Eleições 2018 | O desafio pós pesquisas

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Números mostram candidaturas em construção, e uma disputa indefinida, a ser decidida na habilidade dos jogadores

O desafio pós pesquisas
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Vassil Oliveira

As pesquisas divulgadas  nos últimos dias mais evidenciam as fragilidades dos três candidatos em ação do que suas virtudes. Quem lidera não está sossegado; quem vem atrás não está fora de ação; e tem forças fora de foco, que podem fazer a balança pesar.

É razoável dizer – na perspectiva do que vem a partir de janeiro e não do que foi o ano desde fevereiro, quando Zé Eliton (PSDB, Daniel Vilela (PMDB) e Ronaldo Caiado (DEM) iniciaram suas movimentações – que a guerra está em ponto alto, porém será definida não na antecedência dos números das intenções de voto, e sim na competência dos jogadores, na habilidade para resolver impasses e construir soluções.

O que os três vão fazer com os resultados em mãos tem mais importância do que o que os índices estão revelando deles neste instante. A pressão é parte, e não fim de jogo.
A liderança de Caiado nas pesquisas é uma evidente vantagem para ele. Além de inspirar perspectiva de poder, algo fundamental em uma campanha, ele tem a seu favor a torcida de importantes nomes do PMDB. O PMDB é um partido com raízes fortes nos municípios goianos.

Mesmo dividido, como se ateve nas últimas eleições – vide derrotas sucessivas de Iris Rezende e Maguito Vilela -, o PMDB é uma máquina eleitoral. Caso Caiado consiga o apoio dos peemedebistas, juntará essa liderança a uma estrutura que, bem liderada, funciona na base do arrastão eleitoral.

Mas esta é a questão: o PMDB abre mão de lançar candidato para apoiá-lo? Improvável, é o que avaliam mesmo os que apoiam o senador. Mais improvável fica agora com números que, se não dão liderança a Daniel, colocam seu nome na linha da possibilidade.

Ele não está tal bem que já o faça candidato entusiasmado entre seus partidários, nem tão mal que possa ser descartado como alternativa. Caiado, portanto, pode ter uma frente nos levantamentos, só que está atrás na costura de uma aliança ampla nas oposições.

Daniel ganha, assim, fôlego para se firmar como candidato e, quem sabe, fazer inclusive Caiado recuar para apoiá-lo, confirmando o sonho de unidade da oposição. Ele tem muita penúria a fazer. O mais urgente, que já estava posto: juntar o partido em torno de seu projeto.

Há arestas internas para Daniel aparar. Nomes como o do prefeito de Formosa, Ernesto Roller, pendem para Caiado, muito mais por mágoa em razão de desentendimentos dentro da legenda do que necessariamente paixão por uma candidatura fora do PMDB. Como ele, há outras lideranças à espera do que definem como “amadurecimento” de Daniel nos tratativas naturais do jogo.

Com tais desafios, Daniel e Caiado deixam em aberto o desejo mútuo da unidade oposicionista. Não quer dizer que isso está fora de ordem. Como não está no ninho governista, onde a variedade de partidos e projeto pessoais provocam a dúvida sobre o futuro de Zé Eliton como candidato do grupo que desde 1998 vem ganhando eleições em Goiás como o governado Marconi Perillo à frente.

Eliton precisaram de muita habilidade para juntar os interesses tão heterogêneos da base. Na semana passada, Marconi admitiu, em entrevista ao Diário de Goiás, que é este de fato o que mais deixa tudo em suspensão para 2018.

PTB com Demóstenes Torres, PSB com Lúcia Vânia, PP com Wilder Morais e PSD com Vilmar Rocha apontam tanto para permanência numa chapa com Zé Eliton quanto paga aliança com a oposição. Querem, todos, uma vaga ao Senado. Três vão sobrar. Vão sobrar ficando na base, ou somando-se ao adversário?

O maior erro é considerar Caiado favorito absoluto e Daniel e Eliton perdidos, sem chance. O democrata, com o PMDB, é um candidato robusto, com raiz; sozinho, é uma andorinha em busca de pouso. Uma incógnita. Já os outros dois, apesar da decantada fragilidade pessoal, representam os dois polos tradicionais de disputa pelo poder no Estado.

As eleições em Goiás, até agora, não deram espaço a um nome à parte, uma chamada terceira via. Em 2005, o então senador Demóstenes Torres, no auge da exposição positiva nacional, tentou. O resultado foi desastroso: terminou fragorosamente derrotado, com a disputa ficando ente governistas (com Alcides Rodrigues) e peemedebistas (Maguito Vilela).

