Base Aliada | Dúvidas internas

0
1215

Divisões dentro de alguns dos principais partidos da base aliada serão o novo desafio o qual José Eliton deverá lidar, após concluir reforma administrativa nesta semana

Fagner Pinho

Passado o anúncio da reforma administrativa que o governador Marconi Perillo (PSDB) e o vice José Eliton (PSDB) irão promover nesta semana, com vistas ao segundo ter seus nomes de confiança no primeiro escalão quando assumir de vez o governo, no começo de abril, o foco de ambos passará a ser outro: aparar as arestas que dividem internamente alguns dos maiores partidos da base aliada.

Este cenário permeia nada mais nada menos que três dos quatro principais partidos da base de apoio do PSDB na Assembleia e, ao menos, nos últimos cinco anos em eleições estaduais. Tanto PSD, do ainda secretário Vilmar Rocha; PP, do senador Wilder Morais; PR, da deputada federal Magda Mofatto; demonstram divisões internas por diversas razões.

Clique aqui para ler a matéria em PDF
Clique aqui para ler a matéria em PDF

A exceção é o PTB, do deputado federal Jovair Arantes, que parece manter o partido unido em nível regional. Além destes, ainda há uma pequena divisão no PSB, hoje comandado regionalmente pela senadora Lúcia Vânia, que é nome praticamente definido para ocupar a segunda candidatura da base aliada na disputa pelo Senado, ao lado do governador Marconi Perillo. Ela remete apenas ao vereador e pré-candidato a deputado estadual da sigla Elias Vaz, que vem trabalhando para buscar apoio a candidatura de Daniel Vilela (PMDB).

As razões das divisões dos principais partidos da base são muitas. As principais e já conhecidas são por conta da insatisfação dos presidentes do PSD, Vilmar Rocha, e do PP, Wilder Morais, que esperavam estar no posto que hoje se encontra Lúcia Vânia, ou seja, favoritos a escolha na disputa pelo Senado.

Isso fez com que ambos se afastassem da base aliada e buscassem conversas com partidos da oposição, notadamente o PMDB, do pré-candidato ao governo estadual e deputado federal Daniel Vilela, uma vez que a chapa majoritária em torno de sua candidatura ainda continua em aberto. Apenas o deputado federal Pedro Chaves (PMDB) confirmou o desejo de se candidatar ao Senado. Vilmar, que nunca negou ter reticencias quanto à escolha de

Eliton como candidato da base, chegou a conceder duas entrevistas no final do ano passado, conclamando a base a escolher um novo nome para o lugar do vice. Chegou a conversar com alguns empresários sobre a possibilidade, mas não seguiu com o projeto. A iniciativa, porém, gerou grande desgaste na base.

Porém, se por um lado Vilmar e Wilder – que, inclusive, também manteve contato com o outro candidato da oposição, o senador Ronaldo Caiado (DEM) – buscam aproximação com a oposição, o mesmo não acontece com o restante dos partidos, que já começam a se movimentar buscando manter suas legendas na base aliada.

As movimentações mais claras neste início são dos deputados federais Thiago Peixoto (PSD) e Heuler Cruvinel (PSD), que tem mantido agenda direta com José Eliton para manter a Secima, comandada desde 2015 por Vilmar Rocha, nas mãos do partido. Thiago, que não deverá concorrer à reeleição na Câmara, busca ser indicado como vice de Eliton, em 2018, enquanto Heuler busca boa relação com o governo para buscar sua reeleição.

No PP a situação é parecida. Como o senador Wilder Morais esfriou suas tratativas com governo estadual, e aqueceu sua relação com os nomes da oposição, o restante do partido começou a movimentar-se para manter o PP na base.

Há uma movimentação dos deputados federais Roberto Balestra (que já criticou Wilder) e Sandes Júnior no sentido de manter o PP ao lado de Eliton.

Além disso, há outra movimentação mais silenciosa e articulada, que propõe a filiação do ministro das Cidades, Alexandre Baldy, ao partido, que faria como que ele chegasse à legenda para presidi-la, no lugar de Wilder.

Tal possibilidade, muito comentada entre aliados do governo, tem ganhado força nos bastidores da base aliada, uma vez que Baldy vem postergando sua filiação ao PP. Wilder, com a pulga atrás da orelha, já teria procurado o presidente nacional do PP, sendor Ciro Miranda, para sondar o rumor.

Página_4_ok.indd

Distante da base, PR tem divisão clara

Dentre as divisões internas, a do PR talvez seja a mais flagrante de todas as siglas que compõem a base. Rompido com o governo estadual desde 2016 quando não conseguiu viabilizar sua candidatura à prefeitura de Goiânia e saiu do PSDB atirando contra o governador Marconi Perillo, Waldir hoje é um dos maiores críticos da gestão marconista.

O posicionamento do parlamentar – que já declarou apoio a Ronaldo Caiado – tem gerado um imenso desconforto para a deputada federal Magda Mofatto, que comanda o PR em Goiás. E a insatisfação é tanta, que que Wladir está de saída para comandar o PSL.

A diferença do PR em relação aos demais partidos da base é que o discurso de permanência dentro do grupo aliado não é tão forte quanto a de outras siglas. Além de Waldir, o deputado estadual Dr. Antônio também declarou apoio a Caiado. Já o deputado Cláudio Meirelles não esconde que vive às turras com o governador, por ter sido preterido na escolha como conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios em 2015.

Outro deputado do PR, Álvaro Guimarães, já reclamou por não ter recebido apoio da base aliada quando chegou a ser ameaçado após a tragédia que culminou com a morte do ex-prefeito de Itumbiara, José Gomes (PTB), seu adversário nas eleições de 2016.

A própria deputada chegou a ser indicada por Jovair Arantes para substituir Eliton no cargo de vice em 2014, quando os partidos da base obrigaram o PP, então partido de Eliton, a participar do chapão para a disputa pela Assembleia.

Apesar do panorama negativo, o PR ainda conta com cargo no primeiro escalão – Leandro Garcia comanda a Agetur por indicação de Magda. Como ele deve permanecer na pasta, o PR pode continuar na base, mas certamente menor do que quando chegou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here