Os dez trabalhos de Eliton

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Fagner Pinho

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Após ser empossado, 78º governador do Estado assume o poder com uma série de desafios em busca da reeleição

O governador José Eliton (PSDB) assumiu o governo estadual no sábado, 7, ao receber a faixa governamental das mãos do então ex-governador Marconi Perillo (PSDB) com o pensamento voltado unicamente para o mês de outubro deste ano, quando tentará a reeleição para mais quatro anos de governo. Para isso, e, ao contrário do heroi grego Héracles (Hércules, na forma romana), o governador terá pela frente dez desafios pelos quais deverá trabalhar com intuito de sobrepor, sob pena de que, caso não o faça, poderá colocar em risco o objetivo principal do ano no mês de outubro. Estes desafios, superados, servirão, possivelmente, para que Eliton passe a ser mais conhecido e também que cresça nas pesquisas. Confira em tópicos quais são os trabalhos a serem superados por Eliton em seu caminho pela manutenção como inquilino da Casa Verde.

Identidade Própria

Apesar de sempre ter tido protagonismo em funções de chefia, como a presidência da Celg e os comandos das secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Segurança Pública, além, claro, do comando do Programa Goiás na Frente, José Eliton alcança apenas agora, quando se torna governador, o protagonismo político buscado desde o final da década passada. É a chance de criar uma identidade própria como candidato à reeleição. Se em outros momentos, ele viveu a sombra de outras lideranças – como a do próprio governador Marconi Perillo durante os dois mandatos do tucano – agora, com a ‘caneta na mão’, ele poderá mostrar quem, de fato, é José Eliton. Essa demonstração servirá para ultrapassar outros desafios.

Administrar passivo

Se por um lado o governador Marconi Perillo teve forças suficientes para se manter no poder por quatro mandatos, elegendo, inclusive, um aliado em 2006, e mantendo, portanto, o poder dentro de sua base aliada por quase 20 anos, caberá a José Eliton saber aproveitar o que este período teve de positivo, mas, principalmente, saber administrar o grande passivo que surge com o desgaste de qualquer governo em duas décadas, como obras atrasadas ou não entregues, venda da Celg, dentre outros. E a dica para isso veio de diversos especialistas em marketing político ouvidos pela Tribuna do Planalto nos últimos meses, mas veio também de dentro da própria base aliada. Em entrevista recente à TV Brasil Central, o ex-senador Demóstenes Torres (PTB) foi enfático em destacar que “o que a população já deixou claro que não quer é um quinto mandato do governador Marconi Perillo. Caberá a José Eliton saber administrar isso e mostrar que pode governar de uma forma diferente e que não será mais do mesmo”.

Continuidade x continuísmo

À frente do Palácio das Esmeraldas, José Eliton deverá ter a noção de que para se tornar um nome atrativo que faça com que o Tempo Novo continue se mantendo no poder em Goiás, ele terá de focar mais na manutenção reoxigenada da continuidade do que das ações que renderam frutos nas gestões de Marconi Perillo, sem, no entanto, implantar um continuísmo de vícios e nomes enraizados na gestão do ex-governador tucano. Neste ponto, para conseguir comprovar que sua gestão será de continuidade reoxigenada e não de continuísmo viciado, terá de apostar em nomes novos, com perfil focado mais na técnica e em ideiais políticos mais concatenados com o que busca o eleitor, sem vínculo com nomes já batidos, considerados figurinhas carimbadas em gestões anteriores. Os primeiros passos já foram dados com algumas mudanças técnicas, que devem ser consolidadas na primeira semana de trabalho.

União da base

Este, talvez, seja um dos maiores desafios de José Eliton nos próximos meses. Inegavelmente, o grande fator de união dos partidos da base aliada durante os quase 20 anos de poder foi a figura do governador Marconi Perillo. Sem ele, nomes começam ou ameaçam a debandar na base, parte por falta de espaço, caso do senador Wilder Morais; parte por buscarem outros nomes que não ele (Eliton) no comando da situação, caso do ex-deputado Vilmar Rocha. Além deles, há ainda o desafio de se buscar novos nomes para comporem o grupo. As negociações ocorrem desde o ano passado, mas não aparentam estar fechadas antes das convenções deste ano. Partidos como PTB, PR, PSB, PP e PSD, dentre outros, ora se aproximam, ora se afastam fazendo um jogo de valorização de suas legendas. A manutenção dos partidos na base passa por, além da acomodação na chapa majoritária, também pela perspectiva de vitória e de poder. Por isso a parcimônia e a espera até agosto.

Briga por espaços

Pode ser considerado um braço dentro do desafio de manutenção da base aliada. Ao contrário da subjetividade do atendimento de interesses de cada grupo político, este desafio é praticamente aritmético:

1 – A chapa majoritária conta com quatro vagas neste ano: governador, vice-governador, senador 1 e senador 2.

2 – Dessas quatro vagas, duas estão ocupadas: governador, com Zé Eliton, e senador 1, com Marconi Perillo, ambos do PSDB.

3 – A segunda vaga ao Senado, embora não esteja com o martelo batido, tudo indica que deverá ficar com Lúcia Vânia (PSB).

3.1 – Sobra uma vaga, a vice, que é disputada por pelo menos três partidos:

3.2 – PTB de Jovair Arantes, que já bateu o martelo afirmando que caso não a ocupe, pode deixar a base;

3.3 – PP, que afirmou que mesmo fazendo parte da base, pode continuar negociando com outros partidos;

3.4 – PSD, com dois nomes postulantes: Thiago Peixoto e Heuler Cruvinel, ambos deputados federais.

