“Não temos dinheiro, então temos que ter ideias”, Fred Paiva – Prefeito de Rialma

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Prestes a completar seu primeiro ano à frente da Prefeitura de Rialma, o prefeito Fred Vidigal (PTB) fala sobre as dificuldades de se gerir uma prefeitura do interior nos dias atuais

ENTREVISTA FRED VIDIGAL

Daniela Martins, Fabiola Rodrigues, Fabrício Arruda e Vassil Oliveira

Prestes a completar seu primeiro ano à frente da Prefeitura de Rialma, o prefeito Fred Vidigal (PTB) fala sobre as dificuldades de se gerir uma prefeitura do interior nos dias atuais. Ele destaca que, com a falta de dinheiro, precisa ter criatividade. Por isso, comemora as parcerias público-privadas que tem feito com que sua administração venha sendo reconhecida pela população. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, o prefeito fala ainda sobre política, segurança pública, educação e, claro, Eleições 2018.

 Tribuna do Planalto – Como os municípios estão sobrevivendo em tempos de crise?

Fred Vidigal – Os municípios estão em uma situação administrativa de total abando. O município é bom para fazer volume nos eventos e participar dos encontros políticos, mas na hora de investir neles, não há o retorno devido. Os municípios estão desamparados. Quando não se tem dinheiro, precisa ter ideia. E, realmente, a situação financeira dos municípios é uma calamidade. Não temos um repasse de Fundo de Participação digno para manter a estrutura municipal. Esqueceram que os municípios, ao longo do tempo, se deterioraram. A infraestrutura é podre, a saúde e educação são precárias e o repasse, que é o Fundo de Participação, para municípios pequenos, como Rialma, é crítico. Não temos dinheiro, então temos que ter ideias.

Quais foram as ideias praticadas pelo senhor?

Uma das ideias que tive foi trazer a comunidade para junto da administração. Assim que assumi o mandato, comecei os mutirões. Em 15 dias, tiramos 303 caminhões de lixo da cidade. Os empresários deram total apoio, fomos todos para a rua e fizemos a limpeza. Hoje um caminhão de lixo coletor para Rialma é um sonho distante. Essa é a situação real. O dinheiro que cai na conta da prefeitura é uma quirela, quando se compara às necessidades atuais da região. Temos pouco dinheiro para muita demanda. O repasse de verba que vai para Rialma deve ser a realidade de 90% dos municípios goianos. É um valor que não supre. Outra coisa que precisa ser falada é sobre as heranças malditas. Dívidas de outras gestões que caem para atual.

O choro é real.

O choro é real. O Governo Federal nos ajuda por meio de vias parlamentares. Temos uma representação muito importante junto ao governo Federal, questão nossos deputados federais. Rialma tem um parceiro, que é o deputado Jovair Arantes, e também o governo do Estado, que nos ajudou com o programa Goiás na Frente. A ajuda do Governo Federal tem sido nossa salvação, só que é um dinheiro que você não consegue utilizar para manutenção ou custeio. É dinheiro para obra. Hoje os maiores problemas da administração são custeio e investimento. Porque o custeio cresce muito em valores por não haver investimentos. Tudo vai se tornando cada vez mais precário. Tenho um perfil muito tranquilo de administrar, mas temos que ser realistas, nossa realidade é sofrida.

Como o sr. observa o panorama para 2018?

Sou base aliada e acredito no vice-governador José Eliton como pré-candidato. É uma pessoa íntegra, que vejo com bons olhos. Mas também acredito em bons nomes que estão surgindo. Tem muita coisa para acontecer neste processo político ainda. Porém, como base aliada, temos uma fidelidade que não muda. Jamais deixaria de lutar por alguém que está ajudando meu município. Acredito nele pela questão municipalista. José Eliton é um pré-candidato municipalista. É um candidato que visita o município e o acolhe.

A classe política tem sofrido uma pressão muito grande da sociedade?

