ENTREVISTA – Denício Trindade – “Deixar a Ceasa em dezembro para concorrer em 2018 é um empecilho”

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Daniela Martins
e Fagner Pinho

O presidente das Centrais de Abastecimento do Estado de Goiás (Ceasa), Denício Trindade (SDD), não está certo se irá se lançar à disputa para uma cadeira na Assembleia Legislativa no próximo ano. Vereador suplente por Goiânia e, até pouco tempo, muito ligado ao PMDB, partido pelo qual teve três mandatos à frente da Câmara Municipal, Denício explica que a imposição de deputados estaduais sobre o governo, exigindo que os auxiliares que forem disputar uma vaga de deputado estadual no próximo ano se desincompatibilizassem de suas pastas, fez com que ele não definisse, ainda, se sairá candidato. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, Denício Trindade fala sobre o trabalho à frente da empresa e também sobre sua saída do PMDB e filiação ao Solidariedade.

 

Tribuna do Planalto –  Que avaliação o Senhor faz desse período em que está à frente da Ceasa?

Denício Trindade – Uma avaliação positiva. É difícil fazer uma análise do nosso próprio trabalho. Mas acredito que, nesses oito meses à frente da Ceasa, já conseguimos ter uma eficiência na gestão. Conseguimos reduzir gastos com medidas simples, que deram resultados. Isso demonstra um comprometimento de toda a equipe da Ceasa com a administração. Ao contrário do que muitos pensam, temos aqui um quadro reduzido. A Ceasa tem 24 funcionários efetivos, sete comissionados e 23 estagiários. Bem enxuto.

O sr. já teve experiência na gestão da CMTC, Agel, Puama, Habitação, Imas e agora na Ceasa. Qual a diferença da gestão municipal para a estadual?

Os segmentos são diferentes, mas a responsabilidade é a mesma. Você tem de buscar os melhores caminhos para ter melhor eficiência e transformar o pouco que tem em muito. A demanda é muito grande e na Ceasa não é diferente. Temos uma movimentação diária de 15 mil pessoas por aqui. Temos problemas de segurança, limpeza, mobilidade, então temos que buscar administrar com eficiência.

A questão do lixo está em pauta na Capital. Hoje, a Ceasa gera 30 toneladas diárias de resíduos. Como resolver o problema dessa grande geração de lixo?

Estamos em fase de implantação do tratamento desse lixo, que na verdade não é lixo, é dinheiro. Cerca de 90% desse resíduo é orgânico. Vamos transformá-lo em adubo e isso vai gerar uma economia. A implantação será escalonada, mas, dentro de três anos, deve estar finalizada. Hoje, pagamos 35 mil, 40 mil reais mensais ao aterro sanitário. Já chegamos a pagar até 110 mil reais num mês. Vamos fazer essa economia.

Qual é a previsão para a implantação desse sistema?

Já elaboramos toda a campanha, os equipamentos todos já chegaram e estão sendo montado. Dentro dos próximos 30 dias iniciaremos a implantação.

Quais outros projetos o sr. implantará na Ceasa?

A construção do Banco de Alimentos e a ampliação da rede. Estamos prestes a inaugurar um galpão novo, que é o GP 10 e isso irá refletir no rateio para os persmissionários. Estamos em fase de construção de um CMEI, que será conveniado com a prefeitura, e irá atender a região.

Como o sr. acompanhou essa tentativa de taxação sobre a coleta de lixo nos condomínios?

O propósito de tudo isso era o de educar e não o de arrecadar. Porque lixo é dinheiro. Era fazer com que houvesse o reaproveito desse lixo. Acompanhei esse projeto quando estive na Câmara, apesar de estar licenciado. Entendi a lei dessa forma.

O tema deveria ter sido melhor debatido?

Sim. A sociedade não pode pagar o pato, mas, agora, a tendência é a criação de uma taxa de lixo para todos. Essa taxa seria injusta. A sociedade já paga taxa demais.

Iris errou nesse ponto?

Faltou, por parte dele, ter discutido e se aprofundado mais com relação à discussão desse projeto.

O sr. sempre foi muito ligado a Iris. Depois da saída do PMDB, restou alguma mágoa do partido, do próprio Iris ou de colegas?

Viramos a página dos momentos ruins da vida da gente. É vida que segue. Não sou de ficar remoendo, nem nada. Contribuí com o partido nesses vários anos em que estive lá. E não tem mágoa. Temos que separar a política das pessoas. Iris é um grande líder, mas quero continuar construindo minha história.

Por que o sr. resolveu continuar na administração do prefeito Paulo Garcia (PT) quando o PMDB deixou o governo?

Na época, pediram para que eu fizesse oposição ao prefeito. Achei que não deveria. O deputado Bruno Peixoto (PMDB) disse que teria vaga na convenção apenas quem fizesse a condição de opositor à administração. Não me senti confortável em dar minha palavra. Se eu tivesse dado minha palavra, cumpriria. Da forma como foi imposto, achei que não deveria. Até porque quem elegeu o ex-prefeito foi o próprio PMDB. Fui muito bem recebido quando vim para o governo. Minha postura nunca foi radical com ninguém.

Mas custou a sua reeleição.

