Entrevista | “Nosso maior adversário é Caiado”

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Heuler Cruvinel – Deputado Federal

Daniela Martins e Vassil Oliveira

A base aliada caminha para enfrentar dois adversários na oposição: o deputado federal Daniel Vilela (MDB) e o senador Ronaldo Caiado (DEM). De acordo com o deputado federal Heuler Cruvinel (PP), o segundo seria, hoje, o principal adversário do governador José Eliton (PSDB), uma vez que tem ocupado a liderança das pesquisas divulgadas desde o ano passado. Nesta entrevista concedida à Tribuna do Planalto, o deputado que representa o sudoeste do Estado indica alguns pontos importantes para diminuir a distância com o democrata. Um deles seria a indicação de um nome da região que mais representa o agronegócio em Goiás para a vice de Eliton, como forma de enfraquecer a influência do senador na região. E mais: diz que caso escolham seu nome, estaria pronto para o desafio. Confira este e outros assuntos abordados no encontro.

 

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Tribuna do Planalto – Por que trocar o PSD pelo PP?

Heuler Cruvinel – Primeiro, a minha saída do PSD foi de forma pacífica, sem arestas, sem brigas. Cumpri o mandato dentro do partido em que fui eleito e aproveitei esse período de janela, que realmente é feito para poder ter trocas partidárias, visando as próximas eleições. Estou indo para um partido com estrutura maior para trabalhar em Brasília. O partido, hoje, comanda três Ministérios grandes: Ministério da Saúde, de Agricultura e das Cidades, e meu alinhamento com o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, pode propiciar melhores condições para eu poder atender as demandas e necessidades de toda a região que represento na Câmara Federal. Então, esse é meu objetivo em um primeiro momento, ir para o Progressistas e ter melhores condições de atender as demandas dos prefeitos, que sempre atendo em nosso mandato junto à Câmara Federal, ao governo federal.

Nos últimos momentos da sua decisão, houve um impasse em relação ao PSD dar garantia ao senhor na candidatura. Que garantia foi essa, qual foi o impasse que mais gerou receio de continuar na legenda?

Na verdade, as entrevistas que o presidente do partido, Vilmar Rocha, tem dado das divergências dele com o candidato da base, José Eliton. A preferência dele em poder procurar outros caminhos e alternativas fez com que eu não tivesse confiança em permanecer no PSD. Hoje os prefeitos dos quais sou parceiro e sempre trabalho junto em meu mandato, as parcerias que fazemos junto com as prefeituras, inviabilizariam eu não estar em um projeto junto com a candidatura do governador José Eliton. Então, senti mais confiança na conversa que tive com o ministro Baldy e com o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, que falou que de forma majoritária dentro do partido seria respeitada a escolha de onde o PP iria caminhar para as eleições em 2018 em Goiás. Então, o alinhamento do PP para as candidaturas seria definido por mim, pelo ministro Alexandre Baldy, pelo deputado Sandes Júnior e deputado Roberto Balestra. Temos essa garantia maior em poder estar alinhado em um projeto onde o PP hoje é um dos maiores partidos do Estado pelo número de parlamentares, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Me sinto mais confortável em estar dentro do PP em relação a essa tendência de poder caminhar junto ao governador José Eliton.

“Estou à disposição de nosso grupo político para que a gente tenha condições de reverter o quadro, principalmente da região sudoeste, onde o governador José Eliton tem o pior desempenho em todas as pesquisas”

Há uma disputa pelo PP entre Daniel Vilela e José Eliton. A tendência é José Eliton?

A tendência é José Eliton. Nós temos um trabalho junto ao governador, junto aos prefeitos que nos acompanham e devemos caminhar junto à base aliada, junto ao ex-governador Marconi e com o governador José Eliton visando a reeleição do governador José Eliton.

Há dúvidas em relação às chances de José Eliton por conta dos números de pesquisas. Dá para crescer?

Ele terá maior visibilidade a partir do governo que assumiu agora e até o final do prazo para as convenções. Então, nós acreditamos no crescimento da candidatura do governador José Eliton, quando ele iniciar as inaugurações de obras, das obras que estão em andamento em todo o Estado. Às vezes as pessoas acabam não separando a responsabilidade da saúde do município e do Estado, e por isso que, às vezes, aparece nessas últimas pesquisas que o maior problema do Estado seria a saúde. Mas hoje, principalmente com as Organizações Sociais, que estão fazendo a gestão dos hospitais de Goiás, tem-se oferecido boa condição de atendimento na área da saúde por parte dos hospitais do Estado e em todo Goiás. Acredito que o governador José Eliton, com a base aliada unida, com a parceria com os prefeitos, os municípios, com os principais partidos, com a maioria dos deputados federais e estaduais que estarão com ele na campanha para as eleições de 2018, a tendência é que haja um crescimento do governador José Eliton com o grupo político forte, unido, conciso e com as obras em andamento no Estado de Goiás e principalmente quando se comparar a situação do Estado de Goiás com outros estados da nossa federação. É lógico que temos o único problema em relação à candidatura de José Eliton, que é o tempo que o PSDB está no comando do Estado de Goiás. Mas é um tempo em que o Estado de Goiás se modernizou, prosperou, em que melhoraram as condições para todos os goianos, independente de classe social.

O PSDB pode ter uma candidatura à Presidência, que é Geraldo Alckmin. A tendência é apoiar Alckmin também?

