Entrevista | “Quer um nome melhor que Baldy para vice de Zé Eliton?”

0
1245
Foto: Denise Xavier

Fagner Pinho

Prestes a assumir a presidência regional do Pros em Goiás, o deputado estadual Lincoln Tejota (PSD) acredita que a única vaga ainda em aberto na chapa majoritária da base aliada é a de vice de José Eliton (PSDB), uma vez que o governador Marconi Perillo (PSDB) e a senadora Lúcia Vânia (PSB) serão os nomes na disputa ao Senado nas eleições deste ano. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto na última semana, o deputado aponta o nome de Baldy como um dos melhores para a vaga, diz que o PTB precisa apresentar nomes, explica como foi sua articulação para chegar ao comando do novo partido e revela que será o principal nome na disputa a uma cadeira na Câmara Federal, uma vez que o goiano Eurípedes Júnior, presidente nacional da legenda, não disputará o cargo. Confira a entrevista completa.

Tribuna do Planalto – Como se deu a saída do Senhor do PSD para assumir a presidência do Pros no Estado?

Clique aqui para ler a entrevista em PDF

Lincoln Tejota – Estava aguardado o resultado da minha eleição em 2014, tendo uma votação expressiva, eu me candidataria a deputado federal. E isso aconteceu. Fui o terceiro deputado mais votado, fui o segundo da coligação, o primeiro do meu partido [em número de votos]. Naquele momento eu já havia comunicado aos meus prefeitos que eu seria pré-candidato a deputado federal, e que eles não fizessem compromisso com nenhum deputado, mesmo os deputados federais que eu tinha apresentado naquela eleição.  Tive cem por cento de adesão, todos os meus prefeitos, toda a minha base, ficaram comigo para deputado federal. Mas quando fui analisar a questão partidária, me encontrei com uma dificuldade grande. PSD tem dois bons nomes. Thiago Peixoto é, indiscutível, um excelente deputado federal, já é um deputado mandatário. Da mesma forma, o deputado Heuler Cruvinel. Eu não acreditava, porque o Vilmar [Rocha] é homem de palavra, mas tinha uma conversinha de algumas pessoas que gostavam de colocar intriga falando até da possibilidade do Vilmar vir a federal naquele momento. Isso me assustava, afinal estou lutando com o presidente do partido,  com dois deputado federais mandatários, que já têm emenda, que já estão costurando tudo em Brasília. Para mim era muito pesado. Foi quando optei, comecei a procurar uma alternativa. Nunca foi algo escondido, sempre discuti isso muito abertamente com o Vilmar.  Até hoje as práticas que tenho aplicado na condução do partido que vou assumir agora, com a janela partidária, a partir de hoje [quarta-feira, 7], mas vamos marcar um grande evento de filiação, tenho aplicado isso no partido. Então, comecei a procurar um partido, um lugar onde eu pudesse desenvolver o trabalho e colocar em prática tudo aquilo que já aprendi com Vilmar, e em outros partidos em que meu pai, minha mãe estiveram e que eu estive. Foi quando me surgiu o Pros. Até então o Vilmar me ligou, para eu falar com o [Gilberto] Kassab. Tive uma conversa muito boa, muito tranquila com o Kassab, que me deixou muito à vontade, e me falou ‘olha quero que você fique no partido, eu vou te ajudar’. Mas, na hora, a gente tem que buscar diminuir o degrau. O degrau de deputado estadual para deputado federal é muito alto. Estou concorrendo com pessoas fortes. Foi quando busquei o Pros e recebi sinal verde através do Eurípedes [Júnior]. Busquei, obviamente, referências e encontrei no Eurípedes uma pessoa de palavra. Claro, eu não ia sair de um partido que já tinha pessoas de palavras e ir para um partido em que não tinha segurança. Eu tinha de buscar justamente a mesma coisa ou mais do que tinha em casa. E foi aonde encontrei, encontrei um partido para me receber, um partido com anseio de formar um deputado federal do partido e, graças a Deus, as coisas foram só se encaminhando, se desenvolvendo. Tive a oportunidade de conversar com Vilmar Rocha, que entendeu minha situação e, claro, me pediu para ficar se possível, mas entenderia se eu saísse. Então, estou saindo de uma forma muito amistosa, muito tranquila. O Vilmar é uma referência minha até hoje, e está culminando na minha saída agora.

