Entrevista | “O PSD irá decidir qual candidatura majoritária apoiar mais à frente”

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Francisco Júnior – Deputado estadual

Fagner Pinho

Um dos principais nomes de seu partido, o deputado estadual Francisco Júnior (PSD) afirma, nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, que, ao contrário do que muitas peças políticas pensam, sua sigla não está indecisa. O PSD, explica, após decisão tomada internamente, irá definir mais para frente qual chapa majoritária irá apoiar dentre as três apresentadas até o momento, encabeçadas, por enquanto, pelo vice-governador José Eliton (PSDB), pelo senador Ronaldo Caiado (DEM) e pelo deputado federal Daniel Vilela (MDB). De acordo com ele, até o momento de tomar essa decisão, o partido permanece na base aliada, onde caminha desde sua criação. Durante a entrevista, Francisco Júnior também aborda outros pontos, como sua decisão de concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, sua ligação com a Igreja Católica, sua impressão de como José Eliton se portará quando assumir o governo estadual no próximo mês, a realidade dos deputados dentro da Assembleia Legislativa e a desfiliação do ministro da Fazenda, Henrique Meireles, do PSD, e sua consequente filiação ao MDB para disputar a presidência da República. Confira a entrevista completa.

Tribuna do Planalto – Como o PSD está se organizando para a reta final de filiações, já que dia 7 de abril é a data limite? Considerando também que foram eleitos vários deputados estaduais pelo PSD em 2014 e agora, o pleito finaliza só com o senhor no cargo pelo partido.

Francisco Jr. – Olhando para o pleito de 2018, de certa forma, isso é bastante positivo. Porque o PSD é um partido grande, com tempo de televisão, com fundo eleitoral significativo, diretórios em praticamente todos os municípios de Goiás, com bancada federal, com uma estrutura política respeitável, e por questões pontuais e pessoais elegeu cinco deputados estaduais e, neste momento, não tem nenhum deputado estadual com mandato para representar o partido. O que abre a possibilidade e fica bastante atrativo para possíveis candidatos sem mandato poderem participar das eleições de forma competitiva. Então, nós estamos recebendo diversas filiações, estamos organizando o partido e devemos ter representantes das diversas regiões do Estado, candidatando a deputado estadual pelo PSD nestas eleições.

“Entendo que José Eliton tem uma oportunidade muito especial, a partir de 7 de abril, como governador do Estado, demonstrar seu jeito de governar e conseguir ganhar musculatura para disputar essa eleição”

O PSD caminhará com a base aliada ou outros partidos e isso trará problemas sobre uma possível indefinição do partido na captação de novos nomes para substituição dos deputados estaduais que saíram da sigla?

Não, o PSD não está indeciso. O PSD irá decidir qual candidatura majoritária apoiar mais à frente. Isso foi uma decisão interna do partido. Eu não percebo que isso esteja prejudicando o partido. Ao contrário, dá uma liberdade muito grande a quem busca o PSD para poder se candidatar. É um processo o qual qualquer partido que disser que está plenamente definido pode incorrer em ter que voltar atrás. Então, na verdade, o PSD, a posição dos deputados, a posição do presidente, a posição dos membros do diretório é conhecida e tem o acordo de democraticamente decidir qual candidato majoritário vamos apoiar um pouco mais à frente.

O deputado Heuler Cruvinel afirmou que existe uma diferença entre os deputados com mandato e a direção partidária. Existe essa diferença ou liberdade?

Existe uma liberdade e uma decisão interna, de tomar a decisão lá na frente no momento apropriado, que é no momento das eleições. Agora, há uma tendência natural de o partido permanecer na base. O partido compõe a base de sustentação do governo, participou da base nas eleições passadas, compôs o governo todo este mandato, então, é natural que continue. Agora, o que não está acontecendo ainda é fazer esse apoio de forma plena, de papel passado, porque não tem como fazer isso, não aconteceram as convenções ainda. Agora, respeitamos, respeita-se a posição de cada membro do partido.

Entende-se que o PSD já está fechado com o vice-governador José Eliton, uma vez que na reforma administrativa o partido continuou com a pasta da Secima. O PSD decidiu por apoiar a base aliada ou não?

Como eu disse, o PSD só vai decidir mais à frente. O que o deputado Heuler disse à entrevista é que há uma pressão para que essa decisão seja tomada agora. Vai sair agora no próximo sábado, então, ainda não foi tomada essa decisão, se acontecer isso em uma reunião – que pode acontecer na próxima semana – pode ser que a decisão seja tomada este mês. Por enquanto, o acordo interno é de só tomar a decisão final mais à frente, em junho ou julho

O que o senhor espera de José Eliton a partir de abril?

Entendo que José Eliton tem uma oportunidade muito especial, a partir de 7 de abril, como governador do Estado, demonstrar seu jeito de governar e conseguir ganhar musculatura para disputar essa eleição de forma vitoriosa. Então, ele vai ter uma grande oportunidade de ganhar musculatura, de conquistar apoios, demonstrando sua forma de governar governando. Nenhum outro pré-candidato vai ter essa oportunidade, todos vão dizer o que farão. Ele terá oportunidade de fazer. Então, eu penso que é uma oportunidade muito especial que hoje o vice- governador, e daqui a pouco governador, José Eliton terá para desfazer qualquer dúvida que paire em torno do seu jeito de governador.

José Eliton está decidido como nome do PSDB há mais de um ano. Durante esse tempo ele já conseguiu fazer um caminho de articulação e interlocução com deputados estaduais e federais, com toda a base do atual governo?

