Entrevista | “O nome que despontou é o de Ronaldo Caiado”

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José Nelto – Deputado Estadual
Marcley Matos, especial para a Tribuna do Planalto

Remanescente de uma bancada emedebista considerada mais oposicionista que a atual, principalmente em relação aos discursos mais duros contra o governo estadual, o deputado José Nelto (MDB) está organizando um grande evento na Assembleia Legislativa para esta terça-feira, 20, quando ele e ex-integrantes da bancada emedebista, além de prefeitos do MDB do interior, farão anúncio oficial de apoio à candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM).

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O encontro, entretanto, vem gerando grande polêmica dentro do partido, uma vez que o MDB já conta com uma pré-candidatura própria ao governo estadual, a do deputado federal Daniel Vilela, que conta com o apoio declarado de ao menos dois deputados emedebistas na Alego – Wagner Siqueira e Paulo Cézar Martins. Ambos, por conta disso, têm criticado a decisão de Nelto de realizar o evento na Assembleia, uma vez que, para eles, não se trata de uma decisão de bancada.

Nesta entrevista exclusiva concedida ao repórter Marcley Matos, especialmente para a Tribuna, Nelto defende a candidatura de Caiado, enumerando os motivos que fazem ele e os prefeitos do interior declararem apoio ao democrata.

Confira a entrevista completa.

Tribuna do Planalto – Qual movimento as lideranças do MDB estão programando para esta terça-feira, dia 20 de março?

José Nelto – É um movimento para unificar a oposição. É um movimento para fortalecer ainda mais a candidatura que hoje verdadeiramente é oposição ao Palácio das Esmeraldas, que visa a retomada do poder em Goiás, pondo fim a uma dinastia, a dinastia do Perillo, que é comparada à dinastia de [José] Sarney, no Maranhão. São 20 anos no poder e é preciso limpar as gavetas. É preciso tirar a sujeira de debaixo do tapete das Esmeraldas e mostrar para Goiás o prejuízo que houve ao Estado com esse governo ocupado pelo grupo de Marconi Perillo, com seus tentáculos em todos os setores da sociedade, em negócios e tudo mais. Então, nós queremos, neste momento, dar vida a uma candidatura que é de um aliado político. Não estamos apoiando José Eliton nem temos ligação com o Palácio. Temos um cordão umbilical cortado com o Palácio das Esmeraldas. Neste momento, o nosso cordão umbilical está literalmente ligado ao povo do estado de Goiás, que clama por mudança política. E nós queremos ser os porta-vozes dessa grande mudança que vai acontecer nas eleições de outubro.

Quem são os líderes do MDB que vão declarar apoio à candidatura do senador Ronaldo Caiado (DEM)?

Na verdade, gostaríamos de ter, e vamos trabalhar para ter ainda, a unidade. Não estou aqui falando mal de Daniel Vilela. Pelo contrário, respeito Daniel Vilela, respeito Maguito [Vilela. Mas neste momento o nome que está na boca do povo, o nome que despontou é o do senador Ronaldo Caiado. E nós não podemos ter duas candidaturas de oposição. Teremos a liderança de Adib Elias, que é o líder do MDB na região Sudeste do estado de Goiás; do líder do estado de Goiás, Ernesto Roller; no Entorno de Brasília, Renato de Castro, do Vale do São Patrício e Norte do estado de Goiás; Paulo do Vale, líder em Rio Verde; e todo o Sudoeste goiano. Temos também o presidente do MDB de Anápolis, o ex-deputado estadual José Essado.

“Vamos convencer todo o MDB do interior de Goiás, que está na oposição há 20 anos, sofrendo, sendo massacrados, humilhados, que o MDB será governo de verdade em Goiás com o senador Ronaldo Caiado”

Haverá mais lideranças emedebistas declarando apoio à candidatura de Caiado, ou será só esse grupo?

Não queremos neste momento trazer mais lideranças. Não faz parte do nosso planejamento político. Teremos outras reuniões e vamos convencer todo o MDB do interior de Goiás, que está na oposição há 20 anos, sofrendo, sendo massacrados, humilhados, que o MDB será governo de verdade em Goiás com o senador Ronaldo Caiado.

