Incertezas tucanas

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Alego ficou pequena para a quantidade de tucanos que querem uma de suas cadeiras

Fagner Pinho

Abertura da janela partidária gera dúvidas sobre futuro do principal partido da base aliada na Assembleia. Mudanças são esperadas

Ao contrário do que ocorreu na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa o PSDB cresceu demais nos últimos três anos e meio. Durante este período a principal legenda da base aliada – segundo maior partido de Goiás – atraiu novos adeptos e inflou o número de cadeiras no legislativo estadual.

Foram quatro anos de conquistas e de celebração, afinal, dos sete deputados eleitos em um universo de 35 em 2014, hoje os tucanos contam com nada mais nada menos do que 13 parlamentares. Aumento de quase 100%.

O problema é que hoje a sigla cresceu demais, a ponto de assustar possíveis novas filiações, bem como permanência de nomes menos expressivos dentro do ninho tucano. E este tem sido o maior desafio do comando do PSDB no Estado e, claro, do próximo governador, José Eliton (PSDB): como manter tantos nomes para a disputa deste ano.

Senão vejamos: além dos 13 parlamentares que poderão tentar a reeleição, de fora ainda surgem nomes fortes, como o da vereadora Dra. Cristina; do ex-vereador Gian Said; do ex-secretário de Governo, Tayrone di Martino, que desistiu da disputa por uma cadeira na Câmara Federal; e do presidente da Juceg, Rafael Lousa, dentre outros nomes.

O fato vem gerando ao menos quatro reações diferentes na legenda: a primeira dela é a dos que “dão de ombros” para a realidade. Neste estão inseridos parlamentares de base forte, como o ex-secretário Talles Barreto; o ex-presidente da Assembleia Doutor Hélio de Sousa; o atual presidente da Assembleia, José Vitti; Francisco Júnior, líder do governo; e a ex-prefeita de Valparaíso, Lêda Borges. Estes acreditam já ter reeleição garantida.

A segunda reação é daqueles que hoje fazem parte da sigla, mas que consideram uma mudança para outra da base ou mesmo para outra da oposição, uma vez que a reeleição se tornou muito mais difícil depois da chegada dos colegas de partido, ocorrida nos últimos três anos. São eles o radialista Manoel de Oliveira, que apesar de ter sido o mais bem votado em 2014, não deverá repetir a façanha neste ano; e o deputado anapolino Carlos Antônio, que foi um dos neófi tos nos últimos anos. Estes cogitam mudança de partido.

A terceira reação remete aos possíveis novos tucanos que poderiam chegar ao partido durante o período da janela. Estes têm toda a vontade de se juntar ao ninho tucano, mas, como querer não é poder, há uma resistência na filiação, uma vez que poderá custar-lhes a reeleição. Nesta realidade se encaixam deputados como Eliane Pinheiro, hoje no PMN; Simeyzon Silveira, hoje no PSC; e Lucas Calil e o suplente Santana Gomes, hoje no PSL.

Há uma quarta reação, esta com um representante único na Assembleia. Trata-se do deputado estadual Iso Moreira, reconhecidamente uma das maiores forças tanto do Entorno do Distrito Federal quanto da região nordeste de Goiás. Iso tem dito a aliados mais próximos que poderá deixar não só o PSDB, mas também a base, pois acredita que a chegada de tantos “aliados” tem gerado atritos, uma vez que muitos estão tentando entrar em suas bases, construídas em anos de atuação.

Saída

A saída do PSDB seria a formação de uma chapão único entre os demais partidos da base aliada, como ocorreu em 2014, mas essa possibilidade se torna cada vez mais difícil, uma vez que as siglas que compõem a base estão planejando, em sua maioria, lançar chapa pura para a disputa.

Isso já foi dito publicamente por ao menos dois partidos. O Pros, que recentemente foi o destino do deputado estadual Lincoln Tejota, ex-PSD, que irá disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. O outro será o PTB, do deputado estadual Henrique Arantes, que também cogitou a possibilidade de lançar chapa pura.

Lincoln, inclusive, em recente entrevista concedida à Tribuna do Planalto, afirmou que seu partido pretende lançar mais de vinte candidatos a deputado estadual e que pretende eleger, no mínimo, três deputados. “Essa é nossa meta. Iremos lutar para ter uma das maiores bancadas da Assembleia”, disse.

O caminho deverá ser seguido pelos outros partidos da base, como o PP, o PSB, o PR e o PSD, que até o momento não cogitaram formação de um chapão na base. Isso, claro, se não houver mudança de lado, com legendas deixando a base e seguindo para a oposição. PSD, PP e PTB têm conversado com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado, por exemplo.