“Eurípedes Júnior já reuniu toda a executiva do partido e declarou que o candidato aqui em Goiás a Câmara Federal pelo Pros sou eu”

Como foi a negociação com o presidente Rodrigo Melo?

Foi muito tranquilo. Até porque quando o Rodrigo assumiu a presidência do partido existia uma conversa bem anterior entre ele e o Eurípedes de que ele assumiria interinamente. Como ele não era candidato a deputado federal, seria incoerente para o partido ter um deputado federal e não ter a presidência com um deputado federal. Se não fosse eu, havia outros que estavam querendo. A gente ouviu falar no nome do Jean [Carlo], do Professor Alcides, do próprio [Alexandre] Baldy. Não que isso tenha se confirmado, havia essa conversa na mídia e na rede social da fofoca política. E foi uma das questões que coloquei. ‘Eurípedes, não vou sair de um partido que estou bem, estou em casa, à vontade, para ir para um partido em que eu não possa comandar a sigla e imprimir o meu ritmo trabalho também porque, afinal de contas, tenho uma história para mostrar, tenho um partido que soma’. Foi quando o Eurípedes disse ‘vem, está muito tranquilo isso’. E fui muito bem recebido, Rodrigo Melo e Reginaldo Melo me receberam muito bem. São dois grandes parceiros que tenho e estão nesse projeto de fortalecer o partido e de construir algo maior.

Eurípedes vai ser candidato a deputado este ano?

Não. Ele já reuniu toda a executiva do partido, todos os presidentes do partido e já declarou que o candidato aqui em Goiás sou eu.

Quantos deputados a federal o Pros pretende lançar?

Quantos puder. Se tiver condições de lançar chapa cheia, vou lançar.

Em relação à Assembleia, vai continuar com chapa pura?

Chapa pura.

Pensa em eleger quantos?

No mínimo três. Se der errado hoje, nós vamos fazer três. Vamos ser uma das maiores bancadas aqui.

Sua esposa sairá candidata?

Não. Está completamente descartada a candidatura da vereadora Priscilla [Tejota] agora, hoje, para deputada estadual. A Priscilla é candidata a deputada estadual na próxima ou na outra, não em 2018.

O sr. falou da dificuldade, da disputa interna do PSD para deputado federal, que foi o principal motivo de ir para o Pros. Mas o sr. saiu em um momento em que o partido demostra estar dividido em três frentes: uma com com Vilmar Rocha, outra com Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel buscando uma vice, talvez, de José Eliton, e tem José Mário Schreiner que já está ligado com Ronaldo Caiado…

Não, não existe frente do PSD com José Mário Schreiner.

Se ele for candidato, vai sozinho?

Sozinho. Se José Mário Schreiner for, vai sozinho.

E como o partido vê isso?

José Mário, desde o começo, nunca escondeu a ligação com o senador Ronaldo Caiado. Ele fez campanha aberta e rasgadamente para Ronaldo Caiado nas eleições passadas. Nunca escondeu a posição dele. Para nós, isso nunca foi visto com muito bons olhos. Mas ele nunca escondeu. Não é um cara fingido, falso. Hoje é natural a caminhada dele com o senador Ronaldo Caiado, mas ele não leva ninguém do PSD com ele. Absolutamente ninguém do PSD com ele.

Ele vai deixar o partido?

Claro. Já deve estar deixando agora o partido e indo para o Democratas.

Durante esses quatro anos como foi a relação do partido com José Mário Schreiner?

Foi uma relação amistosa, ele é uma pessoa coerente, um cara de conversa boa, amigo. Nunca teve dificuldade comigo, com o Vilmar nem com ninguém. Pelo contrário, é um cara muito coerente, tranquilo, representa bem o segmento que ele luta por ele, que busca representar. Sempre houve muita tranquilidade.

