Para onde, esquerda goiana?

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Impulsionado principalmente pelo PT, a discussão em torno do movimento que busca unidade das esquerdas para a disputa das eleições do próximo ano tem crescido em Goiás. Seguindo uma tendência nacional, que tem o próprio PT, PCdoB, PDT e PSB como protagonistas, as lideranças dessas legendas procuram se amarrar visando fortalecimento do movimento.

Porém, se em Brasília a união já está alinhavada impulsionada pela candidatura de Lula à presidência e amparada pelos números que o apontam como franco favorito na disputa, em Goiás, unir PT, PCdoB, PDT e PSB parece não ser tarefa tão simples. Com isso, o PMDB aparece como uma cola para unir todos os lados (saiba mais na matéria correlata).

O PT é o cabeça dessa organização e esforça-se para sacramentá-la. De todos os outros partidos, o PCdoB é o que demonstra maior afinidade com o projeto. O PDT defende a ideia, mas desde que haja palanque para seu candidato em Goiás – o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PDT-CE).

Já o foco de maior resistência dos quadros é do PSB que tem a senadora Lúcia Vânia (PSB) como principal liderança da agremiação partidária. Para tentar quebrar essa blindagem, a presidente regional do partido, Kátia Maria, tem se reunido com representantes das siglas aliadas. Ela já esteve com PDT e, mais recentemente com o PCdoB. Kátia avalia que o campo político em Goiás está aberto e a esquerda organizada pode ser o contraponto que a sociedade está esperando para resgatar a esperança por dias melhores.

“A unidade da centro-esquerda em Goiás fortalecerá os partidos e dará a oportunidade para apresentarmos um programa que garanta políticas públicas voltadas para a classe trabalhadora, as mulheres, a juventude, os negros, pequenas e médias empresas e o fortalecimento da democracia”, explica.

O resultado do encontro entre PT e PCdoB, foi que os dois partidos seguiram alinhavados em continuar buscando a união. Para a deputada Isaura Lemos, “a prioridade do PCdoB em Goiás é estar aliado com os partidos de esquerda, fazendo defesa da democracia e dos direitos sociais”, afirmou.

A fala de Isaura aponta o nível de identidade do PCdoB com o projeto, posição esta corroborada pela sua filha, a vereadora por Goiânia Tatiana Lemos, que crê na composição e a vê como palpável. “Nós acreditamos nessa aliança. O PCdoB defende uma união das esquerdas amparado no direcionamento nacional”, diz.

Antes do fechamento desta edição, estava prevista uma reunião do PCdoB com os líderes do partido em todo o Estado, que ocorreria no sábado, 9. Em pauta a organização da sigla, eleições 2018 e a formação dessa aliança. Tatiana demonstra confiança.

Apesar de bem recebido por algumas siglas, união das esquerdas em Goiás enfrenta questionamentos de parlamentares e políticos. PMDB pode ser solução
Apesar de bem recebido por algumas siglas, união das esquerdas em Goiás enfrenta questionamentos de parlamentares e políticos. PMDB pode ser solução

PSB é foco de maior resistência

O partido que mais declina em relação a essa composição é o PSB. Presidido pela senadora Lúcia Vânia (PSB), a ala da agremiação na Assembleia rejeita a ideia e dizem não ter conversado sobre tal possibilidade com a liderança maior da legenda. Ela, por sua vez, diz estar aberta a toda as alianças.

Em busca de espaço para concorrer ao Senado, Lúcia Vânia garante que vai trabalhar para unir todas as forças, não descartando um namoro com o PT, PCdoB e PDT. Indagada sobre essa perspectiva, a senadora foi clara: “Vou aguardar o posicionamento nacional do partido, mas o PSB está aberto a buscar aliança com qualquer partido”.

Vanderlan Cardoso (PSB), presidente metropolitano da sigla e ex-prefeito de Senador Canedo, acredita ser normal a inclusão da legenda numa possível composição, entretanto, para ele, essa decisão vai demorar muito para ocorrer. “É normal o interesse de outras legendas em formar aliança com a presença do PSB. Mas a decisão sobre as eleições de 2018 só serão tomadas a partir do ano que vem, depois do segundo bimestre”, disse.

Pensa na base
Pensa na base

Na Assembleia, no entanto, o discurso é diferente entre os deputados Lissauer Vieira, Diego Sorgatto e Marlúcio Pereira: querem permanecer na base. A preferência é algo altamente entendível, uma vez que nenhum deles foi eleito pelo partido e chegaram ao PSB, que hoje conta com a terceira maior bancada da Casa ao lado de PT e PR, após desavenças com suas siglas anterioreseus partidos anteriores.

Lissauer Vieira, que foi candidato a prefeito de Rio Verde nas últimas eleições, afirmou acreditar que acha pouco provável que tal composição vá acontecer. No entanto, apesar de não ter conversado com a senadora sobre isso, acredita numa decisão nesta linha.