Mudanças

Com o partido inflado, é normal que haja o surgimento de movimentações. A primeira delas é a de possibilidade de saída de nomes do PSDB. A mais clara, até o momento, é a do deputado Mané de Oliveira. Eleito em 2014 com mais de 62 mil votos em meio à comoção da morte de seu filho, o radialista Valério Luiz, morto a tiros em uma emboscada quando saia do trabalho na Rádio 820 AM, em 2012.

Sem perspectivas de buscar a reeleição quatro anos depois em meio a tantos nomes do partido, o deputado chegou a anunciar que não iria concorrer à reeleição. Mas o potencial de seu nome chamou a atenção de siglas concorrentes, em especial da oposição, mas também hoje ligadas à base.

Convites surgiram e o que mais o atraiu foi o do MDB, com o qual vinha conversando. No partido de Daniel Vilela, Mané poderá fazer dobradinha, como já vem dizendo, com o radialista Jorge Kajuru (PRP).

Coincidentemente o outro nome que deverá sair do PSDB é o do também radialista – também da área de esporte assim como Mané de Oliveira – Carlos Antônio. Filiado há dois anos ao ninho tucano, Carlos Antônio foi eleito pelo Solidariedade, teoricamente um partido de oposição, uma vez que esteve na vice do hoje prefeito de Goiânia, Iris Rezende, em 2014.

Mas desde que assumiu sua cadeira na Assembleia, Carlos deu sinais – muito claros – de que trabalharia pela base do governador Marconi Perillo (PSDB). O primeiro sinal foi sentar-se à direita no plenário. O segundo, anos depois, foi deixar o Solidariedade e fi liar-se ao PSDB. Hoje, sem espaço na chapa, negocia sua ida ao PTB, a convite do deputado Jovair Arantes.

Neófitos evitam se filiar

Há quatro casos específicos ligados ao PSDB que também chamam a atenção na Assembleia. Trata-se dos deputados ligados à base aliada, filiados a partidos que já declararam apoio à candidatura do senador Ronaldo Caiado. São eles, Lucas Calil e Santana Gomes, hoje suplente, filiados ao PSL; Eliane Pinheiro, filiada ao PMN; e Simeyzon Silveira, filiado ao PSC.

Lucas Calil já afirmou que deixará o PSL e se filiará em outro partido da base. Logo seu passe foi cobiçado pelo PSDB, mas dois impedimentos frearam o namoro entre o jovem parlamentar e os tucanos: a concorrência na legenda e o fato da quase totalidade do apoio do deputado partir das fileiras do PP.

Lucas foi eleito com apoio do eleitorado de Inhumas, ligado ao deputado federal Roberto Balestra (PP) e ao hoje prefeito Abelardo Vaz (PP). Seus votos partiram da cidade, embora Lucas seja também muito ligado ao presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop), Jayme Rincón, que é filiado ao PSDB. Mesmo assim, o caminho natural será o PP.

Eliane Pinheiro, por sua vez, foi eleita total e completamente com o apoio do governador Marconi Perillo, do qual foi chefe de gabinete. Sem nunca ter disputado um cargo eleitoral, foi eleita com mais de 19 mil votos.

Fiel a Marconi, o caminho natural da deputada, que pouco se destacou publicamente, seria o PSDB. Porém, o inchaço na legenda também inviabilizou a possibilidade. Eliane, agora, trabalha para se filiar a outro partido.

O terceiro caso é relativo ao deputado Simeyzon Silveira. Filho do apóstolo Sinomar Silveira, Simeyzon teve boa parte de sua carreira política ligada à oposição, ora com Ronaldo Caiado, ora com o ex-prefeito de Senador Canedo, Vanderlan Cardoso (PSB).

A saída de Simeyzon se deu pelo fato da família do pastor Oídes do Carmo tomar o poder no PSC, que passou a ser comandado pelo irmão do pastor, Eurípedes do Carmo, ex-prefeito de Bela Vista. Sem espaço na sigla ele buscou aproximação com o vice-governador Zé Eliton e pode ainda se filiar ao PSDB, embora também possa enfrentar dificuldades na reeleição.

Até lá, o partido continuará buscando manter deputados em sua fileira. Para tal, deverá buscar aliança com demais partidos da base, formando, ao menos, dois chapões, o que aumentaria a probabilidade de eleição de deputados tucanos. Mas isso dependerá de diversos fatores – passando, também – pelo posto de vice de José Eliton.

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