“União da base vai depender da habilidade de Eliton”

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Otavinho Lage – Presidente Adial

Vassil Oliveira

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Neto de político, filho de político, irmão de político e, por fim, ele mesmo político. Este é o perfil de Otávio  Lage de Siqueira Filho, ou simplesmente Otavinho Lage, atual presidente da Adial e ex-prefeito de Goianésia, que concedeu entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto na última semana, na qual aponta sua convicção da diminuição do papel do Estado na vida dos cidadãos, dentre outros assuntos. Filiado ao PSDB, Otavinho afirma que apoia a candidatura de José Eliton (PSDB) ao governo do Estado e que está nas mãos do novo governador a capacidade de manter a base aliada unida para o pleito de setembro. Acompanhe a entrevista completa.

Marconi Perillo deixa o governo este ano. Observando esses quase 20 anos, o saldo foi positivo?

Otavinho Lage – Acho que o Estado modernizou muito, aumentou muito a arrecadação. Acho que o governador tem essa capacidade de fazer com que as coisas aconteçam, ele corre atrás. A gente viu o apoio que ele deu naquela questão da convalidação dos incentivos fiscais, para acabar essa guerra fiscal, tratando diretamente com o governador Alckmin, indo ao Supremo Tribunal Federal, indo à Câmara dos Deputados para agilizar a votação. Então, assim, Marconi é proativo para as coisas que trazem resultado para o Estado. Se pegar o valor patrimonial do Estado há 20 anos e hoje, mais a arrecadação do Estado naquela época e quanto é hoje, a gente vê que o saldo é positivo. Goiás tem uma boa performance.

Marconi não foi muito generoso na atração das empresas e isso não teria criado distorções, como perdão fiscal exagerado, grandes incentivos?

O perdão não vou dizer porque é uma política que, às vezes, eu também questiono. Mas o incentivo fiscal, você está dando incentivo para aquilo que você não tem. Quando você atrai uma empresa de fora, você está atraindo investimento e arrecadação, abrindo mão de uma parte dessa arrecadação que você não tinha. Então, o incentivo fiscal faz com que o Estado gere empregos, aumente a arrecadação e gere desenvolvimento.

O que não pode faltar no plano de governo de um candidato?

Acho que a credibilidade é fundamental. O empresário gosta de regras claras, transparentes e que não sejam alteradas. Isso é fundamental para qualquer atividade empresarial, que a regra do jogo não mude no meio do jogo. No Brasil, infelizmente, a nível nacional isso acontece. É mudança de alíquota, de impostos, de financiamento, é o câmbio que uma hora é alto, outra hora é baixo. Tudo isso acaba atrapalhando. E tem que haver apoio na parte de infraestrutura. Goiás, por exemplo, precisa ser mais competitivo.

“Na minha opinião, não tinha que existir Iquego na estrutura do Estado. Logicamente outros órgãos que existem poderiam ser reduzidos. Tem que se questionar a eficiência e eficácia para ver se está fazendo o que precisa ser feito”

Pensando ainda no futuro do Estado e no legado de Marconi Perillo, o que faltou?

Ele agiu em muitas áreas, acho que o governo pegou uma crise nacional muito grande, isso acabou prejudicando nesse último mandato dele, que pegou o pico da crise. Mas acho que, de uma maneira geral, o governador agiu em todas as áreas, educação, cultura, infraestrutura. Acho que talvez na área do Estado que ele poderia ter sido mais eficiente em reduzir o tamanho o Estado.

Do que o Estado poderia abrir mão?

Na minha opinião, não tinha que existir Iquego na estrutura do Estado. Logicamente outros órgãos que existem poderiam ser reduzidos. Tem que se questionar a eficiência e eficácia para ver se está fazendo o que precisava ser feito. Acho que nesse ponto, no tamanho do Estado, uma coisa boa que ele está fazendo são essas OS’s, de uma certa maneira está reduzindo o tamanho do Estado terceirizando o serviço. Isso foi positivo. Mas acho que mesmo assim o tamanho o Estado tem que ser sempre questionado. Acho que educação, tem que haver realmente um grande apoio. Acho que teve um apoio ao Ensino Superior, através da UEG. Aí também poderia ter sido uma verba melhor para dar mais estrutura para a UEG, que começou bem, mas depois eu senti que ele reduziu esse apoio à UEG. Acho que a UEG é um importante órgão de pesquisa do Estado. Ligado às universidades é um apoio de uma parte, talvez, da arrecadação.

Onde o Estado pode ajudar mais e onde atrapalha os prefeitos?

