Autonomia | Decida ser feliz!

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A felicidade está no seu DNA e no seu olhar sobre a vida

Daniela Martins

_Decida ser feliz
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Esqueça tudo o que você (acha que) sabe sobre felicidade. Esqueça. Carla Furtado desfaz mitos e ensina, literalmente, as pessoas a serem mais felizes. Sua abordagem está centrada no tripé: psicologia positiva, neurociência e o sistema de felicidade interna bruta, uma metodologia desenvolvida na Ásia e reconhecida pela Organização das Nações Unidas. Diretora do Instituto Feliciência, com sede em Brasília (DF), Carla atua nas áreas de comunicação, comportamento, atendimento e humanização em saúde. Seu trabalho não é autoajuda. É ciência, ela reforça.

Nesta conversa, Carla apresenta caminhos simples para reavaliar nossa felicidade, obter novas habilidades e, assim, ser mais feliz. Ela integra a International Positive Psychology Association (IPPA) e é colunista da edição brasileira do The Huffington Post (Brasil Post, editora Abril). Também ministra palestras, inclusive internacionais, sobre o tema felicidade. Quem quiser saber um pouco mais, é só visitar feliciencia.com.br.

O que é felicidade?

Minha abordagem de trabalho vem de três bases: psicologia positiva, neurociência e o sistema de Felicidade Interna Bruta (FIB), que foi desenvolvido no Butão, país asiático. O FIB é defendido pela ONU como modelo ideal para ser observado e implantado pelas nações. Por essa abordagem, a felicidade, de uma maneira simples, é composta por dois aspectos. O primeiro é a percepção de que sua vida vale a pena, a percepção positiva em relação à vida independente dos problemas e desafios que você enfrenta. É acreditar que sua própria vida vale a pena e somar isso às emoções positivas. Tenho mais emoções positivas no meu dia a dia do que negativas. Na minha percepção pessoal, ligo a felicidade à sensação de paz e bem-estar. Santo Agostinho tem uma frase que reflete muito bem aquilo que sinto: “Felicidade é seguir desejando a vida que já se tem”. É essa satisfação com aquilo que se é e que já se possui.

Para algumas pessoas parece ser mais fácil ser feliz. Felicidade é uma questão de genética?

Sim. Temos, cientificamente, a seguinte composição: 50% da nossa capacidade de ser feliz, e não da felicidade absoluta, tem componentes genéticos. Outros 40% estão ligados a decisões, é nossa mindset, a forma como enxergamos a vida. E os últimos 10% estão ligados a circunstâncias externas, ao que acontece na minha vida.

“A verdadeira felicidade é muito mais interna do que externa. Aprendemos ao longo dos anos a ligar, culturalmente, a felicidade a objetivos externos: sucesso, dinheiro, prestígio… Felizmente, estamos começando a aprender que isso tem muito pouco a ver com felicidade.”

Carla Furtado

Como driblar as dificuldades e ser feliz mesmo em tempos difíceis?

Aqui mora o segredo dessa nova abordagem em relação à felicidade, que vem da psicologia positiva, um braço da psicologia completamente sustentado por pesquisas científicas. A psicologia positiva é uma ciência nova, com pouco mais de 20 anos, e que tem nos ensinado por meio dos estudos qual a composição da felicidade. Dez por cento, isso de maneira bem geral, dez por cento é o peso das circunstâncias externas da nossa vida.Então, é absolutamente possível ser feliz encarando a felicidade como um olhar positivo sobre a vida que se tem. Estudos mostram que pessoas que sofreram acidentes severos e ficaram paraplégicas conseguem, passado um tempo de adaptação dessa nova condição, ter o mesmo nível de felicidade que tinham antes do acidente. A verdadeira felicidade é muito mais interna do que externa. Aprendemos ao longo dos anos a ligar, culturalmente, a felicidade a objetivos externos: sucesso, dinheiro, prestígio… Felizmente, estamos começando a aprender que isso tem muito pouco a ver com felicidade. Foi um modelo que nos venderam e que não necessariamente traz felicidade.