O grupo que apoia o senador não tem ligação com o governo estadual. Existe algum filiado do MDB que tenha ligação com o governo da administração de Marconi Perillo?

Eu disse que este grupo não tem. Eu posso falar por este grupo. Somos radicalmente contra a política nefasta do atual governador. Nós combatemos o bom combate, estamos combatendo e vamos ser protagonistas de uma grande mudança política no estado de Goiás. Esse é o nosso dever, nosso papel. Queremos por fim à mentira, à enganação, à corrupção, à ostentação e às mordomias em Goiás. Queremos resolver rapidamente o que chamamos de uma pauta social. O que é essa pauta social? É a segurança pública, a edução e a saúde, porque a população está morrendo pela falta de UTI em Goiás, em Goiânia. Queremos dar uma resposta imediata, tanto ao setor de segurança pública, ao setor de saúde e à educação. E dizer para a sociedade que esse modelo político adotado pelo atual governador de compra de líderes políticos com dinheiro público, de  gastos desnecessários de bilhões com a imprensa, em propagandas, esse império… isso acabou em Goiás. Teremos um novo rumo e uma nova política de muita austeridade e dizer mais ainda: nós não vamos permitir aumento da carga tributária, aumento de impostos. Vamos cortar na carne. O poder público, seja Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunais, altos salários… nisso nós vamos mexer sem dó e sem piedade, porque temos dó e piedade do trabalhador que está desempregado, e o assalariado que não tem dinheiro para comprar a sua cesta básica, para pagar água e energia. É hora de fazer justiça social. Portanto, nosso intuito é de fazer com que Goiás possa sair das páginas policiais e ir realmente para uma pauta de política nacional.

O prefeito Iris Rezende disse, em encontro com deputados e vereadores, que se colocou distante entre os dois nomes, Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, para que ele possa buscar a unidade. Esse grupo que vai declarar apoio ao senador conversou com Iris Rezende, tem diálogo?

Conversamos com Iris Rezende Machado, conversamos com Maguito Vilela, queremos o diálogo, continuaremos buscando o diálogo, continuaremos buscando a unidade da oposição e o fortalecimento da oposição. Nós já perdemos cinco eleições, não podemos achar que o MDB tem um patrimônio e monopólio da verdade. O candidato tem que ser só do MDB? Não. Isso está errado. A gente tem que ter humildade, calçar as sandálias da humildade.

“Sou do MDB, criei o MDB há 32 anos, mas neste momento, você tem um nome que é aliado do MDB. Se foi adversário no passado, é coisa do passado. Não se pode fazer política olhando no retrovisor”

Como definir o candidato de oposição, então?

Se o candidato do MDB tem chance de ganhar a eleição, tem que ser o candidato do MDB. Mas e se for o outro? O candidato do DEM, que é um candidato aliado, porque a aliança que foi feita em 2014 continua, não foi desfeita. É como a guerra das duas Coreias, do Sul e do Norte. A guerra ainda não acabou, não foi assinado um tratado final de guerra. Então, quero fazer outra comparação aqui. Você pode dizer “o deputado está ficando maluco”, mas, por exemplo, para acabar com a Segunda Guerra Mundial, qual instrumento foi usado? A bomba. Quem usou? Os Estados Unidos, para deter a fúria do Japão. Quem sabe essa bomba que vamos agora anunciar nesta terça-feira, dia 20, seja uma bomba para pacificar o MDB e unir a oposição?

O deputado Wagner Siqueira usou a tribuna e pediu para que o senhor não participasse do ato desta semana…

Respeito muito o deputado Wagner, que é meu amigo. Respeito toda a bancada. É uma posição dura, difícil de ser tomada.

Segundo ele, não é uma decisão da bancada. Como o sr. vê essa posição?

