Entrevista | ‘PTB quer a vice, em qualquer chapa”

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Henrique Arantes – Deputado Estadual

Fagner Pinho

Clique aqui para ler a entrevista em PDF
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O deputado estadual Henrique Arantes (PTB) sempre foi reconhecido por seu posicionamento independente e nas ações, discursos e até em votações na Assembleia Legislativa. Não obstante, sempre é convidado, em tom de brincadeira, para passar para a bancada da oposição na Assembleia Legislativa. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, o segundo-vice-presidente da Casa trata basicamente das eleições deste ano, e aponta insatisfação sobre como seu partido vem sendo tratado pelo governo estadual durante os quase 20 anos de poder do Tempo Novo. Cobra maior reconhecimento por parte da base, afirma que o PTB será vice de qualquer chapa que o queira, e assevera: a oposição, unida, será imbatível em outubro. Confira a entrevista completa.

Tribuna do Planalto – Qual avaliação que faz de seu mandato?

Henrique Arantes – Foquei e vou continuar focando neste último ano na defesa do consumidor, transparência pública, fortalecimento dos municípios e do parlamento. Este último em especial neste momento no qual o governador vetou todas as emendas parlamentares, pois teremos que nos unir para derrubar este veto e articular para que os municípios talvez, e reforço este talvez, recebam as obras e verbas, pois para fazer não adianta apenas estar no orçamento, mas tem que ter recurso.

Como os deputados receberam o veto?

Ninguém gostou. Foi traumático, pois havia um acordo com o governo de que autorizaria cada parlamentar em emendar até R$ 3 milhões, que serviriam para adquirir ambulâncias, construção de quadras etc. E isso tudo foi vetado. Por isso, agora voltou a ideia que foi minha em outro momento, que é a do orçamento impositivo. Fiquei satisfeito com isso.

A justificativa foi não criar despesas para José Eliton, quando este assumir o governo. Mas não soa contraditório, pois trata-se do mesmo governo?

Ainda é o mesmo governo. Ele assumirá em abril, mas é o vice do governador Marconi. Ou seja, é o mesmo governo, o mesmo grupo, a mesma administração… O programa Goiás na Frente foi instituído por Marconi e será finalizado por José Eliton. Na verdade, quando há um projeto e uma programação, você trabalha de acordo com elas. Talvez o governador tenha pensado em focar apenas em seus projetos e não nos projetos dos parlamentares. E isso porque os nossos projetos, presentes nas emendas, são muito pequenos. Enquanto o governador se preocupa em fazer uma obra de R$ 18 milhões, R$ 20 milhões, ou seja, no macro, o parlamentar foca no micro, como cobertura de quadras, ambulâncias, custeio de insumos para a saúde, que são demandas dos municípios.

 Os deputados irão aceitar renegociar estes valores com José Eliton, quando ele assumir?

Nosso trabalho é focado no diálogo, na conversa. Não adianta ser radical, dizer que não aceita, pronto, acabou. A conversa faz parte e quando José Eliton se efetivar no cargo, ele precisará ter base na Assembleia e precisará, acima de tudo nessa governabilidade, de apoio político, pois possivelmente será candidato à reeleição. Certamente ele estará mais que disposto a negociar este acordo político com a Assembleia.

O senhor disse possivelmente a se referir à candidatura à reeleição de Eliton. Há a certeza de sua candidatura dentro da base aliada?

Falo possivelmente no sentido de que não houve as convenções. Mas os indicativos que tenho é de que ele será, de fato, candidato. Já escutei dele o desejo de ser, a direção do partido dele no mesmo sentido, e do maior líder do partido, governador Marconi Perillo, dizendo que sim. Não há dúvidas quanto a isso.

Ele terá a capacidade de unir a base?

É como assumir um time de futebol com 11 jogadores e todos querendo renovação de contrato. Penso que a situação é essa. Eliton assume o Estado e a base aliada, que tem diversos jogadores, cada um cumprindo sua função, e todos são membros e querem melhorias em seus contratos, resolver a situação de seu jeito. Cabe a ele articular e conduzir isso para manter a maioria absoluta destes jogadores e trazer outros para reforçar o time. Agora, esta é uma qualidade que vai partir do íntimo dele e que vai depender de sua capacidade de articulação.

O PTB continuará firme na base, mesmo se não tiver espaço na chapa majoritária?

