Iris cobra juízo. Caiado e Daniel pagam pra ver

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Iris em dois momentos: com Ronaldo Caiado em grande evento na Câmara Muncipal...

Vassil Oliveira

Prefeito se apresenta para a missão de colocar os candidatos da oposição para conversar, mas indica: dever da unidade é com eles

A presença do prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), no encontro de Ronaldo Caiado (DEM) com vereadores na Câmara de Goiânia, há duas semanas, contrabalançou os fartos elogios dele a Daniel Vilela (MDB) antes. Um e outro tiveram a atenção devida. E medida.

No evento com Caiado, Iris não defendeu a candidatura do senador, como não defendeu abertamente Daniel antes. Defendeu o entendimento. “Vou chamar os dois e pedir para se entenderem”, disse ele ao explicar o que entende ser seu papel neste processo de tentativa de unidade das oposições.

Ao discursar na Câmara, Iris deu seu testemunho das consequências da desunião. “Vivi na carne quatro derrotas sucessivas”, falou. E o MDB não sabe o que é ganhar o governo desde 1998, 20 anos. “Não temos o direito de errar.” Palavras iguais ele direcionou a Daniel em vários momentos, nos dias anteriores.

…e com Daniel Vilela, na reinauguração da sede do MDB em Goiânia: luta pela união.

Conciliador, Iris chegou a pedir “juízo” a todos da oposição, em entrevista. No evento de Caiado, assim que discursou, saiu. Não ficou para ouvir os que o sucederam. Estava claro que, ficasse no local, o evento se transformaria em conclamação para que apoiasse o senador. Porque todos ali eram caiadistas assumidos.

Iris lançou, mais uma vez, a mensagem necessária à vontade de unidade. Estar presente a atos de Caiado e Daniel é mostrar-se disponível para juntar, unir. É ainda comunicação direta ao seu partido de que advoga que todos estejam juntos já no primeiro turno.

Mensagem que se completa com a outra, dada providencialmente no instante em que se lançou na busca do entendimento oposicionista: a de que, sendo homem de partido, sempre escolherá o partido. Para bons emedebistas, estas palavras bastam.

O fato dessa declaração ter sido usada pelos apoiadores da candidatura de Daniel como definição de nome é só parte do jogo, assim como foi ato natural Caiado investir na presença de Iris em evento seu imediatamente. Nada de novo no front da batalha das pré-candidaturas.

Iris não vai construir a unidade passando atestado de traição à sua história e aos seus companheiros, ainda que os companheiros estejam divididos neste instante. Está nisso a responsabilidade de quem conhece bem os escaninhos das articulações políticas vitoriosas e, como disse, fadadas à derrota. Ele precisa ser, acima de tudo, fiel à sua história para juntar histórias tão diferentes quanto às do caiadismo e do emedebismo.

Dá até pra se dizer que Iris é mais Daniel, por ser MDB, mas ele é também Caiado, por estarem no campo aposto ao do atual governo. Fica evidenciado que a aposta do prefeito está na convicção de que não é preciso que ele entenda os dois nomes em jogo, e sim que os dois nomes cheguem ao entendimento estratégico. Mediador de fato, Iris não é garantidor de nada, a não ser do diálogo. A  unidade é tarefa, ou dever de Caiado e Daniel.

Não é um falando em unidade, mas esperando desistência do outro que a questão será resolvida. É cada um agindo de sua parte, o que cobra insistentemente da parte concorrente (e que seus apoiadores reverberam em palavras de ordem, que mais incitam a guerra do que promovem a paz): juízo.

Na semana passada, Caiado voltou a mostrar fôlego com acréscimo de partidos ao seu projeto. Hoje ele soma mais de dez numa possível coligação. A Daniel é cobrado o mesmo, o que não aparece. Aí um detalhe a definir o entendimento: na queda de braço interna, prevalece o mais forte. O risco é que um processo que deveria ser natural – a definição do melhor nome, em campo aberto, porém sem traumas – se transforme em implosão do sonho de vitória geral e irrestrita.

Unidade é construção de todos os interessados, e não vontade parcial. Começa pela disposição em abrir mão, em vez de descer a mão no que deveria ser tratado como companheiro. Iris está cumprindo sua parte na construção da unidade. E Daniel? E Caiado? Cada um faz seu jogo. O que não pode, indica o prefeito, é ambos perderem a partida principal derrotando, mais que a si próprios, a chance de vitória conjunta.

Em outubro, quem tem menos a perder é Iris.

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