Sucessão: Os desafios para 2018

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Especialistas ouvidos pela Tribuna apontam quais os pontos fortes e fracos de Eliton, Caiado e Daniel para o próximo ano

Marcione Barreira

Clique aqui para ler a reportagem em PDF
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O ano de 2017 está acabando e, em termos eleitorais, 2018 será decisivo para os principais postulantes ao Palácio das Esmeraldas. Neste ano, José Eliton (PSDB), Daniel Vilela (PMDB) e Ronaldo Caiado (DEM) trabalharam visando o objetivo de conquistar a principal cadeira no executivo goiano.

Para analisar o que cada um dos pré-candidatos terá como desafio e estratégia para o próximo ano, a Tribuna ouviu especialistas e cientistas políticos na tentativa de saber os pontos fortes e fracos dos concorrentes e no que precisam melhorar para o ano do embate.

De posse da máquina do governo, José Eliton até agora não traduziu em números todo o investimento feito em torno do seu nome. Percorrendo o Estado de ponta-a-ponta, o vice-governador é o cabeça do programa Goiás na Frente, que tem atendido praticamente todos os prefeitos do Estado.

especialistas

Durante o ano de 2018, de acordo com os últimos levantamentos, Eliton figura em segundo lugar próximo do peemedebista Daniel Vilela e bem atrás de Ronaldo Caiado. Seu desafio maior está justamente aí: se tornar mais conhecido e assim poder ganhar dígitos a seu favor.
Daniel Vilela tem característica semelhante a do oponente José Eliton. O deputado federal também é pouco conhecido. Além disso, Daniel precisa se consolidar dentro do PMDB e assim conquistar a simpatia dos seus correligionários, que, nota-se, ainda não encamparam a sua pré-candidatura.

Contudo, o peemedebista tem a seu favor a forte militância do PMDB e um fértil campo para explorar: o fator novo. É o mais jovem entre os candidatos o que, segundo analistas, pode agradar o eleitor e tem um sobrenome de peso.

Ronaldo Caiado é o principal destaque na oposição. O senador é crítico do governo e em termos numéricos ficou na frente durante este ano. Entretanto, analistas ouvidos pela reportagem apontam que o discurso que agrada hoje pode não ser o que vai agradar amanhã. Além disso, segundo eles, o que aponta como líder nas pesquisas hoje é a popularidade e o nível de conhecimento do senador em relação aos adversários, algo que poderá mudar no próximo ano.

A análise é que ele terá o desafio de transformar o discurso de fúria em projetos que agrade o eleitorado. Isso significa que o tradicional político goiano precisa mudar o tom de sua fala que hoje “agrada setores conservadores” e direcionar o discurso “mais ao centro”.

Conhecimento

A liderança isolada nos levantamentos realizados ao longo desse ano colocam Ronaldo Caiado como franco favorito nas eleições futuras. Porém, para o pesquisador político e professor universitário Luiz Signates isso não é certeza de consagração até o final do pleito. Para o professor, os levantamentos pouco revelam em termos de voto.

Signates afirma que Ronaldo Caiado lidera pelo fato de ser o mais popular entre os candidatos. “Eu tenho dito que pesquisas quantitativas de intenção de voto fora do contexto eleitoral não revelam voto, mas sim popularidade”, declara o estudioso.

De fato, Caiado é o mais conhecido e o que mais fez campanha para o governo, segundo o consultor político e diretor da Associação Brasileira de Consultores Políticos em Goiás (ABCP), Ademir Lima. O especialista observa que os discursos de Caiado são fortes e chamam atenção.

Além dos discursos, avalia que desde a vitória para o Senado, em 2014, tem feito campanha para se tornar governador. “Ronaldo Caiado tem um profundo conhecimento. Tem andado todo o Estado. Ele está em campanha desde que foi eleito para o senado na última eleição”, expõe Ademir.

Daniel-Caiado-Ze

Novato

Entre os três pré-candidatos, Daniel Vilela é o mais jovem competidor. Tido como promissor, já foi vereador por Goiânia, deputado estadual, e agora deputado federal. Vem de linhagem política na família. Após vencer as eleições para presidir regionalmente o PMDB em 2016, Daniel ficou com a faca e o queijo nas mãos para conseguir a vaga na chapa do partido, embora a sombra do pai, o ex-governador Maguito Vilela (PMDB), seja um entrave na consolidação de sua candidatura.

Apesar do horizonte aparentemente bem encaminhado, na avaliação de Luiz Signates o deputado ainda precisará mostrar mais para se manter firme como postulante. “O desafio de Daniel Vilela é se manter na disputa sacrificando a possibilidade de uma candidatura mais madura e prestigiada, que é a de seu próprio pai”, finaliza.

Para Marcos Marinho, em busca desse cacife, Daniel tem uma arma que os outros não têm. “Daniel é jovem, tem bom capital erótico e pode jogar com a sedução da jovialidade e do vigor para mudanças”, analisa.