Quando o Estado faz uma boa gestão dos recursos, os repasses do ICMS são repasses expressivos para os municípios. Acho que na medida que você faz uma boa gestão da arrecadação do ICMS, o município leva 25%, que é uma parcela expressiva. As parcerias são importantes e têm que existir entre Estado e município porque o prefeito está próximo à população e conhece melhor as demandas. E às vezes o Estado faz demandas que não são exatamente as demandas do município. Já vi isso acontecer e acho que acontece, e é normal porque às vezes não há essa sintonia entre Estados e municípios. O governador fazia um trabalho de planejamento, em que ele ia às regiões e fazia essas demandas. Acho que isso ajudou muito no primeiro e segundo mandato. Naqueles Governos Itinerantes ele fazia uma interação interessante. Acho que isso ajudou muito na percepção daquilo que é mais importante para os municípios. Em nossa gestão, eu fazia muita pesquisa, além das reuniões que a gente fazia de orçamento participativo, para ver nas comunidades aquilo que havia mais necessidade de investimento. Então, quanto maior for essa interação, melhor é para o contribuinte, para a comunidade. Acho que isso é importante. O governador teve um bom diálogo com os prefeitos de todos os partidos. Acho que foi um ponto positivo do Marconi, ele sabe ouvir, sabe dialogar, sempre participou, ia aos municípios. Quando mais eficiente for essa interação, melhor para todos.

Seu pai foi governador. Foi ele quem mais o incentivou a participar da política?

Partiu assim, pelo trabalho que a gente fez em nossa empresa, e a gente sempre teve uma visão muito social da empresa, como participante no envolvimento da cidade, eu sempre tive esse lado de apoiar o aspecto social da empresa e do funcionário. Eu sempre falo que nosso maior patrimônio são nossos funcionários. Então, o apoio que a gente dá ao funcionário em treinamento, qualificação, plano de saúde, odontológico, clube de lazer, as atividades que sempre envolviam o funcionário e a família, acho que isso ajudou muito o reconhecimento do nosso trabalho e nosso nome ter se destacado. Esse foi o incentivo que ele deu de participação na política e nós aceitamos o desafio, e foi muito boa a experiência, enriquecedor.

A vontade dele de o sr. participar da política se estendia até uma disputa ao governo do Estado?

Não, nunca falamos sobre isso. Quando ele faleceu, inclusive, eu estava na Prefeitura, foi à época que o governador Alcides estava em campanha. Então, realmente nós nunca tratamos disso.

O sr. acredita que base continuará unida com Eliton?

Vai depender muito da habilidade do governador José Eliton de manter essa base unida, porque o governador fez sua parte. Acho que ajudou muito José Eliton a conquistar seu espaço, a ter essa liderança que, com certeza, ele terá, e fazer com que essa base fique unida. Isso é importante. A união da base é fundamental para que tenha sucesso na caminhada dele que, provavelmente, será o candidato. Acredito que vai depender muito dessa habilidade do governador José Eliton.

Ele tem habilidade para juntar essa base?

Acredito que sim. Ele teve uma boa convivência com o governador. Acho que professor PhD ele teve, que foi Marconi. É um professor com doutorado. Então, acho que a convivência com ele, com certeza, deve ter desenvolvido muito a habilidade que o governador tem. E o governador estará junto, ele também deve ser candidato ao Senado. Acredito que essa união já teve resultado positivo, quando foi com Alcides. Então, acredito que José Eliton é uma pessoa inteligente, preparada. Acho que ele terá um bom resultado.

O sr. apoia a candidatura de Eliton?

Com certeza.

Essa já é uma situação definida?

Acho que a liderança do governador Marconi, que exerceu durante esse grande período, foi uma liderança muito forte, e nós temos que bater palmas para tudo que ele trouxe, tudo que ele fez. Uma liderança muito forte a nível nacional, ele está mostrando essa competência. Foi na criação do Fórum de Governadores, hoje vice-presidente do PSDB. Então, o governador criou uma liderança nacional. E a gente acredita nessa liderança e estamos juntos. Acho que o importante é a união neste momento para que a gente tenha sucesso. Eu acho que, sem desmerecer outras candidaturas, o saldo da balança é muito positivo, tem o que mostrar. É uma renovação, José Eliton é uma pessoa nova, acho que é uma pessoa que tem capacidade de fazer um bom trabalho.

Na disputa pelo Senado, Vilmar Rocha tem condições de ser candidato ou a chapa já está definida?