Faço parte de um grupo político dentro do partido, dentro do MDB, com o qual venho conversando há quatro anos. É um grupo formado pelos prefeitos Adib Elias, Renato de Castro, Paulo do Vale, Ernesto Roller, Fausto Mariano e do presidente do Diretório de Anápolis, Eli Rosa. Estamos conversando e tentando um acordo há mais de um ano. Então, chegou o momento de tomarmos uma decisão política. Posso pecar pela minha ação, mas jamais pela minha omissão. Não me omito, sou um homem de posição política, posições claras e posições a favor da sociedade. Jamais tomarei posição a favor dos poderosos, do crime organizado e de pessoas desonestas. Não faço política com esse tipo de político. E o senador Ronaldo Caiado tem uma imagem positiva, nada contra seu passado político, sempre um homem corajoso e que tem as mãos limpas, não tem as mãos sujas pela corrupção. Se tivesse, não teria o apoio deste grupo.

Há quem diga que o MDB e o grupo de Ronaldo Caiado eram inimigos no passado e que não pode haver essa aliança. Isso foi pacificado na eleição de 2014?

Isso é conversa mole, conversa para boi dormir, para quem não tem o que fazer, de quem não sabe o que é política. Vou dar um exemplo claro: Sarney era presidente do PDS, Tancredo Neves e Ulysses Guimarães do MDB. Sarney largou o PDS e veio para o MDB para fundar a nova República com Tancredo Neves. Eram inimigos, adversários. Então, isso é coisa do passado, é conversa de quem não tem o que falar. Quando o senador Ronaldo Caiado veio para o MDB, o MDB elegeu ele. Como o MDB elegeu ele? Quem elegeu ele, o povo goiano que elegeu o senador Ronaldo Caiado. Ele veio para cá, trabalhou, honrou a nossa aliança, está na oposição, é hoje um opositor à política do governador Marconi Perillo, porque não podemos valorizá-lo e achar que o MDB tem o monopólio da verdade, tudo tem que ser do MDB? Eu sou do MDB, criei o MDB há 32 anos, mas neste momento, você tem um nome que é aliado do MDB. Se foi adversário no passado, isso é coisa do passado. Não se pode fazer política olhando no retrovisor. Se você olhar no retrovisor, acaba batendo no primeiro poste que estiver à frente. Então, você tem que fazer política com inteligência, fazer política somando e multiplicando. E tem uma turma do MDB que só sabe perder eleição e só faz política ciscando para fora.

“Meu trabalho hoje e minha grande luta são para derrotar José Eliton e derrotar Marconi Perillo.”

Pode haver alguma interferência do MDB nacional na disputa em Goiás?

Acredito que não. Nós nunca interferimos na disputa do MDB nacionalmente. O MDB tomou a posição que quis e nunca consultou a base, e aqui vamos tomar a posição que achamos que é melhor. Agora, hoje, o apoio do [presidente] Michel Temer, quem tiver é como ter o apoio de quem está se afogando, é o abraço de afogados. É um apoio que ninguém quer. Um presidente impopular, envolvido com tudo quanto é tipo de ‘maracutaia’ e corrupção, e acabou juntamente com o grupo de Geddel Vieira, Romero Jucá, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, Moreira Franco, essa turma não representa o MDB verdadeiro. Então, não damos nem bola para esse pessoal, queremos que esse pessoal saia fora da República e vá embora para casa. Quem não for para casa, vá para cadeia. E nós queremos moralizar o Brasil.

Não há nenhuma possibilidade?

Nosso grupo é ético, queremos o melhor para Goiás e para o Brasil. Então, Michel Temer, qualquer posição que ele tomar, se nos expulsar do partido, tomamos outro caminho. Winston Churchill, quando era candidato no Reino Unido, o partido fechou as portas para ele. Ele andou do outro lado do corredor, bateu na porta de outro partido e foi candidato. Foi o ministro que derrotou o nazifacismo. Portanto, queremos dizer ao presidente Michel Temer que se ele interferir em Goiás, vai ficar pior ainda.

O sr. é candidato a deputado federal ou senador?

Ainda vou definir o meu projeto político. Hoje sou pré-candidato a deputado federal ou posso ser candidato a senador da República para enfrentar o governador Marconi Perillo. Posso entrar no debate para derrotar o Marconi. Meu trabalho hoje e minha grande luta são para derrotar José Eliton e derrotar Marconi Perillo.

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