Política é muito dinâmica, mas eu penso que sim, tanto é que ninguém não o considera como candidato natural. Quer dizer, então ele é considerado como candidato natural por todos que compõem a base, pelos deputados, pelos partidos, e tem conseguido manter a base de sustentação do governo aglutinada. Considero isso como um ponto muito positivo.

“O PSD pleiteia uma vaga na chapa majoritária. Eu acredito que tem tamanho e importância para isso, tem grandes quadros”

Em relação à Assembleia Legislativa, este ano será complicado para votações importantes, visto que o quórum em ano eleitoral sempre é mais reduzido?

Esse é um problema histórico, mas precisa ser superado. Os deputados têm que separar a atividade parlamentar do processo político-eleitoral, de campanha, que tem o tempo certo para acontecer, de acordo com a legislação. Então, nós temos, antes de tudo, que cumprir com nossos compromissos, e o eleitor também está atento. Eu penso que hoje existe muita oportunidade de saber o que cada deputado faz, redes sociais, imprensa. Então, eu tenho certeza que o eleitor estará muito atento, acompanhando as atividades do seu deputado. Então, teremos quórum e as atividades da Assembleia vão acontecer normalmente.

O senhor encampou um grupo de deputados estaduais que tentou implementar as emendas impositivas em 2017. Neste ano, o presidente da Casa, José Vitti, já deu declarações de que estuda implementar esse projeto, depois que o governo estadual vetou todas as emendas apresentadas pelos deputados. Como o senhor vê essa discussão?

Infelizmente, no passado, enxergaram a articulação para aprovar as emendas impositivas na Assembleia como se fosse algo contra o governo, e não é. É algo pró-Assembleia, é algo pró-poder legislativo. Hoje está claro, então percebe-se que existe a necessidade, o poder Legislativo tem que buscar sua autonomia, suas condições de trabalho e não é nada, nenhum tipo de afronta ao Executivo. Ao contrário, na democracia nós desenvolvemos essa parceria com tranquilidade e acredito que deve ser aprovada agora e será muito bom para a próxima legislatura.

O ministro [da Fazenda] Henrique Meirelles anunciou a desfiliação do PSD e entrada no MDB a partir de abril. É um nome forte na disputa eleitoral para a Presidência da República?

Eu tenho uma grande admiração pelo ministro Henrique Meirelles. Com certeza, é um nome qualificado. Agora, para ser um nome forte eleitoralmente vai depender muito do momento político que o Brasil está, como a população vai entender, receber o nome dele. Acho que é difícil mensurar isso. Agora, é um nome qualificado, com certeza. Muito preparado, muito qualificado, um grande nome de repercussão internacional que o Brasil tem hoje.

A chapa da base aliada tem José Eliton, Marconi Perillo para o Senado, Lúcia Vânia também. A outra vaga é do PSD?

Eu não sei se essa outra vaga, que está sobrando aí, é a de vice. O PSD pleiteia uma vaga na chapa majoritária, acredito que tem tamanho e importância para isso, tem grandes quadros, mas eu entendo que tudo isso é um processo. Nós temos hoje ainda, como principal indicação nossa para majoritária a vaga de candidatura ao Senado para Vilmar Rocha. Mas eu penso que está tudo aberto ainda, essa discussão. Todo esse diálogo – seja para o Senado, seja para vice, seja para ajudar no processo eleitoral sem compor a chapa –, tudo ainda está por discutir. Eu penso que mais do que nomes, nós vamos conversar sobre projetos. Qual é o projeto que nós queremos apresentar para Goiás nos próximos quatro anos? Eu, particularmente, acho isso muito mais importante do que dizer quem vai ficar na cadeira A, B ou C. Nós vamos querer ser eleitos para que, para fazer o que pelo nosso estado?

“A Igreja (Católica) não tem candidato, a igreja não é partido. Agora, eu sou católico, mas eu faço uma discussão muito tranquila com pessoas de outras religiões e de outra fé”

Pensando como pré-candidato a deputado federal, o caminho a seguir seria na base aliada ou um alternativo?

O caminho natural é dentro da base. Eu imagino que toda essa discussão vai começar a acontecer de forma mais objetiva em pouco tempo, não só com o PSD, mas com todos os partidos. Mas o caminho natural é dentro da base aliada, no governo que nós já compomos há bastante tempo. A intenção é poder contribuir, colaborar nessa candidatura a deputado federal com o que a gente tem, com nossa história, nosso trabalho, tudo aquilo que eu consegui reunir em todo esse tempo participando da política. Nós vivemos um processo político no Brasil hoje muito sofrido, muito doloroso, e tudo aquilo que eu defendo enquanto valores, neste momento, será discutido no Congresso Nacional. Então, se eu estou em um processo político querendo dar a minha contribuição, eu entendo hoje que o lugar apropriado é na Câmara. Todas as circunstâncias, as reformas que o Brasil precisa passar, a discussão que precisa acontecer está em Brasília. Então, se eu me acovardasse e não tentasse participar desse processo agora, nem eu nem minhas bases me perdoariam.

Qual a motivação para tentar se eleger deputado federal?

Então, a minha motivação de ir para o Congresso Nacional é para fazer uma discussão que eu considero a mais importante da história do país. O Brasil teve momentos muito importantes de democratização, mas agora vamos chegar na maturidade. Então, vamos viver um momento profundo para discutir a maturidade da democracia brasileira, com as reformas necessárias, com as discussões necessárias, e eu quero participar disso.

O senhor é o candidato da Igreja Católica?

A igreja não tem candidato, a igreja não é partido. Agora, eu sou católico, mas eu faço uma discussão muito tranquila com pessoas de outra religião, de outra fé. A fé católica, a fé cristã me faz uma melhor pessoa e eu acredito que também me faz um melhor político, um melhor deputado.