É aquele negócio… Tivemos votação, foram 5.157 votos. Foram eleitos 19 vereadores com menos votos que eu. Alguém tem que perder. Mas acho que tem que ter consciência. Tem que virar a página.

O sr. não se arrependeu de ter ido para o Solidariedade?

Não. Arrepender, não. Você precisa entender a vontade de Deus.

E seu eleitorado, entendeu a mudança?

Essa situação me serviu como termômetro. Esses 5.157 votos vieram pelo trabalho do Denício mesmo, e não do partido.

A gestão de Iris não deslanchou?

Ele tem o mesmo problema da gestão do Paulo Garcia. Tem a crise institucional, o município arrecadando pouco. É o momento do País. Os estados e os municípios estão em crise.

A falta de relação com o legislativo atrapalha?

Com certeza. O executivo tem que ter uma relação com o legislativo. Não ter um líder na Câmara é uma situação inusitada. É a primeira vez que acontece isso. Tem que ter essa interlocução. A Câmara tem 35 vereadores e cada um tem um pensamento. Tem que existir um interlocutor. A prova disso é o resultado de muitas votações que ele [o executivo] está perdendo.

O fato de alguns vereadores do próprio partido do prefeito atacarem a gestão municipal, a exemplo do vereador Clécio Alves (PMDB), surpreende o sr.?

Isso é próprio do vereador. Não me surpreende, não. Mas acredito que não deveria ser assim. Porque, a partir do momento que você tem o compromisso partidário, é preciso honrá-lo.

A situação entre Iris e seus auxiliares está tão ruim assim quanto parece?

Um e outro que às vezes a gente encontra diz que o clima está ruim. Teria que ter uma aproximação maior. O Temer [presidente Michel Temer], por exemplo, não foi processado porque teve apoio da Câmara [dos Deputados].

O sr. acredita que, em 2018, José Eliton (PSDB) tem condições de se reeleger?

O trabalho que Marconi Perillo (PSDB) tem feito está se refletindo positivamente. Esse programa do governo que está atendendo todos os prefeitos será um divisor de águas. Tem refletido positivamente no governo. Da maneira como José Eliton está fazendo, sem preguiça, vai ser positivo para ele.

Acredita que José Eliton vai conseguir unir a base?

Consegue. As pessoas vão entender que o projeto para o governo é muito maior [que projetos individuais].

O sr. acredita que Lúcia Vânia (PSB) abre mão de se candidatar?

Sim, até porque já teve uma reaproximação.

E Vilmar Rocha (PSD), abriria mão de disputar o Senado também?

Acho que abre. Neste momento, pleitear faz parte do processo. Na hora H, todo mundo vai se organizar.

Hoje as pesquisas apontam Ronaldo Caiado (DEM) com uma margem grande à frente de Daniel Vilela (PMDB) e José Eliton (PSDB). Por que ele tem essa distância tão grande dos outros mesmo sem capilaridade dentro do Estado?

Em função do discurso dele. Em razão dessa crise que o Brasil vive. Caiado fala aquilo que o povo quer escutar. Mas a gente não pode votar só naquilo que se fala. O Ronaldo não tem grupo político, força partidária e, no momento eleitoral, ele com certeza vai cair.

Ele não vai conseguir unir a oposição?

Não acredito que ele vá conseguir unir.

Então a oposição vai sair com duas candidaturas?

Com certeza. Ele e o Daniel vão sair candidatos.

Como fica a ala do PMDB que apóia o senador Ronaldo Caiado?

Na hora H eles voltam atrás.

O Solidariedade permanece nessa na base do governo?

Sim. O Armando Vergílio (SDD), presidente do partido, já foi da base, esteve fora por um período, sendo vice de Iris na última eleição, mas acredito que ele permaneça.

A intenção do partido é lançar quantos candidatos a deputado federal?

Acredito que queira fazer uma chapa completa. Mas como é uma chapa mais difícil de ser formada, acredito que SDD acabará se coligando com alguns partidos.

Ficaria com a candidatura do Lucas Vergílio (SDD) à reeleição e coligaria com outros partidos.

Vão ter outros candidatos. Mas com certeza…

Para estadual iria com chapa pura?

A tendência é essa.

A chapa de estadual teria quantos candidatos?

O problema, não só nosso como de todos os partidos, é completar a faixa de 30% de mulheres. Isso tem que ser cumprido.

O sr. sai candidato a deputado estadual?

Tudo vai depender do partido. Vamos ter uma conversa com o governador Marconi. Acho que isso vai depender do momento.

Quais são os empecilhos?

Não tem nada de concreto ainda. Hoje, nosso foco é a Ceasa.

Com a conversa de que os secretários das autarquias e secretarias teriam que deixar o governo agora no final do ano, nesse caso acelera também essa decisão por parte do sr.?

Deixar o comando da Ceasa no final de dezembro é um dos impedimentos para que eu lance minha pré-candidatura a deputado. Há alguns projetos que estão em andamento e eu preferia dar seguimento a eles. Deixar minha marca.

A definição ficaria para março?

Isso.

Dentro das coligações, o sr. faria dobradinha com um candidato do seu partido?

Sim. Até porque sou muito partidário. Trabalharia diretamente com o projeto do grupo.

 

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