Iris é a saída

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Encontro | Emedebistas se reuniram com o prefeito de Goiânia, que consideram o ‘mediador’ da oposição / Foto: Jackson Rodrigues

Lideranças do MDB apostam no prefeito para pacificar a legenda

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), é tido como o nome capaz de unir a oposição para as eleições de outubro. Iris seria uma espécie de “mediador”. Tanto que na quinta-feira, 22, um grupo de prefeitos, deputados, ex-deputados e lideranças do MDB se reuniram com Iris em uma tentativa de pacificar e unir o partido.

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Iris se comprometeu a ajudar sempre que necessário o seu partido, mas deu pistas de que não vai mergulhar na sucessão, pelo menos no primeiro momento. “Nunca me omiti e podem contar comigo como conselheiro. Mas não esqueçam que minha prioridade é a gestão de Goiânia”, declarou o prefeito.

O prefeito de Catalão, cidade da região sudeste do Estado, Adib Elias (MDB), ressaltou que a visita foi, a priori, um ato de cortesia, mas confirmou que trataram de sucessão estadual. “Juntas, coesas, que é importante para a eleição, as oposições ao governo atual precisam se unir para vencer no primeiro turno”, defendeu.

Unidade

Adib Elias prega posicionamento partidário unificado das oposições para a eleição de outubro e acredita que Iris é o fator aglutinador. “Precisamos definir um candidato único e escolhemos Iris como instrumento maior, como aquele que vai fazer a reunião entre Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (MDB) para que possamos chegar num candidato único e as oposições ganharem a eleição”, ressaltou.

Apesar de não apontar preferência, o prefeito avaliou que o melhor nome será afunilado pelo grupo, que deve chegar à conclusão de que precisam, palavras dele,  caminhar juntos para montar uma chapa vencedora.

O deputado José Nelto (MDB) também confirmou o apelo das lideranças ao emedebista pela uma união do partido. “Iris ouviu todos os prefeitos, e nossa principal demanda é realmente pacificar e unir o MDB em Goiás. A preocupação também não é só ganhar, mas com a situação atual do Estado”, garantiu o líder da oposição na Assembleia Legislativa.

Nelto pontuou que a principal preocupação – caso a oposição insista em duas candidaturas – é que estejam fazendo ‘o jogo da atual gestão’. “Noventa e nove por cento do partido não aceita fazer o jogo do Palácio. A vontade da base é ter uma chapa oposicionista. Temos dois bons nomes, respeitados, Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, ambos gozam da admiração do MDB, mas precisamos afunilar”, reforçou.

A idéia do grupo é contar com a experiência de Iris para agir como “magistrado” na arbitragem do processo. “Iris é um líder respeitado, que tem a credibilidade de todo MDB Goiás e o único que pode pacificar e unir a legenda em Goiás. Nós acreditamos na experiência e responsabilidade do líder maior do MDB.”, concluiu. Ficou acertada uma nova conversação nesta semana com a base da legenda.

Iris: “Podem contar comigo como conselheiro” / Foto: Alberto Maia
Iris: “Podem contar comigo como conselheiro” / Foto: Alberto Maia

Na reunião, foram apontados os riscos da oposição em ambiente de divisão interna. É consenso, entre o grupo, que uma chapa única atrairia novos aliados e ajudaria na definição do reforço de aliados da gestão Marconi Perillo (PSDB) que hoje estão descontentes. Iris reforçou que tem responsabilidade partidária, e com o Estado, e se comprometeu a lutar por unidade.

Estiveram presentes à reunião os prefeitos Renato de Castro (Goianésia), Adib Elias (Catalão), Ernesto Roller (Formosa), Paulo do Vale (Rio Verde), Fausto Mariano (Turvânia), os ex-presidentes do partido Nailton Oliveira, Samuel Belchior e Luiz Soyer, além do deputado José Nelto, do ex-deputado José Essado e de outras lideranças.

ANÁLISE

Iris: de cobrado a cobrador da unidade

Vassil Oliveira

Aliados de Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (MDB) recorrem ao prefeito de Goiânia, Iris Rezende, como mediador da união das oposições. Desejo nobre e apresentado como universal, porém com intenção única e particular: ser anunciado como seu candidato e, com convencimento do outro a desistir.

E Iris? Iris ouve um, ouve o outro, e faz seu jogo. O movimento agora é objetivo: o prefeito, como mediador, é antes de tudo fiador da unidade, mas não seu construtor. A responsabilidade pela construção é dos diretamente interessados, que precisam se entender.

Sem isso, não há saída, já que nenhum deles admite abrir mão da candidatura, apesar de defender a unidade como único caminho para a vitória. Sim, os dois lados fazem o mesmo discurso; só discordam no essencial: o nome da convergência, para encabeçar a chapa.

Na terça, 20, Daniel afagou Iris colocando seu nome no diretório do partido, reinaugurado com festa e palanque. Na quinta, 22, prefeitos caiadistas do MDB foram ao Paço defender o senador como nome inevitável. O que ficou evidente, ao fim de tudo: com o afunilamento do prazo para as convenções, as razões de lado a lado aumentam, enquanto a possibilidade de aglutinação chega perto de zero.

Iris toma cuidado para não recair sobre seus ombros o ônus da eventual (ou provável?) desunião oposicionista, potencializado pela expectativa de que consiga juntar todo mundo. Isso ficou explícito no recado que deu: nesta hora, é preciso “responsabilidade”.

Iris tenta extrair inteligência emocional de onde sobra amadorismo eleitoral.

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