Hoje nós, políticos, estamos sofrendo discriminação. Mas quando vamos ao encontro da população, quando somos o prefeito do povo, que visita as obras, que está junto à comunidade, conseguimos driblar a situação crítica. O verdadeiro político tem que aceitar a situação política vivida e, principalmente, tem de enfrentá-la.

Como o sr. tem tratado a questão do bullying e da violência nas escolas municipais?

A educação atualmente está ligada diretamente com a segurança pública. Estamos dando oportunidade aos nossos professores de realizarem treinamentos. Quando o professor está estudando, ele desenvolve o lado psicológico e aprende a lidar com os conflitos emocionais dos estudantes. A interação entre professores, pais e a comunidade facilita o diagnóstico de possíveis comportamentos diferentes do adolescente. Depois das tragédias acontecidas em escolas no Estado de Goiás, nós estamos implantando sistema de monitoramento reforçado no ambiente escolar. Estamos trabalhando no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) com atendimento psicológico a quem precisa. Estamos investindo lá na base educacional, com apoios de psicólogos na escola também. Quando conseguimos trabalhar com práticas preventivas, temos maiores resultados e muito menores índices de tragédias. A saúde que temos é falida. Falo isso de peito aberto.

Como sua administração se posicionará no pleito do próximo ano?

Acredito que o prefeito será um dos mais importantes cabos eleitorais. Estaremos com a imagem boa, pela forma transparente com que administramos. Mostramos para a comunidade os problemas sem fugir da nossa responsabilidade. Acredito que o prefeito é um bom cabo eleitoral quando está presente na comunidade.

Rialma sofreu com a crise hídrica que assolou o Estado?

Na nossa região temos o rio das Almas. A captação de água para os municípios de Rialma e Ceres é feita nesse rio. Passamos por um problema hídrico por conta da baixa no nível de água do rio das Almas, mas foi uma questão pontual. Então, não enfrentamos a falta de água como em Goiânia. Não tivemos esse problema. A cidade enfrenta prejuízo pela não duplicação da BR-153? Enfrenta. O prejuízo é enorme e não é somente comercial. Com a não duplicação da rodovia, temos um prejuízo econômico muito grande, mas há, principalmente, riscos e perigos com acidentes porque não temos acostamento adequado. Essa questão da duplicação é uma promessa antiga. Como prefeito, eu já perdi a esperança. Temos que ser muito realistas. Com a duplicação da BR-153 tenho certeza que Rialma será um grande celeiro do comércio.

Apesar de ser uma responsabilidade do Estado, como a prefeitura tem trabalhado para melhorar a situação da segurança pública na cidade?

Quando assumimos enfrentamos um problema sério. As praças da cidade estavam malcuidadas, tomadas pelo mato. Sem podas, as árvores serviam de esconderijo para bandidos, que aguardavam uma oportunidade para roubar os transeuntes. No início do meu mandato, fizemos uma poda geral, troca de lâmpadas e disponibilizamos banco de horas para a Polícia Militar. Apesar de a segurança pública ser um dever do Estado, a prefeitura tem mantido um convênio com o governo. Atualmente o aluguel do prédio onde a PM está instalada é pago pela prefeitura, bem como o custeio de boa parte do material utilizado dentro do imóvel.

Quais foram outras melhorias?

Parcerias público-privadas é o que tem nos ajudado na administração. O cemitério de Rialma, por exemplo, era uma calamidade, sem luz. As pessoas enterravam os entes queridos com lanterna, farol de carro. Iluminamos o ambiente por meio de parceria. Disposição para trabalhar, nós temos muita. Só falta verba para executar os inúmeros planos. Neste Natal, vamos fazer um movimento muito bom e tudo com ajuda das empresas privadas. É a saída que encontramos.

Como é o trabalho com o Ministério Público em sua cidade?

O Ministério Público é um parceiro constante e é importante para nós. Ele participa de diversas ações e ajuda em questões financeiras também. É uma cooperação mútua.

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