Memória afetiva

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Daniela MartinsDaniela Martins

Memória afetiva é uma coisa. Você ouve uma música, revê um objeto, sente um cheiro, experimenta um gosto e lá vai a alma viajar no tempo e trazer gente de volta. Gente que já vai longe. Gente que já foi aqui de perto. Gente que pode até estar por perto, mas que não é mais a mesma. Nem você é. E aí está o encanto das memórias afetivas. É impossível estar naquele lugar, naquele tempo, com aquelas companhias de novo. Impossível. Só que você se sente lá.

Dá saudade, bate nostalgia, um sentimento leve, suave, quase uma sensação de aconchego.

Cheiro de vó, bolo de cenoura com chocolate, pé de goiaba, pedalinho no domingo à tarde, jeans velho, camiseta puída, jogar bete descalço no meio da rua… aonde estão as suas memórias afetivas?

Aonde está você?

A gente se perde a caminho do trabalho, na volta pra casa, na tela do celular, em frente ao espelho sem se ver. Falta olhar para dentro. Falta reparar no seu tempo e saber respeitá-lo. Entender que o que hoje, por vezes, passa despercebido será memória afetiva amanhã. E que você, lá na frente, irá querer estar no aqui de agora.

Pisa no freio um dia desses. Olha pra dentro. Enxerga quem vai ao seu lado. Sente a vida. O tempo passa e tudo vira memória. Crie memórias extraordinárias, do seu jeito, você irá gostar de revisitá-las e poder dizer: ‘vivi ao máximo aquilo ali’.

Daniela Martins é jornalista

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