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Dá unidade? (foto Jackson Rodrigues)

Afinal, vai dar liga ou vai dar racha na oposição? A questão está na ordem do dia da disputa pelo governo de Goiás em 2018. Até agora, Ninguém dá mostras de que quer ceder

Vassil Oliveira

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Unidos venceremos ou desunidos perderemos? A questão pesa sobre a oposição em Goiás como uma espada afiada, apontada aos dois nomes que hoje a personificam como possíveis candidatos ao governo, em outubro: Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Viela (MDB).

Nenhum dos dois dá sinais de que vai recuar em seu projeto em nome do que seria uma razão superior, uma causa maior: a unidade. Principalmente: cada qual tem sua própria razão para justificar seu comando.

São públicas e afiadas as cobranças de faturas eleitorais e os discursos com retórica calculada para torcida organizada, que grita, esbraveja e cada dia mais se distancia da coalizão de forças. Ao contrário: torcida que levanta barricadas de confronto ‘amigo’ maiores que as que deveriam estar de pé contra o comum inimigo (veja quadro).

Caiado lidera todas as pesquisas de opinião e não vê sentido em abrir mão do que lhe parece mais do que um direito adquirido: um dever glorioso para finalmente vencer uma disputa direta com o governador Marconi Perillo (PSDB) que remonta ao pós-1998, quando, juntos, venceram Iris Rezende e o PMDB.

QD_unidade da boca pra fora

QD_MDB x DEM

Logo depois dessa virada histórica na queda pelo poder no Estado, encerrando 16 anos de mando peemedebista, Caiado e Marconi se desentenderam de tal forma que o tempo, em vez de curar as feridas, ergueu lápide para o que um dia pareceu amizade.

Ironia do destino: em 2010, o tucano tinha tudo para perder a unidade de seu grupo, com a dissidência do PFL/DEM. Foi o democrata, com a indicação do vice, que garantiu a marcha unida. O nome desse você? José Eliton (PSDB), que chegará ao governo antes dele (deve assumir com renúncia de Marconi em abril) e provavelmente será seu adversário em outubro, como candidato à reeleição.

Daniel não lidera pesquisa. Mas comanda o maior partido do Estado. Tem à sua disposição, portanto, um regimento que normalmente garante uma saída de cerca de 30% de intenção de voto a quem quer que seja o cabeça de chapa do partido. E tem o governo federal, que é do MDB, do seu lado. Ainda que com a imagem desgastada na opinião pública, governo é máquina eleitoral em mãos hábeis. E alguém duvida da habilidade eleitoral do atual grupo no poder?

E pouco se sustenta a visão de que Daniel enfrenta resistência interna e não conseguirá ser candidato. Um: ele tem os votos do diretório para uma eventual convenção para saber se o nome para o governo deve ser o dele ou de Caiado. Dois: por ora, a dissidência se restringe a um número reduzido de lideranças que produzem algum barulho – alimentado pelos governistas dispostos a ver fogo alheio –, mas que na prática muito pouco podem fazer para reverter o jogo interno.

Sobre o barulho das divergências, amplificado pelos governistas, o que se mostra indefensável para os dois lados: dizer que isso só ajuda o inimigo conjunto, e que é fazer o jogo externo, apenas reforça a divisão. Não dá razão a ninguém, porque o tempo já mostrou a divisão das oposições em Goiás nunca é fatalidade de promoção alheia; é antes resultado das escolhas pessoais de seus líderes.

É o tipo de coisa que só vira ato determinado pelo adversário se o interesse particular é exatamente este. Daí a pergunta: Caiado e Daniel querem mesmo se unir? Estão dispostos a sentar pra conversar, abrindo mão de tudo para ver com sai com nada – ou melhor, sai com a garantia da unidade acima de todos, por Goiás?

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Caiado já declarou que, sem o MDB, desiste da candidatura. Daniel já afirmou que vai até o fim. Nesses termos, só há uma solução: os dois serão candidatos. Caiado, montando uma frente de partidos – e ele tem conversado com vários, como PMN, PTC, PRTB, Patriota, PV, PSDC, PPL e parte do MDB. Daniel, juntando a legenda e, quem sabe, buscando o PT, inimigo figadal de Caiado, como aliado, o que já vem fazendo nos bastidores.

Sem a perspectiva da liderança nas pesquisas, Daniel tem a seu favor outro ponto: a perspectiva de alianças políticas pontuais. PSD, PP, PTB, SD e, como citado, o PT mostram mais disposição de conversar com ele do que com o democrata, visto entre muitos líderes partidários como de difícil trato para acordos. E o que é mais importante nesta fase da campanha: o apoio popular ou a atração daqueles que decidem o futuro das coligações a serem formadas?

Uma preocupação que perpassa toda essa discussão é a formação de chapas proporcionais. Quantos candidatos a deputado federal e estadual Caiado conseguiria reunir com uma candidatura solo? E Daniel? Juntos, certamente aglutinariam nomes entusiasmados por todo o Estado. Separados, ninguém sabe o que cada um vai conseguir.

Talvez esteja aí, inclusive, a oportunidade mais aguardada dos governistas: com a perspectiva de desunião dos inimigos, ‘vender’ a perspectiva de mais uma vitória, cooptando como candidatos a seu favor (soldados dispostos a lutar ao seu lado) dissidentes mais interessados na outra perspectiva, a de poder, do que na de mais uma possível derrota. Algo a se pensar. Para Daniel e Caiado pensarem.

Um lembrança: em 1998, o PMDB estava no poder, tinha de saída o candidato disparado nas pesquisas, contava com o apoio de algo como 80% dos prefeitos do Estado, e formou um exército considerável de candidatos a deputado estadual e federal. O que vimos: perdeu o governo, mas elegeu a maioria esmagadora de parlamentares. Que ano seguinte aderiam em peso ao novo governo, é verdade. Mas isso é outra história.

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