Goianos no poder

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Cerimônia de Posse do Ministro das Cidades, Alexandre Baldy. Foto: Alan Santos/PR

Marcione Barreira

Ao tomar posse como novo Ministro das Cidades na última semana, o agora deputado federal licenciado Alexandre Baldy (sem partido) escreveu seu nome na história como um dos goianos que tiveram a responsabilidade de comandar uma pasta de alto escalão do governo do Brasil.

Com isso, Goiás tem agora, pela primeira vez, o comando de dois ministérios ao mesmo tempo, uma vez que Henrique Meirelles (PSD) já liderava, desde a chegada do presidente Michel Temer (PMDB) ao poder, o Ministério da Fazenda.

Com ambos, Goiás soma agora 13 nomes que tiveram o status de ministro, desde a Proclamação da República, em 1889. Quem iniciou essa trajetória foi o goiano José Leopoldo de Bulhões que, num dos primeiros governos do século XX (1902/1906),  assumiu a pasta da Fazenda, a mesma comandada por Meirelles, com as características centenárias que as separam.

O que pareceu ser um início promissor na história política do Estado no início do século passado, na verdade não se confirmou. Depois de ter tido Leopoldo, Goiás passou por um hiato de 55 anos fora do poder nacional, voltando a ter outro ministro somente quando Alfredo Nasser comandou o Ministério da Justiça, entre 1961 e 1962.

Influência irista

O período de Alfredo Nasser precedeu ao da Ditadura Militar, fase em que nenhum goiano esteve à frente de pastas importantes. Voltou a ter em 1985 com Flávio Peixoto, pai do hoje deputado Thiago Peixoto (PSD), que dirigiu o Ministério do Meio Ambiente e Integração Nacional até 1986. A partir daí, iniciava-se o período de influência do então governador e hoje prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB).
Iris seria o responsável pelos próximos ministros goianos que assumissem pastas em Brasília. Além de Peixoto, o próprio Iris também assumiria um ministério na década de 1980, quando comandou a pasta da Agricultura, durante o governo de José Sarney (PMDB), no final da década.

Após, já na década de 1990, Iris continuou com sua influência, indicando mais nomes para ministérios, como Henrique Santillo, Ovídio de Angelis, Iram Saraiva e Lázaro Barboza (detalhes no quadro), nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Iris ainda voltaria a comandar um ministério, o da Justiça, entre 1997/1998.
A partir daí, durante os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), os goianos se distanciaram de pastas. Uma consequência da pouca influência que as lideranças do partido em Goiás exerciam, à época, no PT em âmbito nacional.

As situações mais próximas de goianos no poder foram com o próprio Henrique Meirelles, que no início do século havia se elegido como deputado federal, mas sequer chegou a assumir uma cadeira, pois foi convidado por Lula para assumir o comando do Banco Central do Brasil.

Currículos próprios

Presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

No governo de Michel Temer os goianos voltaram a ter cargos em ministérios, mas boa parte deles conquistados mais por suas credenciais do que por indicações, principalmente Henrique Meirelles, que já foi presidente do Bank of Boston antes de assumir o Banco Central e, agora, a Fazenda.

Alexandre Baldy, por sua vez, se aproveitou de sua influência dentro do círculo do poder em Brasília para alçar voos mais altos. Isso, aliado à indicação, claro, do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), fez com que ele chegasse onde está.

Baldy sempre esteve próximo de ambos, bem como do presidente Michel Temer. Um dos momentos públicos que demonstrou tal proximidade foi quando ele promoveu jantar em sua residência em Brasília numa sexta-feira, 9 de junho. Na comemoração, que publicamente ficou conhecida como sendo para celebrar o aniversário de Rodrigo Maia, compareceram Michel Temer, Marconi Perillo (PSDB) e outros importantes nomes do governo à época.
Naquela ocasião, Temer acabara de ser absolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficou claro que o jantar ia além dos 47 anos de Maia.

Certamente, ali, Baldy não imaginava assumir um ministério em tão pouco tempo, mas entre 513 deputados ter sido o provedor do jantar que reuniu o núcleo do poder no Congresso Nacional contou pontos a favor do deputado.
A boa relação com o executivo federal tornou-se visível quando o deputado goiano fez parte do bloco de parlamentares que pediram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a JBS. O caso dos irmãos Joesley quase pateou com o governo de Michel Temer.

A costura entre os partidos do chamada centrão, bloco do qual faz parte PP, PSD e PR ajudou Alexandre Baldy. Esse grupo de partidos pedem mais espaço no governo de Temer. Com isso, o centrão ajudaria nas articulações para aprovar a reforma da Previdência que está pronta para ser votada desde o primeiro semestre.

A flexibilidade de Baldy ajudou na hora da definição do seu nome para a pasta. O deputado não titubeou à exigência de ter que mudar de agremiação e fazer parte de um dos partidos que compõem o centrão. Nesse caso, o PP foi o partido escolhido pelo deputado goiano que é próximo de Ciro Nogueira, presidente nacional da legenda.

Com a iminente troca, essa será a terceira legenda de Baldy em três anos como deputado. O anapolino foi eleito deputado federal pelo PSDB em 2014 e em 2016 migrou-se para o PTN, partido que esse ano passou a se chamar Podemos. Agora deve se filiar (até o fechamento da edição estava sem partido) ao PP nos próximos dias.

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