Pelo que eu entendo, acho que está [definida], essa consolidação. Mas até junho muita água vai passar por baixo da ponte. Política é muito dinâmica. Precisa ver o que vai acontecer até junho. Acho que tem que haver diálogo, não pode deixar de ter diálogo, tem que haver conversações e ver o melhor caminho, que seja bom para o grupo como um todo. Acho que aí vai depender muito do governador José Eliton, que estará no exercício do mandato, do apoio do governador Marconi que, com certeza, estará dando essa união. É uma pessoa agregadora ao extremo, o governador Marconi sabe conviver com os opostos e sempre de maneira a agregar. Acho que isso é fundamental na política e acho que esse papel do governador Marconi quanto do governador José Eliton é importante para que a base esteja unida.

“Sem desmerecer outras candidaturas, o saldo da balança é muito positivo. Eliton é novo e tem capacidade de fazer um bom trabalho”

O sr. pode voltar a ser candidato?

Não, não tenho nenhuma perspectiva na minha cabeça. Temos uma situação de consolidação das nossas atividades, estamos reestruturando com a morte do nosso irmão, o Ricardo, que ano passado, a gente tem uma reestruturação que está sendo feita. Então, isso é importante neste momento, é fundamental para nossa atividade. O futuro a Deus pertence.

Futuro a Deus pertence é uma frase típica de político, não de empresário…

Não, mas as coisas têm que ser resolvidas e a curto prazo realmente não tem a menor chance. Então, vamos estar integrados, ajudando, apoiando, mas não tenho essa perspectiva.

Porque perderam a eleição, quando seu irmão foi candidato?

Acho que a renovação é importante e faz parte. Às vezes pode renovar para pior, mas ela faz parte. E às vezes a população entende que a renovação deveria ter acontecido, e ela aconteceu. Não quer dizer que isso foi melhor ou pior, o tempo é que dirá, mas o Jalles fez uma gestão muito boa. Gestão dele foi muito boa para a cidade, ele trouxe muito investimento para a cidade e esses investimentos darão resultado ao longo dos anos. Por exemplo, a faculdade de Medicina, foi uma conquista que Jalles trouxe e até à época ele fez a proposta na campanha e eu achei audaciosa. Jalles é audacioso, ele fez e conseguiu realizar esse sonho, que para Goianésia é muito bom. À época nós trouxemos o que é hoje a UniEvangélica, foi muito bom, mais de dois mil alunos na universidade, muitos cursos, Odontologia começa agora, cursos de Engenharia Civil, Mecânica, Agronomia. Então, a cidade vai crescer e desenvolver para uma boa estrutura na área da educação e isso é muito importante para o futuro da cidade. Jalles deu essa condição. Na área da saúde ele fez um belíssimo trabalho, fez a UPA, o Credeq, que foi inaugurado agora pelo governo do Estado, que vai dar respaldo muito importante, não só a Goianésia, mas à região toda. Na área de infraestrutura ele fez um belíssimo trabalho de recapeamento, saneamento básico, casa popular. Então, assim, Jalles fez um trabalho excepcional para a cidade, mas talvez politicamente, no dia-a-dia, deixou de fazer a divulgação, não teve essa preocupação, às vezes cortou muito benefício de funcionário público e isso teve algum impacto, mudanças que às vezes ele entendia que deveriam ser feitas e isso teve impacto, com certeza. E a questão da campanha, teve outros aspectos na campanha local, onde foi constatada utilização de práticas escusas pelo nosso adversário. O tribunal entendeu que isso não era problema, mas localmente tanto o Ministério Público quanto o juiz que acompanhou sabiam, tomaram conhecimento e realmente pediram a cassação do prefeito. Mas infelizmente a Justiça tem vários patamares. Às vezes a um nível há um entendimento, em outro nível, outro entendimento, muda o entendimento. Mas quem estava próximo lá teve condições de ver e acompanhar melhor. Mas isso é política, é campanha, está dentro do que acontece no Brasil inteiro, infelizmente, de uma maneira nefasta.

“Acho que o Brasil precisa ter um pouco de paz, de tranquilidade. O governo do PT trouxe muito esse aspecto de nós contra eles. Acho que isso precisa acabar”

Qual o perfil do melhor candidato para presidente?

