Educação para a vida

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Fabiola Rodrigues

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Focado em pesquisa e debate de temas sociais, atuais e relevantes, estudantes de escola pública de Goiânia escrevem redações para coletânea organizada pela professora

Para ajudar a desenvolver no estudante habilidades de leitura, escrita, interpretação de texto e diminuir a insegurança de escrever, a professora Doraney Oliveira criou um método para estimular a produção de texto em sala de aula, focado em pesquisa e debate sobre temas sociais, atuais e relevantes. Em seguida, os estudantes escrevem redações abordando o que foi discutido. Essa atividade deu origem à coletânea Escrevinhando, escrita pelas mãos de estudantes da rede pública municipal de Goiânia.

Com 137 textos, a coletânea foi produzida durante todo ano de passado pelos estudantes do 7º, 8º e 9º ano da Escola Municipal Professora Dalísia Elizabeth Martins Doles, no Setor Goiânia 2, onde Donaney leciona a disciplina de Português. Por ser um trabalho anual, teve sua publicação oficial na semana passada no próprio colégio. Doraney Oliveira celebra o momento como um avanço no aprendizado de seus alunos.

“Preocupo em oferecer um ensino de qualidade, pois sei que isso faz toda diferença no futuro de cada jovem. Sou apaixonada neste projeto, porque, para além do conhecimento da gramática, ele traz uma reflexão social importantíssima para a vida de cada estudante e também proporciona relação afetiva entre os colegas de turma”, frisa.

A criação dos textos para a coletânea ocorre durante o ano letivo inteiro, com planejamento bimestral, quando a professora separa temas que envolvem ética, respeito, tolerância e solidariedade e incentiva cada estudante a ler e discutir em grupos. Desde 2014 o projeto foi incluído pela professora em suas aulas, com o objetivo de eliminar nos alunos a insegurança na hora de escrever e encorajar a expressão espontânea.

Na coletânea de 2017 os estudantes debateram especialmente sobre racismo, bullying, interferência das redes sociais nas relações pessoais e combate à violência, proporcionando assim a compreensão de temas atuais e importantes.

A professora explica que após cada atividade escrita o texto era corrigido com anotações e observações, para que o aluno pudesse aprimorá-lo, fazendo revisões. Esse exercício de acompanhamento, seguido de orientações, à medida que realizado de perto, fez com que os estudantes tivessem mais firmeza para expressar suas ideias.

“Este trabalho é social e afetivo, amo o que faço. Crio vínculos até mesmo pessoais com o estudante. Isso acontece porque na maioria das vezes a escola e a família não proporcionam um contato sistemático com materiais de leitura e diálogo. Quando damos a liberdade de expressão, ouvindo e ensinando pacientemente, existe uma sólida construção do conhecimento”, observa Doraney Oliveira.

Publicada na primeira semana de abril, durante evento na própria Escola Municipal Professora Dalísia Elizabeth Martins Doles, a coletânea Escrevinhando de 2017 está disponível ao valor de R$ 9,00.

Estudantes relatam evolução

Estudantes que participaram da coletânea organizada pela professora Doraney Oliveira relatam ter melhorado o desempenho na escrita e ter adquirido mais facilidade para opinião. Frederico Nunes, que participou da Escrevinhando de 2017 e está produzindo textos para a de 2018, afirma que a experiência de aprender gramática por meio de pesquisa e diálogo é transformadora.

“Minha conscientização quanto ao preconceito mudou muito, sou mais tolerante com o próximo. E tenho aprendido a valorizar as relações pessoais, tentando não ser refém das redes sociais. Os textos lidos, incentivados pela professora, me ensinaram isso. Sem contar que evoluí minha produção textual”, diz o estudante.

Gabriela Pinheiro conta que a professora sempre faz questão de explorar temas diversos para elaboração da coletânea. Filmes, textos jornalísticos, revistas, contos, poesias, paródias são materiais de apoio utilizados para os estudantes desenvolverem as redações.

“Com as pesquisas que venho fazendo desde o ano passado, aprendi a ser uma pessoa mais responsável e respeitadora. Ao longo do tempo considero que me tornei melhor e mais paciente com minha família e amigos. Isso é o que me chama mais a atenção, porque é um trabalho de conscientização e bem humano, além de estar aprendendo gramática”, diz.

Já Rafael Batista conta que aprendeu muito sobre ética e bullying. Ele tinha muita dificuldade de interpretar texto e de escrever, mas superou alguns medos.

“Eu sentia muita insegurança quando pegava o lápis e o caderno para narrar qualquer fato ou história. Depois de ter ajudado a elaborar redações para a coletânea Escrevinhando, sinto mais coragem para expor no papel minhas ideias que compartilho após leituras com meus colegas”, expressa o estudante.