Rede estadual | Escola adere à inteligência emocional

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Objetivo é ajudar o estudante a desenvolver sua autonomia, a ter protagonismo, capacidade de trabalhar em grupo, além de aprender a lidar com as emoções

Fabiola Rodrigues
e Manoel Messias Rodrigues

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Este ano alunos da rede estadual de Goiás estudarão competências e habilidades socioemocionais. O objetivo é ajudar o estudante a desenvolver sua autonomia, a ter protagonismo, disciplina, capacidade de trabalhar em grupo. Com isso, espera-se que o aluno fique mais aberto a mudanças e desenvolva sua inteligência emocional, melhorando, assim, sua formação acadêmica e pessoal. Ao final, espera-se que o estudante se torne uma pessoa melhor, mais solidária, equilibrada, feliz e bem sucedida.

Essa é uma das grandes apostas para melhorar o nível educacional dos estudantes da rede pública estadual. Para conseguir tudo isso, os professores serão preparados ao longo deste ano para intervir positivamente em conflitos emocionais e incentivar cada estudante a se conhecer melhor. Cenas de diálogos, interação e dinâmica serão realidade nas turmas do ensino fundamental e médio das escolas estaduais.

Mais de 400 mil alunos serão assistidos de perto por 300 monitores espalhados nas 40 subsecretarias regionais da Secretaria Estadual de Educação (Seduce). Para que tenham acesso a esse modelo dinâmico de ensino, os estudantes receberão apostilas com exercícios de autorreflexão. Os professores serão capacitados para ensinar habilidades emocionais.

Marcelo Jerônimo, superintendente de Gestão Pedagógica da Seduce (Foto: Mônica Salvador)
Marcelo Jerônimo, superintendente de Gestão Pedagógica da Seduce (Foto: Mônica Salvador)

“Existem habilidades cognitivas e emocionais que precisam ser desenvolvidas durante a carreira estudantil do aluno. Para que o aprendizado aconteça, uma série de fatores devem ser trabalhos na vida do estudante, como objetivo, resiliência, aceitação, respeito, concentração e foco”, frisa o superintendente de Gestão Pedagógica da Seduce, Marcelo Jerônimo.

Com o novo conteúdo, espera-se atacar também a evasão escolar, um problema crônico da educação pública brasileira.

“Daremos mais atenção à qualidade do ensino para que o estudante encontre sentido na jornada escolar. Nosso intuito é fazer com ele veja sentido em cada matéria”, diz Marcelo Jerônimo.

No processo de ensino os alunos terão a oportunidade de fazer auto-avaliação a respeito do nível de rendimento escolar que vêm tendo nas aulas. Isso fará com que descubram o que devem fazer para ter um melhor aproveitamento.

Espera-se também que o estudante seja mais tolerante e respeite o próximo, prevenindo casos de violência dentro da escola. Neste sentido, o superintendente reitera a necessidade de falar sobre respeito mútuo.

“O ambiente escolar é local ideal para partilhar experiências. Muitos jovens sofrem com bullying, por terem alguma característica física, religiosa ou cultural que os diferencia dos demais. O adolescente emocionalmente inteligente saberá respeitar as diferenças e valorizá-las, colocando-se no lugar do outro, solidarizando-se com a dor e necessidade dele e construindo, assim, relações saudáveis”, observa.

As habilidades emocionais serão estimuladas nos alunos desde as primeiras semanas de aula deste ano. No primeiro semestre, serão trabalhados temas como engajamento, autogestão, amabilidade, resiliência emocional, entusiasmo e iniciativa social.

“Habilidades socioemocionais aumentam desempenho escolar”

Psicóloga Maris Eliana: “É preciso ensinar o jovem a administrar suas emoções” (Foto: Mônica Salvador)
Psicóloga Maris Eliana: “É preciso ensinar o jovem a administrar suas emoções” (Foto: Mônica Salvador)

Especialista em comportamento educacional, a psicóloga Maris Eliana considera o desenvolvimento das habilidades socioemocionais tão importante para a formação dos aluno quanto o aprendizado das tradicionais áreas como Matemática, Língua Portuguesa, História Geografia, pois, caso não sejam bem trabalhadas, as habilidades socioemocionais bloqueiam a capacidade cognitiva.

“O desenvolvimento das habilidades emocionais ajuda os estudantes a se tornarem mais focados e resilientes. Por consequência, eles se concentram mais no aprendizado, se interessam mais pelo conteúdo passado em sala de aula e o desempenho escolar aumenta significativamente”, explica.

A especialista observa que o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, usando técnicas da psicologia e da pedagogia, permite aos alunos reconhecer suas emoções e a maneira mais adequada de lidar com elas.

“A impulsividade e a ansiedade são emoções muito fortes entre os jovens e adolescentes e nem todos sabem administrá-las. E isso implica em problemas de relacionamentos interpessoal, de convivência, tanto dentro como fora da escola, mas é possível ensiná-los a ter mais controle e gerir isso de melhor modo”, diz.

Desta forma – diz a especialista – estimulando o desenvolvimento do controle emocional, a formação do estudante se tornará mais completa e contribuirá para que a educação moral seja mais sólida. Aprender sobre autodomínio ajuda para além dos muros da escola e servirá para as relações humanas ao longo da vida.

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