“A segunda vaga ao Senado é de Lúcia Vânia. Esse martelo está batido. Está tudo definido. Mas eu acho que o melhor nome seria o de Wilder Morais”

Nesse momento, o sr. vê o senadoriável Vilmar Rocha mais próximo do Senado ou de ser suplente do Marconi?

É indiscutível o fato que o pré-candidato ao Senado Vilmar Rocha é um dos melhores nomes. É um nome muito preparado, muito capaz. Não tenho condições de te falar. Eu vejo que é natural que ele fique na base. Estamos aguardando para ver. Não sei te falar isso, não estou mais discutindo os rumos do PSD. Vilmar está conduzindo isso pessoalmente, e ele é muito hábil para fazer isso.

O sr. falou que Vilmar é um bom nome, mas parece que o governador não acha a mesma coisa…

Não, a questão não é essa. Hoje é um jogo de ‘vaca pariu’. Não adianta, temos dentro da base aliada uma vaga de governador, uma de vice, duas vagas de senadores e quatro suplências. A matemática é essa. Tem que buscar encaixar, haver um afunilamento para essas vagas serem preenchidas e haver uma união em cima dessas vagas. Não tendo essa união, outras opções são candidaturas avulsas ao Senado. Ou a pior delas que vejo, tem sido discutida e o próprio Vilmar levantou, e nesse ponto especificamente eu discordo dele, é a possibilidade de mais uma candidatura ao governo. Nesse ponto específico não concordo com ele. No mais, acho que o Vilmar é muito coerente. Quando a gente fala de base aliada hoje, Vilmar Rocha foi peça chave, foi pedra angular nesse ponto.

Mas quando Vilmar diz que defende uma nova candidatura, defende não em relação a ele ter espaço, mas com relação a ter um novo nome…

Não. Ele defende a dele. É claro, ele quer uma vaga para ele, quer sobreviver.

Mas a justificativa dele é que quer um novo nome…

E José Eliton não é um novo nome? Ele nunca foi governador, nunca concorreu de fato a uma eleição. É igual ao Wilder, vem falar que ele é outsider. Ele nunca foi vereador, nunca foi deputado. Ele era advogado. Beleza, ele entra como vice-governador, mas ele não foi candidato a governador, não foi o nome dele que foi posto à prova. E nesse quesito, dentro desse próprio pensamento do Vilmar, isso é uma vantagem.

E a justificativa dele de que José Eliton carrega consigo esse cansaço de 20 anos, esse desgaste?

Não concordo não. Esse cansaço… Nós estamos comparando dois momentos diferentes. As pessoas falam assim ‘ah, hoje o José Eliton é o Iris lá atrás’ e não é verdade. Naquela época nós pegamos um governo ruim. A saúde e segurança sucateadas, os serviços e os servidores públicos completamente desmotivados. Hoje temos a saúde que é referência no País, recebemos nove delegações internacionais, 11 governadores que querem conhecer o trabalho. Segurança é dificuldade em qualquer Estado, pois não existe vinculação constitucional para Segurança. Não é algo que ocorre há 20 anos.

O Estado demorou a perceber essa realidade?

Não. O Estado não demorou. Mas o problema é que a nossa polícia sem investimento, sem armamento pesado, vai combater traficante com fuzil AR-15, com AK-47? Estamos falando do escalonamento da criminalidade. Enquanto o policial sai do revólver 38 e passa para a pistola .40, o bandido sai da pistola .40 e vai para 9mm, para fuzil. Nós não damos conta de acompanhar isso, se não houver um investimento pesado por parte do governo federal.

“Já que quer a vice, que o PTB apresente os nomes que irão fortalecer a chapa. Não estou dizendo que eles não têm nomes, mas que apresentem”

A segurança será uma de suas bandeiras na campanha a deputado federal?