Acho que o Brasil precisa ter um pouco de paz, de tranquilidade. Acho que o governo do PT trouxe muito esse aspecto de nós contra eles. Então, acho que isso precisa acabar, o Brasil é um país só, as pessoas têm que estar de mãos dadas. Acho que o perfil de um candidato mais tranquilo, com espírito de entendimento, acho que é muito importante. Eu vejo isso no candidato Alckmin. Em São Paulo a gente o vê como uma pessoa de muito consenso, de muito trabalho, um perfil de muita seriedade, um candidato que será bom para isso se ele conseguir ser eleito. Acho que, por exemplo, uma candidatura mais à direita vai dar distensão, mais à esquerda, idem. Está vendo que está muito polemizada essa questão. Precisamos ter um candidato mais de centro e mais voltado a fazer com que o país cresça sem essas distensões, essa questão social está sendo muito colocada como se o Brasil tivesse dois mundos. E nós estamos em uma área só, temos que ter uma convivência mais pacífica, mais produtiva.

PSDB e MDB são adversários em Goianésia. No País, isso poderia dar liga?

Acredito que sim. Acho que a estrutura dos dois partidos é grande, acho que seria importante se houvesse essa união.

Em uma chapa só?

Em uma chapa só. Seria muito bom para o país. Acho que haveria realmente uma união de um Partido Social Democrata e de um partido que tem uma estrutura grande, espalhada em todo o Brasil, que é o MDB. Isso seria muito bom para politicamente se fazer uma boa campanha, ter uma vitória e um bom governo.

Qual seria a chapa que poderia unir os dois partidos?

Acho que o Alckmin, Meirelles. Acho que tem muita gente que possa compor. [Henrique] Meirelles é um nome espetacular. Ele talvez politicamente não tenha essa estrutura que precisaria ter, mas é uma pessoa que ajudaria muito qualquer governo. Tem uma capacidade de gestão muito boa. Acho que seria uma união muito boa.

Em relação à integração, o perfil do empresariado goiano está bom ou é mais conservador?

Não, acho que vemos hoje muita ação do empresariado e crescimento de uso de tecnologia. A gente vê uma empresa igual do César, lá de Piracanjuba, usando robótica, tudo mecanizado e automatizado, é uma empresa modelo. A gente vê a participação do empresário nas práticas de gerenciamento e de gestão, a eficiência operacional, gestão eficiente na parte, por exemplo, de conselhos. A gente vê muito trabalho sendo feito na cabeça dos sócios, no aprimoramento da gestão fazendo com que você tenha ali uma Fundação Dom Cabral, fazendo trabalhos, uma [***40’40’’], fazer trabalhos com os empresários para melhorar a eficiência e eficácia. A gente tem procurado profissionalizar a gestão e temos visto isso em muitas empresas goianas. Acho que isso tem sido muito positivo.

Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e José Eliton: o que o sr. vê de bom e de ruim em cada um deles?

Eu sempre gosto de ver o lado positivo das coisas. Se a gente ficar olhando o negativo, parece que isso atrapalha, a gente fica pequeno, acaba voltando. Acho que todos têm lados positivos e o que precisa ver é se o lado positivo que um pode trazer para o Estado será maior ou menor. Eu vejo uma questão importante para qualquer governante é ter diálogo. Para mim, o diálogo é fundamental, você tem que conviver com os opostos, tem que ter paciência, tem que saber ouvir críticas e com isso você cresce. Eu vejo que é importante essa característica. Acho que a população tem que ver quem pode ter mais essa capacidade de interlocução, acesso, trazer recursos, porque um governador sozinho não é eficaz e eficiente quanto aquele que possa ter uma parceria com o governo federal. É importante e fundamental para que as coisas aconteçam com mais facilidade, agilidade e intensidade. Acho que essa avaliação precisa ser feita. Acho que a ponderação, a questão de a pessoa ser sábia, acho que é importante para ter um bom governo. Teria que as pessoas fazerem essa avaliação. No meu ponto de vista isso é importante. Trabalho e capacidade é fundamental também, a pessoa tem que estar disponível, tem que estar sempre muito focada naquilo que ela vai se propor. É fundamental que o Estado não pare. Acho que o nível de exigência vai sempre aumentando, então tem que ter essa… E a visão do Estado enxuto. Se você tiver uma visão de ampliar o Estado, eu não sou muito de acordo. Acho que o Estado tem que ser reduzido. Ninguém aguenta pagar mais impostos. Aumentar impostos, ninguém está aguentando. Então, o Estado tem que fazer a aplicação dos recursos com eficiência e tem que ser reduzido o tamanho do Estado, diminuir secretaria, órgãos. Acho que o Estado tem que priorizar as áreas de educação, saúde, segurança. Isso aí a população, mais que nunca, exige. Precisa ser feito isso. E questionar onde pode ser reduzido. Tem que ser em consenso com a população.

 

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