Entrevista | “Perdas são esperadas na base”

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Hélio de Sousa – Deputado Estadual
Fagner Pinho

Um dos nomes mais tradicionais do legislativo goiano, o deputado estadual Hélio de Sousa está em seu quinto mandato na Assembleia Legislativa, da qual já foi presidente por dois mandatos consecutivos. Apesar de ter nascido em Buriti Alegre, ele fez sua carreira política na região de Goianésia, cidade a qual foi prefeito em duas oportunidades. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, Dr. Hélio fala sobre sua saída do DEM, a perspectiva em relação à eleição deste ano e também sobre o futuro da base aliada, a qual acredita que deverá perder alguns apoios, devido ao grande número de partidos. Confira.

Tribuna do Planalto – Qual a expectativa em relação ao projeto dos cartórios, recebido na Assembleia? O senhor espera que haja grande pressão em cima disso?

Hélio de Sousa – É uma matéria polêmica, que vai levar para a Casa da Assembleia Legislativa um amplo estudo. Tivemos a entrada desse projeto no ano passado e só agora ele foi distribuído. Foi me solicitado pelo presidente da Casa, pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação, deputado Álvaro Guimarães, que fosse o relator, e o que eu tenho a dizer neste momento é que desconheço qualquer pressão. Até o presente momento, não recebi nenhuma ligação de quem quer que seja, me cobrando qualquer posicionamento. Mas independente de pressão ou não, esse projeto vai ter uma tramitação na Casa dentro daquilo que manda a lei. Nós deveremos, em primeiro momento, e já fizemos isso, encaminhá-lo para a Procuradoria da Assembleia Legislativa, onde um procurador e sua equipe estão estudando o aspecto legal, ou seja, o respaldo constitucional para nós que como parlamentares é fundamental. Posteriormente, uma vez com o sinal verde da constitucionalidade do pleito, vamos iniciar as audiências públicas, dependendo daquilo que for necessário, vamos ter tantas audiências quanto forem precisas. O que é fundamental: teremos a participação de todas as partes interessadas, donos de cartórios, Ministério Público, poder Judiciário e, principalmente, a sociedade.

O que o senhor pode fazer agora, como defender alguma bandeira, que não teve como fazer enquanto presidente da Assembleia?

Na verdade, quando você administra um poder, que é o caso do poder Legislativo, você fala em nome do poder e em nome dos 41 deputados, fazendo principalmente as condições para que esse poder, no meu caso e no caso do presidente José Vitti, tenha a credibilidade necessária junto à opinião pública. Esta era nossa determinação. Tivemos uma oportunidade, por 30 meses, de assumir a Presidência nesta legislatura e, com certeza, fiquei muito grato pela oportunidade que tive, pelo respeito que eu pude ter não só com os senhores deputados, mas com a própria sociedade como um todo, que entendeu os motivos das minhas ações.

Agora, como deputado, tenho uma responsabilidade de igual tamanho, porque envolve um mandato e pessoas que acreditaram em mim. Meu trabalho é tentar manter a credibilidade do meu mandato e, com certeza, honrar com muito trabalho, levar para as bases as conquistas que são possíveis e, com dignidade, terminar este mandato.

Na última entrevista que concedeu ao Tribuna o sr. afirmou que queria deixar como legado a entrega da nova sede da Assembleia e infelizmente isso não se concretizou. Quais foram os entraves?

Eu sempre fui cauteloso. Já ocupei cargos de decisões importantes, como prefeito de Goianésia por duas vezes, coordenador-geral da OVG e como secretário de Estado da Saúde. O motivo pelo qual eu não tive condições de concluir não foi de origem necessariamente de orçamento, mas sim quanto uma questão que para mim era preocupante e uma equipe que me assessorava me recomendou que um projeto que se iniciou em 2004, ou seja, naquela oportunidade, há 12 anos, teria que fazer adequações necessárias para a viabilizar aquilo que precisava ser feito. Só que essas adequações exigiriam novos aditivos e a minha equipe aconselhou que dentro daquilo que se entende na legislação não seria aconselhável. Fizemos um distrato amigável, dentro daquilo que manda a legalidade, de conhecimento público amplamente divulgado aos órgãos competentes. Eu diria que fiz o que tinha que ser feito. Agora, a gente acredita que o deputado José Vitti, já com esse compromisso de dar continuidade, deverá, então, traçar as metas daquilo que ele entende que é a conclusão daquela obra.