O PTB faz parte da base desde 1998. Estivemos em todas as eleições ao lado de Marconi. Participamos da primeira e da segunda eleições de Marconi, da eleição de Alcides Rodrigues, e das eleições e reeleições de Marconi e Zé Eliton. Sempre nos questionam se somos base ou não. Só que sempre participamos do pleito como base. Em nossa chapa estava Marconi, estava Vilmar Rocha e José Eliton. Agora, se vamos participar em outubro, isso vai depender da uma reunião interna do partido e que vamos tomar a partir de abril. É claro que nosso grupo natural é esse que temos convivência de 20 anos. Isso fortalece para que haja este encaminhamento. Só que o partido precisa ser reconhecido de uma forma mais forte. O PTB, hoje, tem capital político e eleitoral muito maior do que tinha em 2014. Talvez, hoje seja o segundo partido da base. Por isso, colocamos como fator determinante [para permanência na base] que o PTB assuma a disputa de vice-governador na chapa que ele vá.

Quais são os critérios que o sr. utiliza para colocar o PTB como segundo maior partido da base, uma vez que só há um deputado estadual?

Hoje há apenas eu, mas elegemos cinco. E temos nas cidades goianas, Goiânia e Aparecida administradas pelo MDB, a terceira, Anápolis, administrada pelo PTB. A primeira do PSDB que é Águas Lindas, hoje é do PTB, administrada por Hildo do Candango. Temos Itumbiara, que é uma cidade muito importante. Temos aliados em várias prefeituras, como Goianésia, Senador Canedo… Ou seja, temos um grupo político com muitos líderes e líderes importantes. Esse grupo político não se resume apenas ao PTB. É maior que isso, pois quando se trata de composições, contamos com instituições, como Faeg, Acieg, ou seja, tudo isso demanda essa participação na chapa majoritária.

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Os outros partidos sempre foram contemplados. PP já foi vice. PSD também. Falta o PTB?

Exatamente. Queremos que o PTB tenha seu candidato a vice na chapa que seja. Nossos aliados naturais são o governador Marconi Perillo e o vice José Eliton, mas se não nos quiserem, nós vamos com essa mesma proposta para qualquer outra candidatura.

Essa condição será mantida pelo partido até o final?

Sim. Se acharem que não merecemos, procuraremos outro caminho.

Ou Ronaldo Caiado ou Daniel Vilela?

Pode ser. Qualquer candidato.

Não faz objeção a nenhum deles?

Não. Não temos brigas com ninguém. Não temos inimigos. Temos adversários, mas me relaciono muito bem com os parlamentares do MDB aqui. Votei no Iris no segundo turno em 2016, falo isso para todos. E falo também que tenho uma simpatia muito grande pelo [deputado federal] Pedro Chaves, que deve ser candidato ao Senado. Sou amigo do deputado Daniel Vilela, que foi vereador e deputado comigo. Não temos dificuldades nenhuma. Se não nos quiserem, podemos caminhar com MDB e caminhar com o DEM.

Mas no último ano o deputado Jovair Arantes concedeu entrevistas dizendo ter dificuldades em compor com Caiado. Não existe mais essa dificuldade?

Acho que não. Política tem que ser conversada. Não temos que fechar portas com ninguém. Deixar que um mal entendido que aconteceu há um ano ou dois anos, ou se um olhou torto para um em um dia qualquer na rua e não me cumprimentou, sirva para fechar um canal de comunicação. Isso não existe na política.

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A base ficou muito grande para que todos os partidos sejam contemplados?

Sei que há vários partidos na base e que há outros chegando. Mas sei que não há nenhum partido que tenha as qualidades que o PTB tem, nesta base. Cada um tem seu mérito, mas o PTB teve um resultado eleitoral muito importante nas últimas eleições municipais. Teremos também uma chapa de parlamentares muito competitiva neste ano. Tenho certeza que menos de três deputados não elegemos. Queremos fazer quatro, ou, com sorte, cinco deputados e repetir o que fizemos na eleição passada. Só que agora em uma chapa pura, que estamos desenhando. Temos um exército de prefeitos, apoiadores, vereadores e queremos fazer este encontro no próximo mês para mostrar a força do partido.

Por qual motivo, diante desta força, o partido não vem sendo contemplado, chegando ao fato do deputado Jovair Arantes ter se distanciado do governador após a eleição de 2014, além do sr. ter ficado em algumas votações contra o governo? Por que não há uma relação tranquila entre PTB e governo?

De nosso lado, sempre foi uma relação tranquila. Essa pergunta tem que ser feita ao governador em pessoa, para saber por que o PTB nunca teve o espaço que mereceu. Talvez teve o espaço de que mereceu na ótica dele, e na nossa ótica não. Talvez seja isso. Mas, com certeza, eu não posso te responder essa pergunta. Em meu ponto de vista, merecia mais.

Hoje a oposição tem a maior chance de voltar ao poder no Estado? Se conseguir, claro, se unir?

