Inclusão: Aluno com deficiência visual aprende a usar a bengala em escola da rede

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Davi aprende a usar a bengala com apoio do Cebrav. Fotos: Luiz Fernando Hidalgo

Inclusão: Aluno com deficiência visual aprende a usar a bengala em escola da rede

Davi, 5 anos, conta com o apoio de uma equipe que o ajuda a ter independência e aprender braille

Daniela Rezende

A emoção de segurar um filho no braços, ajudá-lo nos primeiros passos, vê-lo crescer é o sonho de toda mãe. Mas ter uma criança com algum tipo de deficiência não é nada planejado. E assim foi com Lorena Teixeira de Brito e Silva, mãe do pequeno Davi de Oliveira Brito, 5 anos, aluno com deficiência visual que estuda na Educação Infantil da Escola Municipal Antônio Fidelis, no Parque Amazônia.

Lorena, ao saber da notícia que o filho não enxergava ficou triste, chorou. “No começo, a gente assusta. Percebi algo diferente quando fui para o quarto logo após o nascimento do Davi. Ele tinha uma mancha branca no olho. No segundo dia, passamos por um oftalmologista e, ao olhar meus exames, o médico constatou que tive três problemas na gravidez, toxoplasmose, rubéola e citomegalovírus”, relata Lorena.

Atualmente, com o apoio das instituições que compõem a rede de inclusão da Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) e acompanhamento dos profissionais da rede, os alunos com Necessidades Educacionais Específicas (NEE) como Davi, recebem atendimento especializado.

No caso da deficiência visual, o Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (Cebrav) é parceiro. No momento, Davi aprende a usar a bengala na escola e no dia-a dia para ganhar mais mobilidade. “Ele é uma criança bem independente apesar da sua limitação. Tem uma pequena percepção de luz no olho esquerdo. Fez quatro transplantes de córnea que tiveram rejeição. Com o tempo ajustei a situação e aprendi a lidar com ele”, completa a mãe.

A cegueira não impede Davi de ter independência na escola
A cegueira não impede Davi de ter independência na escola. Fotos: Luiz Fernando Hidalgo

De acordo com Gerson Carneiro de Farias, apoio do Cebrav, o atendimento com o Davi é feito desde bebê, o que facilita na independência da criança. “Quando a família aceita mais rápido a  realidade, melhor. Foi o que aconteceu com o Davi, que é uma criança muita amada. A mãe buscou ajuda e foi realizada uma intervenção precoce. Agora, a bengala vai proteger e dar mais segurança, facilitando a locomoção para ele aprender a atingir outros locais da escola”, ressalta.

“Meu filho ficou um tempo na rede privada, mas trouxe ele para a rede municipal pois tive a informação pelo Cebrav que ele teria um acompanhamento multiprofissional. E assim ocorre, fui bem acolhida na escola. O Davi gosta tanto, que chora quando não vem”, conta Lorena. Além de aprender a utilizar a bengala, Davi começou a conhecer as primeiras letras no sistema braille.

Para a professora da turma de Educação Infantil, Íris Hilário de Medeiros Cunha, a presença de uma criança com deficiência visual na sala só tem a contribuir. “No começo, assustou pois nunca tinha ensinado uma criança com a limitação visual. Mas com o tempo foi possível ter experiências fantásticas. Toda turma comemora quando o Davi tem um avanço na aprendizagem. Foi uma festa quando ele aprendeu a reconhecer as cores”, destaca a educadora.

“Trazemos os alunos da sala para socialização e interação, realizamos atividades de sensibilização com olhos vendados e muitas brincadeiras quem contribuem para o desenvolvimento de toda turma. Com ele na sala, aprendi formas diferentes de ensinar”, completa a educadora.

A coordenadora pedagógica da escola, Gisele Vieira, relata que a presença do Davi trouxe benefícios para os professores. “Na escola, temos a aluna Ana Klara, também com deficiência visual, que chegou na escola enxergando e perdeu a visão depois. Ana Klara tem 12 anos e até ajudou o Davi com o braille. Os alunos nos fizeram crescer como profissionais”, salienta.

Inclusão na rede municipal

Rede de Inclusão da SME atende mais de 100 alunos com cegueira ou baixa visão
Rede de Inclusão da SME atende mais de 100 alunos com cegueira ou baixa visão. Fotos: Luiz Fernando Hidalgo

Uma das prioridades da Prefeitura de Goiânia é fortalecer o processo de inclusão de educandos com Necessidades Educacionais Específicas. O trabalho com os alunos é desenvolvido por dois Centros Municipais de Apoio à Inclusão – Cmai Brasil Di Ramos Caiado e Cmai Maria Thomé Neto e conta com a parceria das instituições Cebrav, a Associação Pestalozzi – Unidade Renascer, Escola de Ensino Especial – Ascep, Escola Especial Helena Antipoff – Apae, Centro de Orientação e Reabilitação e Assistência ao Encefalopata – Corae e Centro de Apoio ao Deficiente.

Coordenado pela Gerência de Inclusão, Diversidade e Cidadania da SME e acompanhados pelas psicopedagogas das Coordenadorias Regionais de Educação, as unidades subsidiam a aprendizagem dos alunos com deficiências, síndromes, Transtornos Globais do Desenvolvimento – TGD, altas habilidades / superdotação e dificuldades significativas de aprendizagem matriculados nas unidades educacionais. São atendidos 30 alunos com cegueira e 86 com baixa visão e, no total, a rede de inclusão atende 2047 educandos.

Mãe de Davi buscou tratamento desde os primeiros meses de nascimento
Mãe de Davi buscou tratamento desde os primeiros meses de nascimento. Fotos: Luiz Fernando Hidalgo

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