Maior adversário de Zé Eliton e Daniel Vilela é o ‘fogo amigo’

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Enquanto Ronaldo Caiado cuida da saúde, Daniel Vilela e Zé Eliton polarizam disputa em Goiás

Vassil Oliveira
Enquanto Ronaldo Caiado (DEM) estava se movimentando em ritmo acelerado como candidato a governador, o atual vice, José Eliton (PSDB), buscava com ele uma polarização que, apesar de todo o esforço, não encontrava reciprocidade. Caiado evitava o embate direto com Eliton. Procurava confronto direto com outro alvo, o governador tucano Marconi Perillo.

Marconi retrucava, mas por meio de assessores, para não dar palanque ao senador. Ou via Eliton, que falava em vão. Quem sobrava nessa conta de debates políticos expostos na mídia era o pré-candidato a governador pelo PMDB, Daniel Vilela. Daniel nem apertava o discurso de oposição contra Marconi ou Eliton, nem apresentava uma alternativa para entrar no radar do eleitor, em substituição a Caiado.

Com o acidente de Caiado há cerca de um mês em sua fazenda, que o colocou em repouso e mantém sua campanha em câmara lenta, as estratégias ganharam ajustes. Daniel parece ter visto na ausência temporária do senador nos palanques uma oportunidade para se impor no jogo, e apertou o pé. Um dos efeitos claros na mudança de estratégia está a busca, agora de forma objetiva, da polarização com o vice, Zé Eliton.

Foi o que aconteceu quando ele criticou de forma veemente um possível favorecimento do governo ao vice, ao asfaltar uma estrada próxima à sua fazenda. Incomodou, marcando pontos no que se refere a chamar a atenção. Com esse novo posicionamento, Daniel almeja um passo à frente em sua candidatura: firmar-se como contraponto ao governo, ou seja, como ‘o’ candidato da oposição. Hoje, essa referência está mais ligada a Caiado do que a ele.

Na quinta-feira, 30, Daniel andou com sua estratégia. Aproveitou o que viu como oportunidade e voltou a bater no governo, com veemência. “Imagine você ficar dez meses sem receber seu salário, completamente endividado, e quando o vencimento sai, a empresa resolve promover uma festa para falar que está investindo nos colaboradores. É o que o governo do Estado está fazendo hoje com os municípios goianos”, afirmou.

Ele fazia referência ao barulho que o governo fez no anúncio da quitação de R$ 100 milhões de recursos da Saúde às prefeituras. Para Daniel, puro “deboche”. “Tratar pagamento de dívida atrasada como investimento é debochar da cara dos goianos. As prefeituras tiveram que tirar recursos de outras áreas para pagar as equipes do PSF e outros custos, e agora recebem um valor que não poderá ser usado para cobrir o desfalque das outras áreas, pois são verbas carimbadas”, disse.

Dois dias antes, Zé Eliton já tinha reagido ao discurso oposicionista que Daniel tenta capitalizar mais que Caiado. Mas sem passar recibo de polarização com um ou outro. “Quem faz política para ofender não tem o que mostrar”, disse ele, sem citar nome, mandando recado geral. Frase amena, comparada às de outros tempos em que torpedos mais duros eram atirados abertamente a Caiado. “Nossas ações continuarão sendo pautadas pela solidariedade e respeito ao cidadão”, completou, no mesmo estilo entenda quem quiser.

A Eliton, a polarização neste momento com Daniel não é a prioridade, como era estabelecer-se contra Caiado, que, além de candidato mais temido pelos governistas, liderava (e lidera) as pesquisas. Também não é prática dele ou de Marconi Perillo deixar ataques, contra-ataques ou provocações mínimas de adversários sem resposta.

Marconi, a história mostra, sempre adota o bateu, levou, ainda que a reação não parta dele, e sim de um aliado. Eliton, também, com a diferença de que ele próprio entra na briga, como parte de um plano eleitoral. O ‘novo’ Daniel na praça, idem. Caiado, nem se fala. Emocionante.

 

Plano de governo em confronto

Daniel Vilela e José Eliton têm algo em comum: ambos sofrem com o fogo amigo. Daniel é colocado em xeque pelo fraco desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Para desmerecê-lo, o discurso recorrente é alardear o bom desempenho de Ronaldo Caiado, ou apontar seu pai, o ex-governador Maguito Vilela, como nome com maior força eleitoral. Zé Eliton enfrenta processo igual, com a recorrente menção a um suposto ‘plano b’ na base aliada em razão de sua igualmente fragilidade nas pesquisas (leia mais, sobre o vice, nas páginas 4 e 5).

Enquanto os aliados não tão aliados assim tripudiam, os dois seguem com seus projetos. É onde entra a estratégica polarização, buscada por um, não descartada pelo outro, funciona como música. Como se ação casada. Ação casada, ainda que não combinada, ambos mostram também dando corda a outra movimentação típica de marketing de campanha, este mês: a ênfase na elaboração antecipada de um plano de governo. Uma forma subliminar de dizer que estão pensando em algo maior que a refrega na rinha dos palanques.

“Nossa aliança precisa apresentar um projeto convincente e factível. O cidadão sabe se o que está sendo prometido é possível de ser realizado ou não. Estamos fazendo um diagnóstico do que é necessário no Estado. Já identificamos a necessidade de remodelar os programas sociais. A rede de proteção social está falha. É preciso também uma gestão mais eficiente, que otimize os recursos públicos e entregue melhores serviços para a população”, argumentou Daniel à Rádio 730 dia 10.

Segundo sua assessoria, o peemedebista aposta no uso inteligente de tecnologia para aprimorar a gestão estadual e direcionar melhor os recursos para atendimento da população, a seu ver, a verdadeira razão de ser do Estado. As informações levantadas no diagnóstico em curso, insiste a assessoria, serão a base do plano de governo a ser apresentado no ano que vem.

Dia 27, durante encontro de seu grupo de trabalho para o plano de governo, Zé Eliton explicou as bases de sua ação: estabelecer uma visão convergente da administração do Estado com os anseios da sociedade, representados dentro de um projeto de governo. “Assim, são apresentados pontos fundamentais dentro da programação do governo, para que continuemos na trilha do crescimento e desenvolvimento econômico, mas com justiça social, para que o estado se traduza no que todos nós queremos”, disse.

Para o vice, os pilares de seu possível segundo governo (ele será governador em 2018 por nove meses) devem ser fundamentados em investimentos em inovação, tecnologia, formação do saber e conhecimento, tudo isso casado a um plano de geração de empregos. “Precisamos construir uma agenda relevante para os goianos, com projetos exequíveis e reais.”

Mais um casamento não combinado: no plano de governo, Eliton e Daniel estão focados em tecnologia, social e conceitos abrangentes de modernidade. Nessa história, quem sobra neste momento é quem estava mais ativo até outro dia: Ronaldo Caiado.

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