Ele disse ainda que o PSB não vai desistir de correr atrás da vaga para a senadora tentar a reeleição ao senado. “Todas as nossas chances estão na base. A senadora tem um trânsito muito bom com o governador. Não vamos abrir mão da base aliada”, disse deputado.

partidos

PDT

Inicialmente simpático à ideia, o PDT terá reunião com a direção nacional do partido nesta semana para definir seu futuro, pelo menos até o final deste ano. O presidente regional da legenda e ex-prefeito de Trindade George Morais disse que poderá haver empecilho devido a questão nacional.

O partido trabalha com a candidatura de Ciro Gomes e também quer um palanque para o postulante em Goiás. Sobre a questão, o presidente disse que não pode falar muito sobre porque a decisão só vai sair após o fim da reunião, mas adiantou que pode haver problemas com o PT.

“Nesse sentido podemos ter dificuldades a resolver com o PT porque o que eles querem uma coisa e nós queremos outra. Nós queremos o palanque para o Ciro Gomes e eles querem para o Lula. Temos que dialogar”, disse George.

O vereador Paulinho Graus (PDT), que deverá ser candidato à Assembleia no próximo ano, defende união mais ampla. Para ele, é pouco sonhar com uma composição envolvendo apenas quatro partidos. O vereador acredita que seja necessário que as oposições se unam e assim ter condições de competir com a base do governo.

“Eu proponho uma frente ampla. Não adianta a gente achar que vai ganhar do governo com três ou quatro partidos que nós vamos perder feio”, afirmou. Sobre o partido ter se unido a base em 2014 e agora ter a possibilidade de seguir em sentido oposto, o vereador disse que o partido não pode pensar nisso. “2014 foi uma coisa, 2018 é outra eleição”, declara.

União pode estar em Daniel Vilela

MAGUITO – Caso candidato, ex-governador buscaria PT ELIAS – Sua preferência é por uma aliança com Daniel
MAGUITO – Caso candidato, ex-governador buscaria PT –       ELIAS – Sua preferência é por uma aliança com Daniel

Calçado no argumento de que só vai compor com quem ceder palanque ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, o Partido dos Trabalhadores corre para tentar angariar o maior número de forças e garantir esse espaço. No entanto, o palanque pode estar mais perto do que se imagina.

Trata-se de um antigo, mas hoje amargo aliado: o PMDB. Parceiro costumeiro dos petistas, os partidos entraram em rota de colisão nos últimos anos, especialmente depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), mas o sinal verde para uma futura composição em Goiás foi dada pelo ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela (PMDB) e, em parte, pelo ex-presidente Lula.

Em entrevista à Tribuna no final do último mês, o própria Maguito disse claramente que não tinha nenhuma restrição ao PT. Na ocasião, ele declarou que se fosse candidato, tranquilamente iria procurar o PT. “O PT, além de ter quadros bons, tem um tempo de TV invejável. Quem tiver o apoio do PT já tem o dobro de tempo de TV e de rádio”, afirmou.

Com isso, o apoio que o PT tanto busca poderia estar no quintal de sua casa. A fala de Maguito se alia a fala de Lula que afirmou ter tido proximidade com o ex-governador quando era presidente da República. Em entrevista recente à Rádio 730, o ex-presidente ressaltou esse fato. É bom lembrar que Maguito Vilela sempre foi parceiro dos governos petistas quando esteve à frente da prefeitura de Aparecida.

Também em entrevista à Tribuna no final do mês de outubro, o deputado federal Rubens Otoni (PT) se mostrou aberto a esse diálogo. Disse que acreditar que com Maguito seria mais viabilidade de uma composição seria mais próxima. “A conversa não é com liderança, é com o partido. Se ele falar pelo PMDB, pode ser que sim”, disse Otoni.

No mesmo sentido da fala de Maguito, Rubens acredita que caso o PMDB ceda este espaço a Lula, tudo ficaria mais simples. “Vai depender do PMDB. A liga é o Lula. Vamos conversar e dialogar com quem apóia o Lula”, disse na ocasião.

PSB

Quem também defende uma proximidade com o PMDB e com a possível candidatura do deputado Daniel Vilela (PMDB) é o vereador Elias Vaz (PSB), que deve se candidatar a deputado estadual em 2018. Ele não crê na possibilidade dessa composição com os partidos de esquerda, e tampouco defende uma união com os governistas.

Para ele, o caminho mais simpático seria a escolha por uma composição com Daniel Vilela. “Acho que seria um equívoco apoiar o governo. Na minha opinião não dá. No caso do PT eu tenho muitas divergências com a postura do partido”. Elias acha que uma candidatura considerado por ele de centro-esquerda seria a melhor opção. “Defendo a candidatura de Daniel Vilela e o apoio do partido a ele”, finalizou.

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