Crescimento

É fato que a base não conta com um plano B, mas é fato também que o vice-governador não é unanimidade quando se fala em relação aos anseios da base aliada. Eliton enfrenta resistência de alguns setores e isso ganha força principalmente por ainda não ter ganhado terreno em termos de pesquisas eleitorais.

Ademir Lima relata que Eliton precisa traçar um perfil próprio, pois o vice ainda é muito dependente de Marconi Perillo. “José Eliton precisa se desvencilhar da imagem do Marconi no sentido administrativo, pois ainda é muito dependente. Tem que ter cara própria. É a sombra do Marconi”, aponta.

Apesar das dificuldades enfrentadas por Eliton, ele está longe ser descartado pela base. Luiz Signates considera que a ausência de bons números nas pesquisas eleitorais não farão do vice-governador alguém que se possa descartar. “É um engano monumental considerar que a ausência ainda precoce de prestígio popular torne Eliton uma carta fora do baralho em 2018”, minimizou.

Maguito

O que precisa ser fortalecido em cada um deles?

Enquanto Daniel Vilela e José Eliton lutam para se tornar conhecidos, Ronaldo Caiado ostenta uma vida pública de mais de 40 anos. Todavia, tantos anos no poder exigirão do experiente político uma reoxigenação. É o que defende o professor e pesquisador político Luiz Signates.
Segundo o cientista, o democrata precisa refazer sua imagem e ampliar seu aspectro de aliança. “O senador deve se repaginar a fim de representar setores menos conservadores e mais ao centro, e, com isso, adquirir a confiança de uma faixa política maior do que a que possui”, diz.

Já o vice-governador José Eliton terá no ano que vem o desafio de fazer valer a força de sua posição no governo dentro da base governista. A briga pelas escassas vagas no bloco de Marconi Perillo deverá exigir muito de Eliton. É o que pensa o analista político Marcos Marinho. De acordo com ele, no ano que vem, Eliton terá que convencer aliados e evitar o fogo amigo. “José Eliton tem que enfrentar a desconfiança e os interesses de seus aliados, além de evitar o fogo amigo e conseguir que Marconi realmente robusteça sua campanha”, disse Marinho.

Depois de perder todas as disputas de 1998 até 2014, o PMDB tentará mais uma vez. E é justamente essas aniquilações que fazem com que setores do partido optem por Ronaldo Caiado como escolha para uma postulação ao governo. É que diz o analista político Marcio Lima.

Segundo Marcio, o maior desafio de Daniel é convencer a ala mais tradicional do partido de que ele é o candidato certo para, desta vez, ganhar. “O Caiado entrou no coração do peemedebista tradicional, daquele que já sofreu muitas derrotas. Ele vai ter que convencer esses aliados de que ele é o cara que vai tirar o partido da fila”, declarou.

“José Eliton precisa enfrentar a desconfiança e os interesses de seus aliados, além de evitar o fogo amigo.”
Marcos Marinho

Caiado lidera; Eliton e Daniel variam nas últimas três pesquisas

PesquisaAs três pesquisas divulgadas nas últimas semanas da disputa pelo governo do Estado apontaram quadros e números diferentes. Mas com o senador Ronaldo Caiado (DEM) sempre na liderança e uma variação nos números e posicionamentos do vice-governador Zé Eliton (PSDB) e do deputado federal Daniel Vilela (PMDB), quando as candidaturas avaliadas são as dos três nomes, em pesquisa estimulada.

Nas duas primeiras, a diferença ocorreu na segunda colocação. Enquanto a do Instituto Serpes/Acieg, Daniel Vilela apareceu na vice liderança, com Eliton em terceiro; na do Instituto Directa/Jovem Pan/O Hoje, o vice-governador aparece em segundo, com o peemedebista caindo para o terceiro lugar. Houve também, claro, variação nos números de Caiado na liderança.

Na última delas, levantada pelo Instituto Paraná Pesquisas, entre 5 e 10 de dezembro em 58 municípios goianos, o resultado apontou Ronaldo Caiado na liderança com 49,3%, enquanto Daniel Vilela aparece em segundo com 15,8% e Zé Eliton logo atrás, com 12,6%. Foram ouvidos 1.520 eleitores e a margem de erro da pesquisa é de 2,5% para mais ou para menos.

Maguito

A grande surpresa é o bom posicionamento apontado pelo instituto quando o nome do ex-governador Maguito Vilela (PMDB) substitui o de seu filho, Daniel Vilela. Neste cenário, Ronaldo Caiado perde quase 10 pontos porcentuais, ficando com 41,1%, enquanto Eliton varia pouco negativamente, ficando com 12,1%.

Maguito, por sua vez, apresenta 27,9% da preferência do eleitorado, ou seja, mais de 12 pontos a mais que o do deputado federal Daniel Vilela. Neste cenário também cai o índice de rejeição a todos os candidatos: de 16,8% para 13,7%.

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