Quando tudo está conectado…

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Jorge Antônio Monteiro de Lima

Jorge de Lima
Jorge Monteiro

Como esta sua intuição? Você consegue antecipar e planejar as coisas em sua vida?  Diferencia fantasia de realidade? E a intuição, como temos utilizado nosso instinto, nossa força ancestral e o contato com a natureza?

Tudo esta ligado. O joão-de-barro sabe de qual lado virá a chuva e as tempestades, construindo a porta de entrada de sua casa na direção oposta à da chuva… Prudência e temperança. Capacidade de prever, se antecipar, agir bem antes de as coisas acontecerem.

Nós, humanos, não utilizamos direito a nossa intuição e, por arrogância e onipotência, fazemos o oposto, querendo habitar na confusão, na intolerância, na maledicência. Trazemos a chuva, as tempestades para nosso lar, convívio, vida afetiva… para depois viver de reclamar.

O prazer de estragar tudo e se fazer de vítima. Desafiamos o bom senso, a natureza, os sinais e avisos…

Enquanto não somos expulsos do paraíso, não sossegamos…

Gosto de observar a natureza, insetos, pássaros seus hábitos, quase sempre me questiono o que com eles posso aprender, contemplando-os. O joão-de-barro, este pássaro fantástico, me ensinou muito sobre a conexão das coisas, do quanto tudo está ligado e do quanto nós, humanos, estamos distantes das percepções subliminares, das pequenas coisas.

A neurose constituída com o advento da era industrial, mobilizada por toda era moderna e pós moderna, cerceou nossa existência, nos distanciando do convívio com a natureza e com a nossa natureza interior. O que era um hábito – o uso da intuição que empregávamos para caçar, pescar, sobreviver como nômades – hoje é imperceptível, ignorado, mistificado por que trata se de um evento qualitativo comum, mas que muitas pessoas ignoram.

Em minha prática profissional, como analista e psicólogo clínico, observo em vários pacientes o relato de situações que foram percebidas, que poderiam ser evitadas, mas que por atitudes, falta de atenção, culminaram em problemas graves.

Há pouco tempo, uma paciente sentiu indicativos que sua sócia a estava roubando. Foram sonhos, impressões, evidências subliminares que, mesmo chamando sua atenção, a paciente resolveu ignorar. O resultado desta mazela consigo própria foi uma dívida de mais de 100 mil reais em seu nome.

Outro paciente que atendi, por mais de seis meses, da mesma forma, foi avisado por seus sonhos, pelas impressões, até pela fala de transeuntes desconhecidos, que sua noiva iria aprontar e terminaria o seu noivado. Da mesma forma, o paciente fez questão de ignorar os avisos da vida, os relegando às suas fantasias. Foi pego de surpresa com o fim do relacionamento.

Interessante neste último caso foi que, assim que recebeu a notícia do fim, esse paciente lembrou de todos os fatos, sonhos, que já lhe chamavam a atenção, reconhecendo-os como sua intuição, avisos da vida sobre o problema eminente.

A intuição é uma maravilhosa forma de exercício de amor próprio. Uma habilidade que pode ser ampliada, treinada, despertada com a ampliação da consciência. O contato com a natureza é eficaz neste processo, na arte da contemplação. Muitos males que vivenciamos poderiam ser evitados se levássemos a vida mais a sério, se ouvíssemos nossa natureza, esta sabedoria ancestral que está dentro de nós.

Leia mais artigos de Jorge: A peste contemporânea

Jorge Antônio Monteiro de Lima é analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo clínico, músico e  mestre em Antropologia Social pela UFG. Site: www.jorgedelima.com.br

 

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