PSDB | Revertendo a situação

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Agenda positiva: Marconi e Eliton promovem vistorias, inaugurações e lançamentos de obras (Mantovani Fernandes)

Após início de ano problemático, Marconi e Eliton iniciam agenda positiva em meio a discussões sobre reforma administrativa

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Nem o mais pessimista dos aliados da base governista imaginava um início de ano tão conturbado para o governo estadual. Os motins realizados por presos da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, em Aparecida de Goiânia, que culminaram com mortes de 9 detentos, 14 feridos e mais de 200 fugas, criaram uma grave crise na imagem do governo.

Após encaminhar a resolução do problema em meio a visita da ministra presidente do Superior Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Carmen Lúcia; troca de farpas com o ministro da Justiça, Torquato Neto; e com criação de uma Diretoria-Geral de Administração Penitenciária e a desvinculação da Superintendência de Administração Penitenciária, o governador Marconi Perillo (PSDB) anunciou o início de uma agenda positiva tanto para ele quanto para o futuro governador José Eliton (PSDB), para os próximos meses.

Início de ano difícil Crise no sistema penitenciário trouxe Carmem Lúcia a Goiás
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As ações, que contemplam inaugurações e vistorias de obras que estejam sendo realizadas ou já em fase de finalização por parte da administração estadual, além do lançamento de pedras fundamentais de futuras obras, tiveram início na última semana e continuarão até o meio do ano, servirão para que a dupla Marconi e Eliton retome o controle da agenda governista, que se viu perdida nos primeiros dias do ano.

O ritmo dos trabalhos obrigatoriamente voltou a ser acelerado. Por três motivos: o primeiro, para mostrar a movimentação do governo, mostrar trabalho. O segundo, óbvio, serve para retirar o foco da crise dos presídios, que continua sendo assunto nas pautas das redações, embora com maior enfoque na resolução do problema. O terceiro – e talvez mais importante – é de tornar Eliton cada vez mais popular e alçá-lo nas pesquisas deste ano.

Além disso, a agenda positiva também tem servido para vender a ideia de que o programa Goiás na Frente segue a todo o vapor, em contraponto às críticas dos pré-candidatos da oposição – em especial do deputado Daniel Vilela (MDB), de que as obras não têm saído do papel e que os benefícios não estão chegando às prefeituras do interior.

De acordo com dados do governo, Marconi e José Eliton deverão entregar 38 obras em 23 municípios, além de quase 250 quilômetros de pavimentação em rodovias, em investimento de quase R$ 106 milhões.

A agenda se iniciou na segunda-feira, 15, com inauguração do Centro de Diagnóstico do Crer. Na terça, 16, foi entregue a Residência Assistencial que abrigará 23 pacientes moradores do Hospital de Dermatologia Sanitária e Reabilitação Santa Marta (HDS). Houve ainda o lançamento da pedra fundamental do Hospital Estadual do Idoso e anúncio da construção do Hospital Estadual do Homem.

Na quarta, 17, acompanhados de ministros do governo do presidente Michel Temer (MDB) – Moreira Franco e Alexandre Baldy – e do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), governador e vice goianos vistoriaram as obras do Sistema Produtor Corumbá IV, em Valparaíso. Quinta, 18, e sexta, 19, foram dias de entrega de obras rodoviárias.

Disputa acirrada Wilder Morais (PP), Lúcia Vânia (PSB) e Vilmar Rocha (PSD) travam corrida pela conquista da segunda vaga ao Senado na chapa governista
Disputa acirrada Wilder Morais (PP), Lúcia Vânia (PSB) e Vilmar Rocha (PSD) travam corrida pela conquista da segunda vaga ao Senado na chapa governista

Conversas para manter base unida

A visita a obras, além da agenda administrativa positiva, também tem servido para que José Eliton consiga aglutinar a base aliada em torno de seu nome. Exemplo foi na visita a Valparaíso, quando teve conversa ao pé do ouvido com o ministro Alexandre Baldy (sem partido) que encaminhou sua filiação ao PP, que poderá ocorrer já nesta semana.

A articulação com Baldy chega em um momento em que o senador Wilder Morais, presidente do PP, tem se afastado aos poucos do Palácio das Esmeraldas, por se sentir preterido na disputa que trava com Vilmar Rocha, presidente regional do PSD, e com a senadora Lúcia Vânia, presidente do PSB, na disputa pela segunda vaga ao Senado dentro da base aliada.
Como ministro, Alexandre Baldy chega cacifado na disputa pelo poder dentro da sigla, que, em sua maioria – leia-se deputados federais Roberto Balestra e Sandes Júnior – não escondem que preferem que o projeto do PP esteja aliado com a candidatura de José Eliton, embora Wilder tenha mantido conversas com Daniel Vilela nas últimas semanas.