Daniel e Eliton, hoje, tem um ‘tamanho’ eleitoral. Terão outro, bem diferente, caso consigam se firmar como candidatos de seus grupos. Assim é que o jogo de 2018 não será definido pelo desempenho de saída de Caiado, Daniel e Eliton. Será pelo que eles vão conseguir construir até agosto, nas convenções, e depois, na campanha oficial.

Fora da curva há de se consolar também como os partidos de esquerda vão se posicionar ano que vem. Tucanos falam com animação sobre diálogo aberto com petistas em Goiás. Peemedebistas ligados. Daniel, também. A esquerda, enquanto isso, nem diz que sim, nem que não: está fiada, muito mais o PT, no futuro de Lula como candidato a presidente.
O quadro em Goiás depende não só do cenário local. As definições em Brasília vão contar muito. Destino de legendas como PSB, PTB, PSD e PP, além de PR, PROS e outras, tem muito a ver com os interesses goianos, mas também com os nacionais.

Por fim, há o fator Michel Temer. Negativo pelo que representa seu governo, com uma pauta negativa para vários setores – reforma trabalhista, reforma da previdência etc. -, há o outro lado: sabe usar como ninguém a máquina do governo em favor de seus aliados.

E é isso que faz com que o negativo, em um primeiro momento – votações no Congresso e posicionamento do governo – acabe virando positivo no financiamento e no impulsionaremos de candidatos na hora decisiva: em outubro.

Emoção não é simples divulgação de números. A guerra eleitoral vai além das pesquisas e das opiniões de momento. Caiado, Daniel e Eliton – e/ou outro nome que aparecer, como o de Otavio Lage de Siqueira, que despontou semana passada na pesquisa Serpes/ACIEG – continuam no jogo.

Os problemas de hoje nada mais são que os desafios para o futuro próximo de candidaturas em construção. O que cada um vai fazer partir de agora com o que tem em mãos é que vai definir o destino de Goiás.

Pesquisa Directa/Jovem Pan/O Hoje

Preferidos para Governador
Ronaldo Caiado    32,7%
Zé Eliton    19,6%
Daniel Vilela    14,2%
Anulará o voto    23,9%
Indecisos    9,6%

Mais rejeitados a Governador
Maguito Vilela    18,6%
Ronaldo Caiado    16,5%
Djalma Rezende    10,2%
Zé Eliton    3,7%
Daniel Vilela    3,1%
Não rejeita ninguém    12,1%
Rejeita todos    20,4%
Não sabe dizer    15,4%

Os preferidos para Senador        
Marconi Perillo    28,2%
Jorge Kajuru    18,1%
Lúcia Vânia    18%
Demóstenes Torres    17,9%
Wilder Morais    2,20%
Vilmar Rocha    1,9%
Anulará o voto    10,1%
Não sabe    3,6%

Mais rejeitados ao Senado
Wilder Morais    13,4%
Marconi Perillo    9,8%
Demóstenes Torres    9,2%
Vilmar Rocha    7,2%
Jorge Kajuru    6,6%
Lúcia Vânia    5,2%
Não rejeita ninguém    24,1%
Rejeita todos    14,3%
Não sabe    10,2%

Pesquisa Estimulada Serpes/Acieg

Preferidos para Governador
Ronaldo Caiado    44%
Daniel Vilela    12,1%
José Eliton    6,2%
Anulará o voto    17,8%
Não votará    5,7%
Não sabe    14,2%

Mais rejeitados a Governador
Djalma Rezende    28,2%
José Eliton    27,6%
Otávio Lage    25,7%
Daniel Vilela    25,4%
José Vitti    23,2%
Ronaldo Caiado    22,4%
Não rejeita ninguém    33,8%
Não sabe    8,3%

Preferidos para Senador
Marconi Perillo    13,6%
Lúcia Vânia    9,5%
Maguito Vilela    9%
Jorge Kajuru    7,8%
Dona Iris Araújo    7%
Flávia Morais    6,2%
Daniel Viela    3,5%
Raquel Teixeira    3,1%
Wilder Morais    1,2%
Anulará o voto    6,1%
Não votará    3,4%
Não sabe    29,4%

Mais rejeitados ao Senado
Marconi Perillo    40,2%
Maguito Vilela    25,3%
Dona Iris Araújo    23,4%
Jorge Kajuru    23%
Lúcia Vânia    22,1%
Daniel Vilela    20,2%
Raquel Teixeira    20%
Wilder Morais    18,2%
Flávia Morais    15,9%
Não rejeita ninguém    30,8%
Não sabe    4,1%

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