Será de todos os candidatos. Mas antes temos de discutir a reforma do pacto federativo. O municipalismo detém grande parte das obrigações, mas a maior arrecadação é do governo federal. É uma pirâmide invertida. Se não equalizarmos e trouxermos igualdade nesta pirâmide, estamos enrolados.

Voltando à sucessão estadual, como o sr. vê a disputa pela segunda vaga ao Senado? A senadora Lúcia Vânia está mais próxima?

A segunda vaga ao Senado é de Lúcia Vânia. Esse martelo está batido. Está tudo definido. Não tenho nada contra a senadora, mas acho que o melhor para a base na segunda vaga ao Senado seria que essa vaga fosse ocupada pelo senador Wilder Morais. Tenho uma grande proximidade com ele e sei da atenção que ele deu durante muito tempo para deputados estaduais, vereadores e prefeitos, algo que os senadores não fazem. Mas, o que tenho sentido é que não haverá espaço para Wilder dentro da base.

Ele irá para a oposição?

Fatalmente. Se não for candidato ao Senado – a não ser que ele desista, o que não tem demonstrado – irá para a oposição.

E em relação à vice? O PTB afirma que é o segundo maior partido da base e a reivindica. O sr. concorda?

Todo partido quer uma vaga na vice. O PTB é um partido grande que merece postulá-la. Jovair Arantes é um nome respeitado e forte na Câmara Federal, é um homem de palavra, que já tem um trabalho consagrado em nosso Estado. Agora, já que quer a vice, que o PTB apresente os nomes que irão fortalecer a chapa majoritária. Não estou dizendo que eles não têm nomes, mas que então apresentem, que estaremos prontos a aprovar. Jovair Arantes, Henrique Arantes são bons nomes, mas o PSD também tem bons nomes. O PP tem bons nomes, como o do ministro Alexandre Baldy. Quer um nome melhor que o de Baldy para ser vice de Zé Eliton? No PSD temos o Heuler Cruvinel. No PDT, você quer um nome melhor à vice do que o da deputada Flávia Morais? Temos vários bons nomes em nossa chapa, enquanto a oposição ainda está buscando esses nomes. Essa vantagem é nossa. Vejo que a vaga de vice seja ocupada por alguém que coloque algo na mesa. Que traga votos. Que seja agregador e que cisque para dentro.

O ministro Baldy é um bom nome ao governo?

Para governador, um bom nome é o de José Eliton. O nome do ministro ainda é um pouco novo, mas sabemos que política não é rocha. Ela é água. Resta- nos aguardar o rumo que o ministro irá tomar. Torço para que ele seja qualquer coisa, menos candidato a deputado federal, pois será um duro competidor, por sua competência e sua capacidade, da mesma forma que Flávia, que Heuler. Então, nosso desejo é que eles disputem qualquer outra vaga.

No PSD, entre os deputados Heuler Cruvinel e Thiago Peixoto, qual seria o melhor para a vaga de vice?

Acredito que o nome do deputado Heuler Cruvinel, pois ele representa uma região onde a base aliada não está tão agregada. As pesquisas nos mostram que temos que investir mais nas regiões sul e sudeste do Estado. Thiago tem representação em todo o Estado, mas sua força se concentra basicamente em Goiânia.

Hoje as pesquisas ainda apontam Ronaldo Caiado bem à frente de Eliton e de Daniel Vilela. Há uma data limite para o nome de Eliton decolar?

Não. Não acredito nisso. No passado, com Vilmar Rocha disputando uma vaga ao Senado aconteceu algo parecido. E candidaturas majoritárias têm essas peculiaridades. Erronea e tendenciosamente, as pesquisas apostavam Vilmar Rocha com 7% a 9% e quando abriram as urnas, não foi isso que aconteceu. O melhor nome para Goiás é o de Zé Eliton. Não é hora de mexer em time que está ganhando.

O que o sr. planeja para a data de sua filiação ao Pros?

Março é o mês do meu aniversário e quero comemorá-lo com a filiação ao Pros. Irei convidar vereadores parceiros, prefeitos parceiros, senadores, deputados… Temos presença confirmada de deputados federais de fora, que querem vir.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here