Situação alheia ao do PP é a que passa o PSD. O presidente da legenda e ainda secretário da Secima, Vilmar Rocha, já defendeu publicamente a busca por outro nome que não o de Eliton para ser o candidato da base aliada neste ano. As declarações geraram constrangimento dentre governistas e praticamente selaram a saída do secretário de sua pasta.

Para que lado vai o PR Mofatto e Waldir não falam a mesma língua. Ela quer partido na base; ele já externou apoio a Caiado
Para que lado vai o PR Mofatto e Waldir não falam a mesma língua. Ela quer partido na base; ele já externou apoio a Caiado

A exemplo de Wilder, Vilmar também vem tendo conversas com Daniel Vilela, uma vez que se viu preterido na disputa pela vaga ao Senado. E também a exemplo de Wilder, Vilmar vem enfrentando resistência dentro do próprio partido, uma vez que nomes como o dos deputados Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel não escondem que pretendem permanecer na base aliada.

Outra dificuldade que José Eliton poderá enfrentar na composição de sua chapa é na disputa pela cadeira de vice, que é cobiçada pela ala pessedista comandada pelo deputado Thiago Peixoto, que busca a vaga; pelo PTB, que já afirmou por meio de seu presidente, deputado Jovair Arantes, que condiciona sua manutenção na base a poder indicar o nome para o cargo, e também pelo próprio PSDB, que tem a secretária da Educação, Raquel Teixeira, como ventilada.

Por fim, há ainda o PR, que também quer fazer parte da chapa majoritária, e que igualmente se encontra dividido internamente, com a deputada federal Magda Moffato não falando a mesma língua do deputado federal Delegado Waldir, que já declarou apoio público à candidatura de Ronaldo Caiado.

reforma administrativa

Reforma pode contemplar aliados

Uma das saídas para Eliton conseguir manter todos os partidos da base ao seu lado é contemplá-los na reforma administrativa que vem sendo planejada para ocorrer no final deste mês. E é exatamente o que o vice-governador tem feito desde novembro do ano passado, quando passou a conversar pessoalmente com líderes da base.

Presidentes de legendas menores confirmam que foram procurados por José Eliton e que conversaram com o vice. Um deles foi o presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, que foi convidado para voltar ao governo após flertar com o senador Ronaldo Caiado (DEM) no ano passado. Machado já comandou a Metrobus no início do quarto mandato de Marconi.
Outros que também vêm conversando com Eliton são PDT e PCdoB. Apesar de fazer parte da esquerda em nível nacional, ambos foram liberados por suas cúpulas nacionais para realizar qualquer aliança em nível regional. O PDT, no entanto, conversa ainda com partidos da oposição e de esquerda em Goiás, quer construir um palanque para Ciro Gomes no Estado.

O presidente regional do partido e ex-prefeito de Trindade, George Morais, no entanto, tem indicado que pode acertar a permanência do partido na base governista em função de pedidos de prefeitos da sigla e por cargos na gestão do vice. O anseio, no entanto, não é de toda a legenda. O deputado estadual Karlos Cabral, por exemplo, é contra o apoio.

O PSB, que há muito se aproximou de Eliton, deverá ser contemplado com mais uma pasta. O partido já comanda a Agência Goiana de Habitação (Agehab) e deverá comandar a Secretaria Cidadã, que também é desejada pelo PTB, que hoje tem em seu comando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, dirigida por Francisco Gomes.

Em levantamento de novembro último, em relação às mudanças no primeiro escalão, a Tribuna do Planalto apurou que a única certeza é que os secretários ou auxiliares que forem candidatos ao legislativo estadual ou federal em outubro de 2018 teriam de deixar o cargo até o final de janeiro. Esta seria uma imposição dos deputados estaduais e federais que buscarão a reeleição ao governador Marconi Perillo, que acatou o pedido.

Incumbido pelo governador a realizar a reforma – uma vez que irá assumir o poder dia 6 de abril – José Eliton não tem dado mostras, pelo menos publicamente, de quem pretende manter ou trocar. Mesmo assim, a Tribuna ouviu nomes ligados à base aliada na Assembleia e no governo e buscou fazer um levantamento sobre o que vem sendo discutido.

reforma administrativa3

Uma das incertezas é sobre a permanência do suplente de vereador em Goiânia Denício Trindade (SDD), que está no comando do Ceasa. Nas últimas semanas, o Solidariedade, por meio do vice-prefeito de Aparecida, Veter Martins, vem se reaproximando do MDB e tem mantido conversas com Daniel Vilela. Por isso, pode sair da base.

Há incertezas sobre quem fica e quem sai dentre os que não disputarão as eleições. Em entrevista à Rádio 730, no ano passado, Eliton não garantiu a permanência do secretário da Fazenda, João Furtado Neto.  Já Ricardo Balestreri (Segurança) e Jayme Rincón (Agetop) devem ficar. Raquel Teixeira (PSDB), da Seduce, caso dispute uma cadeira na Câmara Federal, deixa a pasta. Caso contrário, a tendência é permanecer.

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