Será candidato à reeleição?

Entendo que a primeira resposta eu diria que tenho um mandato e honrar esse mandato. Agora, logicamente que nós temos uma representação muito ampla no Estado de Goiás, porque temos vários mandatos que fez com que a gente alicerçasse. Essas bases têm me cobrado uma candidatura à reeleição, que seria o pleito, e vamos trabalhar para no momento oportuno tomar a decisão.

Hoje, uma das grandes discussões dentro da base aliada é a grande quantidade de candidatos dentro do PSDB. Isso é um fator que dificulta?

Para mim, não. Eu sempre trabalhei muito forte. Já disputei cinco eleições para deputado, todas pelo Democratas que hoje não mais pertence à minha base, estou no PSDB desde 2016. Mas duas candidaturas que foram por sangue, em 1994 e 2006, e não tive nenhuma dificuldade, depois duas em coligação com o PSDB e a última coligação com o PMDB. Ou seja, são coligações todas muito fortes. Então, para mim não muda nada.

O fato de a oposição ter vencido em Goianésia, nas eleições municipais, não dificulta?

Historicamente em duas oportunidades, das cinco, a oposição administração o local. Nas duas a minha votação aumentou na cidade de Goianésia. Eu vejo que isso não é o problema para o momento.

O sr. vai dobrar com qual candidato a deputado federal?

Isso ainda faz parte de futuras composições.

Ficou alguma mágoa em relação à saída do DEM?

Eu diria que provavelmente não deixei mágoas com ninguém e também não tive motivos para ficar magoado. Tudo foi feito com diálogo, comuniquei ao presidente do partido, nosso senador Ronaldo Caiado, expliquei a ele os motivos pelos quais eu estava saindo. O motivo é público, não é nem uma questão do partido, é uma questão das minhas bases que, com certeza, de uma maneira maciça, essas bases estavam com o PSDB e que me cobravam que eu viesse, para não ter, como poderia acontecer agora, que praticamente inviabilizaria inclusive projetos, de eu ter o constrangimento de pertencer a um grupo político e estar ligado a outra sigla partidária.

Ronaldo Caiado tentou fazer com que o senhor permanecesse no DEM?

Ele foi muito ético, ele me escutou. Não teve nenhuma manifestação dele nem para ficar nem que concordava que eu saísse. Eu diria que houve dignidade da parte dele para entender os motivos que eu estava manifestando para sair.

A base aliada está unida em torno da candidatura de José Eliton?

Eu vejo pela Assembleia Legislativa, eu vejo pelos prefeitos e pelas principais lideranças daquilo que chamamos de base aliada. Praticamente, eu não diria unanimidade porque tem um ou outro nome destoante, mas eu diria que mais de 95% daqueles que compõe a base do governo Marconi Perillo acompanham a indicação de José Eliton e você vê que a disputa não é mais para saber quem vai ser o candidato a governador, já está definido: José Eliton. A análise é mais para saber quem vai ser o vice, quem são aqueles que vão compor a chapa de candidatos a senadores.

Como o senhor enxerga a possibilidade de José Vitti ou Alexandre Baldy serem cogitados como plano B?

Toda vez que alguém manifesta de uma maneira diferente daquilo que eu penso, eu faço uma análise e vejo que, nesse caso específico José Vitti manifestou sua contrariedade porque, do ponto de vista de hierarquia, a partir do mês de abril ele será o equivalente ao vice-governador do Estado e que necessariamente precisa ser ouvido. Eu vi mais nesse sentido.