Sim. Se a oposição se unir, ninguém ganha dela. Se unir o MDB que tem uma grande militância e o Democratas, que tem uma grande representação com seu líder, o senador Ronaldo Caiado, ninguém ganha deles, pois mesmo você tendo um nome novo, que é o de José Eliton, mesmo utilizando uma metodologia de gestão completamente diferente, ele carrega 20 anos de desgaste político natural. Isso é difícil de ser revertido. Mas acredito que o jogo político está empatado. E neste cenário, com todos os nomes, qualquer um pode vencer.

O que pode fazer a base perder? A divisão, também?

A divisão da base pode fazer com que ela perca. A união da oposição também. Acredito que são esses os dois principais fatores. O terceiro é o andamento do programa Goiás na Frente. Ele vai ser fundamental para a reeleição de José Eliton.

Hoje o programa apresenta problemas?

Existe, sim, problemas. Alguns municípios encontram muitas dificuldades em emitir certidões, pois às vezes a Saneago não entrega a certidão, uma vez que o município deve à Saneago. Mas em contrapartida, a Saneago também deve aos municípios. Até fazer o acerto de contas, já se vão quatro meses. Não dá mais para assinar o convênio, que é até abril. Então, se puder assinar antes, poderá receber o recurso durante o período eleitoral e executar sua obra legalmente. Isso ajudaria bastante o vice-governador.

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O PTB espera ser contemplado na segunda parte da reforma administrativa. E caso seja contemplado, pode negociar, por isso, a desistência de ser vice na chapa majoritária?

Não temos que pensar em imediatismo. O ser humano muitas vezes pensa no agora e não daqui dez anos. É fundamental participar, até porque o governo nos deve bastante. O governador deve ao PTB isso, pois participou em sua eleição de uma forma grande, contribuiu e somou bastante, e não teve o reconhecimento que mereceu. Claro que esse reconhecimento poderia ser dado pelo vice-governador José Eliton, mas mesmo assim colocamos como fundamental a presença na vice. Até para o crescimento do partido, pois se pensarmos em 2022, com José Eliton não podendo ser candidato, nós poderemos ser candidato a governador.

O sr. citou que o PTB pode participar de qualquer uma das chapas. Há algum empecilho à participação do PT na chapa, por exemplo?

Só se o PT tiver algum problema conosco, pois nós não temos nenhum problema com eles. Podemos nos coligar com DEM, PT, PSDB, MDB. Não temos problemas com nenhum partido.

PTB espera receber algum deputado durante a janela partidária?

Sim. Esperamos um deputado. Talvez dois.

Quais?

Não posso revelar os nomes, para não constrangê-los.

O sr. vem trabalhando para manter as bases no interior. Tem preocupação de que nas eleições, colegas tentem tomar essas bases?

Isso já está acontecendo. Em vários municípios em que vou, onde encontro as minhas lideranças. Estive em um lugar onde meus amigos, que me auxiliam, me avisaram que neste ano tem chovido candidatos paraquedistas, candidatos a deputado, inclusive que nunca tinham ido lá. É a briga pela sobrevivência. Uma eleição é igual a uma corrida. O mais forte ganha e o mais fraco perde. E o fato de ser seu amigo não quer dizer que não vou competir com você. É natural. Não fico nem chateado. Faz parte do jogo. Já estão começando as brigas até na Assembleia. Mas as minhas bases não são fáceis de serem tomadas, até porque eu não dou assistência apenas nas eleições, mas sim nos quatro anos.

O partido passou por uma celeuma muito grande por conta da indicação da deputada Cristiane Brasil ao cargo de ministra do Trabalho. Como o sr. reagiu ao fato?

No começo, foi uma grande de uma sacanagem do juiz de Niterói, que barrou a posse da deputada. Como um juiz de primeira instância pode questionar uma escolha presidencial? Ela não tinha mandado de prisão nem nada. Devia um funcionário. Isso vai para a Justiça, bloquea-se algum bem e depois paga. Não houve necessidade disso. Depois houve a segunda etapa, a do vídeo. Ela não falou nada demais, mas o momento não era o ideal. Se ela estivesse em seu escritório, a repercussão seria muito diferente. Isso atrapalhou a situação.

O deputado Jovair Arantes está com um bom relacionamento com Cristiane e o ex-deputado Roberto Jefferson? Pois já houve atritos…

Sim. Muito bom. Bem republicano e democrático, sem celeumas.

Jovair indicará o novo ministro?

Ele já foi escolhido pelo partido. É Helton Yomura, que era o executivo. Estava na executiva do deputado Ronaldo Nogueira. Houve a reunião e o partido definiu pelo nome de Helton.

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