Caberá a Zé Eliton conseguir fazer com que alguém ceda, em benefício da união do todo, conforme sempre fez Marconi Perillo.

Fogo ‘amigo’

Não bastasse os desafios remetentes ao cargo que ocupará e as articulações políticas que terá de realizar até outubro, Eliton ainda terá de trabalhar apagando incêndios dentro da base, que surgirão tanto de aliados declarados quanto de inimizades já conhecidas. Volta e meia ele terá de responder a declarações já esperadas de Vilmar Rocha, presidente do PSD, por exemplo, até de Alexandre Baldy, que assumiu recentemente o PP ressaltando que, mesmo na base, o partido não irá deixar de conversar com a oposição, notadamente com o pré-candidato ao governo pelo MDB, deputado federal Daniel Vilela. Fora demais nomes, como do presidente da Assembleia, José Vitti (PSDB).

Goiás na Frente

Este será outro dos mais complicados desafios de Eliton. Já eleito por vários deputados e cientistas políticos como um fator chave para a busca da reeleição do governador, o programa Goiás na Frente não poderá cometer falhas (faltar com prefeituras) até o momento da eleição. O problema é que alguns municípios têm encontrado dificuldades em emitir certidões, em função de dívidas com o governo e até com empresas estatais, como a Saneago. O prazo limite para assinatura de convênio com o programa é até abril. Caso alguma prefeitura deixe de cumprir este prazo, ficará de fora, comprometendo, assim, a gestão e, consequentemente, a possibilidade de reeleição de Eliton.

TCE

Um fator que não seria, hipoteticamente, de responsabilidade de Zé Eliton, deverá lhe trazer algum desgaste. Caberá a ele aprovar a indicação do secretário estadual de Articulação Política de Goiás, Sérgio Cardoso, a uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCE). Cardoso é cunhado de Marconi Perillo. Caberia a Marconi aprovar a indicação, mas como o conselheiro Sebastião Caroço não conseguiu entrar a tempo com seu pedido de aposentadoria (que somente foi protocolado na última semana), a aprovação do nome de Cardoso passará a ser de responsabilidade de Eliton.

Desconfiança

“Há um plano B para a base aliada?”. Esta, talvez, tenha a pergunta que o governador Marconi Perillo mais ouviu no ano passado e neste ano, desde que deu mostras – claras – de que o candidato da base aliada neste ano seria José Eliton. E todas as vezes que foi perguntado, Marconi foi enfático: “Nosso candidato é o Doutor José Eliton”. Mesmo assim, a desconfiança de parte da base ainda paira sobre Eliton, que, no comando do governo, terá a oportunidade de minar de vez este sentimento, externado muitas vezes pelo presidente da Assembleia Legilstiva, José Vitti (PSDB), por exemplo.

Deputados estaduais

Em fevereiro passado, o governador Marconi Perillo vetou todas as emendas inseridas pelos deputados goianos para o orçamento 2018. A justificativa era de que ele estaria criando despesas para seu sucessor, José Eliton, e que o trabalho de aprovar – ou não – estas emendas seria do próximo governador. A decisão de Marconi irritou a base aliada, uma vez que muitos deputados defendem que os governos de Marconi e Eliton são um só, não cabendo esta diferenciação justificada por Perillo. Os deputados derrubaram o veto, mas a relação entre Executivo e Legislativo ficou um pouco abalada.

Quem é José Eliton?

José Eliton de Figuerêdo Júnior é o 78º governador de Goiás

Nasceu em 27 de agosto de 1972 no município de Rio Verde (GO). Foi criado em Posse, na região noroeste do Estado.

Filho de José Eliton de Figuerêdo e Mirtes Guimarães Figuerêdo, é casado com Fabrina Müller Figuerêdo e pai de dois filhos: Fernando e José Netto.

Formado em Direito pela Universidade Católica de Goiás (hoje PUC-GO), em 1996, é advogado especializado em Direito Eleitoral, com larga atuação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).

Compôs a comissão de juristas do Senado Federal para elaboração do anteprojeto de reformulação do Código Eleitoral Brasileiro.

Foi tesoureiro do Instituto Goiano de Direito Eleitoral (IGDEL). Integrou a Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB-GO. Fez parte da Comissão de Advogados Publicistas da OAB-GO.

Em 2010, foi eleito vice-governador do Estado de Goiás na chapa majoritária com o governador Marconi Perillo e reeleito em 2014.

Em 2011, foi presidente da Companhia Energética de Goiás (Celg-Par).

Em 2015, foi secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED)

Assumiu o Governo do Estado interinamente em 20 oportunidades.

Chefiou missões internacionais do Governo de Goiás e comanda negociações que resultam em importantes investimentos que fortalecem a economia do Estado.

José Eliton foi secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) e, atualmente, preside o Pacto Interestadual de Segurança Integrada que engloba 15 unidades da federação.

Presidente do Conselho de Desenvolvimento do Estado (CDE) que tem a função, entre outras, de analisar e aprovar cartas-consultas de solicitação de financiamentos dos empresários goianos junto ao Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Integra o Conselho Deliberativo (Condel) da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

Conselheiro titular no Conselho Deliberativo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Goiás (Sebrae GO).

Presidente do Fórum Estadual das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte de Goiás (Femep-GO).

Presidente do Conselho de Administração da GoiásFomento.

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