Articulação | Foco na Câmara

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Foto: Divulgação

Depois de um ano sem líder, Iris busca um nome com perfil que aglutine uma base sólida na casa

O prefeito Iris Rezende (MDB) caminha para anunciar um líder na próxima semana e, assim, ter uma base parlamentar já para 1º de fevereiro, na volta do recesso da Câmara Municipal. Como vários vereadores estão viajando, o Paço Municipal prevê reunir pelo menos 25 parlamentares para uma conversa no final do mês.

O emedebista segue fechado quanto aos nomes preferidos para o posto, mas, nos bastidores os favoritos são os parlamentares mais moderados como Wellington Peixoto (MDB), Tiãozinho Porto (Pros) e Vinícius Cirqueira (Pros), a estes últimos pesa a parca experiência legislativa. Iris deve oficializar o escolhido e estabelecer uma sólida base aliada.

Focado em despachos administrativos, o prefeito Iris Rezende também abre agenda para atender vereadores em seu gabinete desde o início do mês. Vários parlamentares se revezam no Paço Municipal nos intervalos entre as reuniões do prefeito com auxiliares e audiências com representantes de entidades de classe.

Mesmo com dificuldades em votações, principalmente em matérias orçamentárias, a exemplo da votação que derrubou a atualização de parte da Planta de Valores aprovada em 2015, o prefeito encerrou o ano com poucos prejuízos consolidados.

A acertada decisão de judicializar questões “chave” como IPTU, ITU e “puxadinhos” salvou pelo menos R$ 100 milhões para os cofres e fez parecer brisa a ofensiva da oposição que plantou vento para colher tempestade na já combalida situação financeira herdada pela atual gestão.

O vereador Paulinho Graus (PDT) confirma que o Paço caminha para a consolidação de uma base, mas condiciona a decisão do líder à melhora na relação dos vereadores com algumas pastas, como a Saúde.

“É fundamental a abertura de espaço político para os vereadores. Os secretários atenderem melhor as demandas e sabem que somos o elo mais próximo com o cidadão”, destaca o parlamentar pedetista.

Iris reforça cotidianamente a importância de tratar bem os vereadores e o maior exemplo é o seu próprio comportamento. Dificilmente um vereador precisa aguardar para adentrar a sala do líder. A cordialidade de Iris é exemplificada pela presença constante de oposicionistas em sua órbita como os tucanos Anselmo Pereira e Dra. Cristina, esta última sempre inserida em quase todas as agendas positivas da administração.

Nos bastidores é dada como certa a saída de cena de Oséias Varão (PSB), aliado do secretário de Governo, Samuel Almeida, que deve perder apoio na articulação política com a Casa. Muitos dizem que a rejeição interna prejudica o pessebista, que colecionou desafetos em debates acalorados no ano passado. Outro fator que nada ajuda Varão é o perfil moderado que Iris prefere para o posto de líder.

Do lado oposto, Wellington Peixoto (MDB) soma aliados e tem uma imagem de discrição e articulado, Peixoto é um dos parlamentares mais queridos, além de ser experiente. “Um Carlos Soares da atual gestão”, define um outro parlamentar referindo-se ao ex-líder da gestão Paulo Garcia (PT) que substituiu Célia Valadão (MDB) após grave crise política, em 2014.

O fato do seu pai, Sebastião Peixoto, já ter presidido o Instituto de Previdência do Servidor Municipal (IPSM) e hoje estar à frente do Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais de Goiânia (IMAS) conta em desfavor de Peixoto . Afinal, Iris precisa contemplar mais grupos na gestão.

Wellington era favorito dos colegas, na eleição que escolheu Andrey Azeredo (MDB) presidente da Câmara, no início de 2017. Iris, no entanto, optou por Azeredo. O baixo número de parlamentares na bancada do MDB dificulta que o líder seja do mesmo partido que o presidente da Casa, visto que o terceiro é Clécio Alves, hoje rompido com a gestão.
Paulinho Graus (PDT) poderia ser uma saída, mas o próprio pedetista dá poucos sinais de que aceitaria ser o líder do prefeito na Câmara sem discutir condições.

A próxima reunião norteará se Iris Rezende terá paz em um ano importante que, dentre vários assuntos, será de votação do novo Plano Diretor, ou se repetirá a guerra travada em 2017, que ocasionou desgastes políticos e terreno fértil para a oposição nadar em águas claras e tranquilas.

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