jorge Kajuru. O vereador do PRP vem embalado com duas votações históricas e cofia nos números para se eleger à Câmara ou ao Senado. Em 2014 obteve mais de 106 mil votos, mas não conseguiu ser eleito deputado federal. Em 2016 foi o vereador mais bem votado e conquistou uma cadeira na Câmara Municipal.

Agora, no entanto, o partido enxerga com bons olhos a possibilidade de lançá-lo como candidato a senador. Entretanto, a decisão dependerá de como irão se desenhar as outras composições. O partido avalia que uma disputa ao Senado tendo como adversários Lúcia Vânia (PSB), Wilder Morais (PP), Marconi Perillo (PSDB) ou Vilmar Rocha (PSD) seria tiro pela culatra.

Na avaliação do PRP dá para esperar até junho do ano que vem. Caso haja possibilidade real de ser eleito, o partido lançará Kajuru ao Senado. Agora, caso não seja viável pelo desenho político da ocasião, o radialista tentará novamente a Câmara dos Deputados. Na opinião das lideranças da agremiação, o êxito na eleição para a Câmara é real e daria inclusive para puxar alguns nomes dependendo da votação.

Há colegas torcendo pela segunda opção. O vereador Milton Mercez (PRP), por exemplo, articula uma chapa com mais três vereadores em caso de disputa a uma cadeira na Câmara. Milton tem trabalhado com a possibilidade de trazer para o PRP ao menos dois vereadores para disputar ao lado de Kajuru, o que faria com que o partido tivesse maior representação na Câmara o que seria positivo para o fundo partidário.  (M.B.)

Clécio já desprezou a Assembleia

P 4 e P 5 - foto Câmara

Enquanto muitos vereadores têm como sonho conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa, na história já houve casos de vereadores que foram eleitos para assumir uma cadeira no legislativo estadual, mas que preferiram permanecer com o cargo de vereador da Câmara Municipal de Goiânia.

Um deles é Clécio Alves (PMDB). Vereador por cinco mandatos. Passou por PSD, PT e PMDB, onde está desde 2005. Neste ano, optou pela Câmara  quando foi chamado a suceder Ernesto Roller (PMDB) na Assembleia Legislativa, para onde foi eleito segundo suplente pelo PMDB em 2014.

Ao confirmar que não assumiria uma cadeira na Alego, o ex-presidente da Casa explicou que, tomou a decisão junto a apoiadores de permanecer como representante do Legislativo goianiense. “Consultei parentes e amigos e foi decidido de forma coletiva por todos que eu ficarei quatro anos como vereador de Goiânia”, afirmou o vereador à época. (M.B.)

 

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