Sem chuvas, temporada da jaboticaba termina mais cedo

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Tem cheiro e gosto de infância. A casca grossa, de cor preta roxeada esconde bem o doce sabor da frutinha que já virou prato salgado, sobremesa, licor, cachaça, vinho e até música. A jabuticaba movimenta a economia, é atração turística, ponto de encontro e fonte de saúde. Neste mês de novembro, as jabuticabeiras remanescentes das floradas de setembro fecham a temporada e descansam, sem pressa, até a primavera do ano que vem.

O município de Hidrolândia, conhecido como a terra da jabuticaba, abriga mais de 50 propriedades que cultivam a fruta em escala comercial, segundo a Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater). A estimativa da agência é de que a temporada no município feche com uma produção bem inferior à do ano passado, que foi de 1,9 mil toneladas.

A justificativa vem do céu. Aliás, não veio. “A falta de chuva castigou muito os produtores este ano, já que a estiagem interfere na florada. Quem usou o sistema de irrigação antecipou a temporada e conseguiu frutos melhores, maiores e mais doces. Já aqueles que dependem das chuvas, encerrarão novembro com prejuízos”, explica o engenheiro agrônomo da Emater, Geovane de Carvalho Ferreira.

A técnica de irrigação garantiu, de setembro a novembro, os pés carregados no maior jabuticabal do Brasil e do mundo, localizado no distrito de Nova Fátima, em Hidrolândia, com 42 mil jabuticabeiras plantadas em uma área de 120 hectares.

Segundo o engenheiro agrônomo e responsável pelo manejo do pomar da Fazenda Jabuticabal, Paulo Antônio Batista, a estiagem não interferiu na produção das jabuticabas, que deve fechar este ano com 150 toneladas. A safra da fazenda segue até o dia 15 de novembro e, após o período de visitas, as frutas são transformadas em produtos como licor, vinho, doce, geleia, entre outros.

Já na fazenda de Elvécio Henrique Dorneles, que tem 200 jabuticabeiras, a falta de chuva prejudicou a safra deste ano. Ele ainda não quantificou a produção desta temporada, mas afirma que o prejuízo deve ser pequeno. “Fazemos o turismo rural e a venda por quilo. O pomar não ficou cheio como nos anos anteriores, mas como minha atividade principal não é a jabuticaba, a produção menor não vai gerar tanto impacto nas contas”, ressalta o produtor, que também trabalha com o gado leiteiro.

Produtora de jabuticaba há mais de 25 anos, Yara Borges Rezende está com a produção de 2 mil pés e iniciando o replantio de outros mil. O pomar também está sendo castigado pelo sumiço de São Pedro. “Mesmo com a nossa irrigação, algumas frutas não ficaram grandes e cheias por causa do tempo quente e seco. Estávamos com a expectativa de ter frutas até o final de novembro, mas a falta de chuva vai encerrar a temporada bem antes”, lamenta. (Sistema Faeg Senar Goiás)

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