Existe hoje uma insatisfação por parte da Assembleia em relação ao governo por alguns fatores, como o veto das emendas?

Vetar as emendas é o que historicamente acontece aqui na Assembleia Legislativa. Acontece todos os anos. Agora, o fato de você não estar sendo contemplado em suas emendas não impede que você busque o governo do Estado e solicite o atendimento do que está contemplado no Orçamento e que tenha a pré-disposição de atender nossas emendas.

Eliton não pode enfrentar um desgaste?

Se ele atender às nossas solicitações, que eu disse, mesmo vetadas nós podemos cobrar, porque estão no Orçamento os pleitos que temos que fazer, eu não vejo problema. Agora, eu vou trabalhar para defender o Orçamento impositivo. Ele acabaria com todas essas questões e daria, ao meu ver, uma dignidade para o parlamentar.

O senhor acredita que José Eliton terá condições de unir todos os partidos da base aliada?

Sim. Eu vejo que ele mostrou muita competência administrativa nas oportunidades que teve, como presidente da Celg, secretário de Desenvolvimento e de Segurança Pública. Esse é o lado técnico-administrativo. Agora, politicamente se ele deu conta com tantas pessoas importantes na base do governo, pessoas politicamente fortes, ele conseguiu que o nome fosse praticamente dentro de uma unanimidade, ele mostra que tem competência política, e eu não tenho dúvidas de que ele vai demonstrar isso a partir de abril, quando ele vai assumir o Estado e servirá de espelho para mostrar que, caso ele tenha outra oportunidade, ele vai manter uma desenvoltura que é o ideal para que se tenha um governo com credibilidade.

E as conversas de PP, PSD com a oposição?

Eu vejo que é natural. Um partido quer ocupar um espaço. Eu vejo que é papel nosso dar a esse partido o espaço que cada um tem dentro do seu peso político-partidário.

Não preocupa essa fuga dos líderes dos partidos?

Pela manifestação dos deputados, eu vejo que dentro daqueles que estão aqui nesse momento assegurados, provavelmente serão casos isolados que podem acontecer de não participarem da campanha.

Com o período da janela, vários partidos podem perder parlamentares?

Podem perder, mas eu diria que se tiver trocas de siglas aqui dentro da base, serão para siglas que também estão dentro da base. Ou seja, na hora de colocar o peso, seria o mesmo peso político para respaldar os projetos que temos para 2018.

Hoje uma das vagas ao Senado é de Marconi Perillo. O sr. acredita que a outra vaga está mais próxima de quem?

Eu diria que ela será muito disputada e aí dependerá competência daqueles que estão postulando. A expectativa Logicamente que se você tiver um grupo forte, que é o caso da base do governo, e já que vai ter opção de eleger um senador e a expectativa é que seja de Marconi Perillo, é o discurso de mostrarmos que quem elege Marconi pode eleger outro companheiro de chapa dele. Então, esse será nosso esforço, para que possamos ter uma vitória importante e mantermos uma presença muito forte no cenário nacional.

Quais seriam os critérios para esse segundo nome?

Eu vejo que é uma série de fatores, que eu não participo, mas independente eu entendo que vai ter muito bom senso nessa decisão. Qualquer que seja ela, vai fazer parte do meu programa de trabalho para 2018.

O sr. acredita que alguns dos nomes desse sair da base?

Eu vejo que você tem um projeto político, se você não conseguir o respaldo de um grupo político, eu até vejo que é um fato, não que seja normal ou natural, mas que passa a ser respeitado porque não foi dado aquele candidato a oportunidade que ele queria. Então, eu particularmente entendo que cada um tem seu projeto, e muitas vezes o projeto que não pode e não foi acatado por determinado grupo pode viabilizar para outro grupo político.

Haverá perdas esperadas?