A sra. fala muito em autonomia. Somos responsável pela nossa própria felicidade?

Sim, as duas coisas estão completamente ligadas. A gente é 100% responsável pela própria felicidade, dentro dessa abordagem da psicologia positiva. Quero deixar claro que não falo sobre a minha forma de encarar a felicidade, falo sob um viés científico. Não é autoajuda, é um trabalho muito sério e nós somos, sim, responsáveis. O primeiro passo é você decidir pela felicidade. Isso não é suficiente, precisa de muito trabalho, mas é o primeiro passo. Você sai da posição de vítima da sua existência para a posição de protagonista da sua vida. Você passa a conduzir a vida dentro de uma perspectiva de felicidade, mas dentro de uma felicidade possível, uma felicidade interna.

Ter clara essa responsabilidade é um dos segredos para alcançar a felicidade?

Sim. A neurociência nos mostrou nos últimos anos que o cérebro é plástico, nunca para de se desenvolver e de se modificar desde que a gente decida aprender, obter novas habilidades, aceitar novas formas de enxergar a vida. Há muitas formas de trabalhar a felicidade, que são absolutamente efetivas, que funcionam.

Que habilidades são essas?

A ciência nos mostra que quanto mais trabalhamos a gratidão e o altruísmo, mais felizes nos sentimos. Outra questão é a mindfulness, que é a capacidade de estar com a mente presente no aqui e agora, manter a mente atenta ao que acontece nesse momento da minha vida, não no passado nem no futuro. Isso me traz um aporte de felicidade importante. Assim as pessoas começam a registrar uma melhoria de sensação de bem-estar com a própria vida, independente dos aspectos externos que a gente não é capaz de modificar nesse exato momento da vida.

Dinheiro traz felicidade?

O dinheiro traz, sim, felicidade até o ponto de uma situação de segurança e conforto, quando são atendidas as nossas necessidades elementares, de alimentação, um teto e um pouco de segurança. Então, seria o patamar de uma classe média simples, até aí o dinheiro é capaz de reforçar a nossa reserva de felicidade. Daí em diante, o dinheiro não causa mais nenhum impacto. É o caso do estudo com pessoas que ganharam na loteria e se tornaram muito ricas. Em um primeiro momento, existe um grande impacto para a felicidade, mas ao longo do tempo, elas retornam ao mesmo patamar que tinham de felicidade antes de se tornarem tão ricas. Então, o dinheiro em excesso não traz nenhum impacto sobre a felicidade. O dinheiro que me traz conforto e segurança, o necessário para viver, esse, sim, é muito importante.

Pessoas felizes vivem mais?

Sim, é um fato. Existem muitas pesquisas científicas nesse sentido. Algumas estão no meu blog [www.feliciencia.com.br]. E, mais importante do que pensar em quantidade de vida, é pensar em qualidade de vida. Pensar em como estamos aproveitando essa aventura incrível que é a existência humana. Pensar em como estou usando cada um dos meus dias, inclusive a segunda-feira, esse dia tão maltratado pelas pessoas, para que sejam algo que realmente valha a pena. Meu alerta realmente é para a qualidade da nossa existência, muito mais do que a quantidade.

Há pessoas que pensam que sua vida é mais difícil, que são mais infelizes. É possível recondicionar a mente?

Chamamos de mindset essa estrutura mental. Muitas vezes condicionamos essa estrutura para aquilo que víamos na família; outras vezes, essa estrutura foi condicionada por algo que nos aconteceu na vida, algo negativo. O grande pulo do gato é compreender que a mente é capaz de aprender novas habilidades, aquilo que falei sobre plasticidade cerebral. Você pode modificar, não é aquela coisa Gabriela “eu nascei assim, eu cresci assim, eu vou ser sempre assim”. Não é. A neurociência nos mostra que o cérebro aprende e existem as chamadas habilidades em felicidade, ou happiness skills, que você pode desenvolver. Elas são muitas: gratidão, altruísmo, mindfulness, resiliência e por aí vai…

Conquiste novas habilidade seja mais feliz em 2018, confira as sugestões de Carla Furtado

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