Em política é sempre assim. Perdas são esperadas no grupo político da base. Agora, eu vejo que é uma decisão que não deverá desequilibrar o projeto da nossa base aliada.

Outros nomes como plano A ou B em relação a José Eliton e um deles é Otavinho Siqueira. Como o sr. avaliou o nome?

Não é questão de estar preparado. Eu tenho orgulho em representar uma região e lá a nossa cidade símbolo é Goianésia e lá eu diria que temos e vamos ter para agora e próximos anos dois nomes que são muito respeitados no cenário político de Goiás: Jalles Fontoura de Siqueira, presidente da Saneago, e Otávio Lage de Siqueira. Os dois têm como uma origem de um ex-governador que é símbolo até hoje do trabalho, do progresso, da determinação e que, a meu ver, se não for viabilizada agora, como está previsto que se afunila o nome de José Eliton, é um dos nomes que podem e devem ser trabalhadas para o próximo. Porque há uma cobrança de segmentos importantes da política goiana em todos os níveis de população, de segmentos organizados como empresarial, mas que nós entendemos que para este momento falar em plano B é tentar rachar uma base. Eu não trabalho, mesmo sendo admirador forte desses dois nomes, eu entendo que ficou decidido, inclusive a gente sabe que é uma vontade até da nossa própria região, nós temos um nome decidido e não podemos pensar em plano B.

Em relação às pesquisas divulgadas, até o momento a oposição está ganhando. O sr. acredita que tem a possibilidade de a oposição voltar ao poder, caso se una?

Se você fi zer uma leitura crítica que eu tive acesso até hoje, você vê que evidencia três nomes: na frente, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e José Eliton, em terceira colocação. Mas é uma análise deste momento e que tem um detalhe que poucos estão falando: essa pesquisa mostra que apenas 25% da população manifesta seu voto. Ou seja, tem um número de 75%, que é a massa que vai decidir a eleição, que ainda não manifestou. Então, eu vejo que a pesquisa atual é uma tendência do momento, de uma minoria que são 25%, mas quem vai decidir as eleições e desde 1998 nós acompanhamos essa sequência, não quer dizer que o fato de eu estar à frente hoje, eu vou ganhar amanhã. Historicamente isso não aconteceu e provavelmente não deverá acontecer nesta eleição de 2018.

O sr. acredita que existe uma data limite para tanto Daniel Vilela quanto José Eliton conseguirem decolar nas pesquisas?

Eu acho que eles já decolaram. Só o fato de eles serem lembrados por um percentual respeitável é interessante. Agora, essa data só terá validade na hora que você colocar o time em campo. Então, a pesquisa verdadeira é aquela que vai correr durante a eleição. Qualquer resultado de pesquisa nos meses que antecedem a data do início do embate, que será provavelmente 15 de agosto, não terá a validade, a fé, a credibilidade daquela que uma vez o time está montado, está em campo e aí vamos soltar aqueles que vão trabalhar a campanha.

Mesmo com o período de campanha menor, é possível?

É pequeno, mas é que nem uma gravidez, tem prazo para começar e prazo para terminar. Eu vejo que é muito tranquilo as condições, você tendo um grupo de trabalho, as possibilidades de mesmo em um prazo pequeno, levar sua mensagem. E como estamos dentro de um grupo forte, eu vejo que deverá ser um fato importantíssimo, não decisivo, para as eleições e possivelmente para consagrar uma postulação atual do vice- governador José Eliton.

Outra disputa está sendo entre a vice. O PTB alega, por ser o segundo maior partido da base hoje e outros pontos fortes, que se cacifa para fi car com a vice. O sr. concorda?

A gente tem que respeitar a postulação e ela é importante para que seja colocada na mesa para colocar uma decisão, mas nós sabemos que uma composição é muito interessante. O vice não é uma figura decorativa, ele tem que ter seu peso político. E esse peso político nem sempre traduz o peso político que o partido representa. Esse peso político pode ser simbolizado por quem será indicado.

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