O PP tem conversado com os candidatos de centro, tem esperado o avanço dessas candidaturas presidenciais. Não teremos candidatura própria a presidente da República. Ele vai apoiar uma candidatura de centro e está esperando qual candidatura de centro tem condições de avançar e crescer para que possa dar o apoio, visando as eleições de 2018. Vejo a candidatura de Geraldo Alckmin em melhores condições de ter esse crescimento. Acredito que o nome de Geraldo Alckmin seja mais equilibrado e preparado para este momento que o Brasil precisa enfrentar e ter condições de melhorar a qualidade de vida de todos os brasileiros.

O PSD citou seu nome como candidato a vice. No PP isso chegou a ser ventilado?

Sou um homem de grupo político. Estou à disposição do nosso grupo político no que for melhor para favorecer a candidatura do governador José Eliton. Caso seja a indicação de compar a chapa majoritária como vice-governador de José Eliton, estou à disposição de nosso grupo político para que a gente tenha condições de reverter o quadro, principalmente da região sudoeste, onde o governador José Eliton tem o pior desempenho em todas as pesquisas.

Seria uma estratégia boa para o governador ter um vice do sudoeste?

Acho que sim, um vice que representasse o setor produtivo. O agronegócio hoje é o sustentáculo da economia do nosso país. Isso se comprova em número em todo o país. E temos na região sudoeste, a região mais desenvolvida de nosso Estado, justamente por conta do agronegócio. Isso hoje favorece a candidatura de nosso opositor, que aparece em melhores condições. Por isso, precisamos de um nome para contrabalancear a força do nosso opositor em toda a região sudoeste. Na verdade, ele sempre teve um discurso de defesa, a bandeira dele é a defesa do produtor rural, mas não tem na prática nenhum resultado para melhorar a vida das pessoas, principalmente os mais necessitados.

Está falando do senador Ronaldo Caiado?

Caiado. Os mais necessitados, os mais carentes, [não têm] o resultado realmente de obras físicas e de ter recursos para melhorar a qualidade de atendimento na saúde, na educação, alguma obra que possa realmente ter melhorado a qualidade de vida das pessoas ou propiciado o desenvolvimento de uma cidade ou uma região. Realmente, ao longo destes anos, o que ficou de legado de Caiado foram só os discursos.

O sudoeste foi bem atendido pelos governos de Marconi?

Em termos de obras, sim. Foram feitas obras estruturantes que melhoraram as condições, principalmente do produtor rural, em relação a rodovias que foram construídas e reconstruídas ao longo desses anos e hoje estão em ótimo estado de conservação. Obras significativas e emblemáticas que foram feitas na região sudoeste, como por exemplo a inauguração do Credeq, em Quirinópolis, e da USE, que é Unidade de Saúde Especializada que oferecerá atendimento em 23 especialidades também na cidade de Quirinópolis. A região foi atendida em Superintendências e Secretarias Executivas, que tiveram à frente do primeiro escalão do governo estadual ao longo destes anos.

O sr. espera maior participação no governo de José Eliton?

Hoje o governo José Eliton tem um secretário que é de Rio Verde, que é o secretário de Cidades e Meio Ambiente (Secima), Hwaskar Fagundes, empresário da cidade e que vem fazendo e realizando um ótimo trabalho à frente da Secretaria, uma Secretaria ampla, grande. Na Secima, ele tem tido condições de mostrar bem seu trabalho e mostrar alguns resultados práticos também para a região, como projeto de captação, armazenamento e distribuição de água para a cidade de Rio Verde, do Rio Verdinho, um projeto de R$ 143 milhões. Foi viabilizado o recurso através do Ministério das Cidades e da Saneago. Essa obra será lançada já no próximo mês na cidade, com recurso empenhado através do Ministério das Cidades, para que tenha condições de poder abastecer a cidade de Rio Verde de água para os próximos 50 anos. Hoje, Rio Verde está atendido dentro do governo José Eliton já com uma secretaria importante dentro do governo do Estado. Quando falamos Rio Verde é o sudoeste inteiro, porque Rio Verde é a cidade polo de toda a região sudoeste, é a maior cidade e que acaba atendendo as demandas e necessidades de toda a região.

“Acho desnecessário ter um impeachment agora, tão próximo das eleições, o que geraria maior instabilidade principalmente no setor econômico”

O sr. é candidato à reeleição na Câmara dos Deputados?

Eu vou conversar com as bases, com nosso grupo político. Tem essa possibilidade de ocupar a vice-governadoria, mas estou trabalhando com a possibilidade da reeleição a deputado federal com o trabalho que temos realizado em Brasília. Até acredito que meu nome seja lembrado para ser vice-governador devido ao trabalho que temos realizado, principalmente o municipalista, em atender os prefeitos e os municípios.

O Brasil vive um momento de crise, que também chega ao produtor do campo. Até que ponto essa crise é superável?

O campo tem dado a resposta. Hoje, através do agronegócio, que é o sustentáculo da economia, que apresenta números de superávit no PIB de todo o país, é que temos condições de apresentar realmente números azuis, positivos. Na verdade, o agronegócio tem dado essa resposta. Mas acredito que já podemos, hoje, ver uma luz no fim do túnel na economia do nosso país.

“Na abertura da Tecnoshow Comigo, o governador José Eliton mostrou que não tem medo de cara feia e que vai defender o legado do ex-governador Marconi Perillo”

Nessa discussão a respeito do futuro do país, o principal tema de campanha considerado é a corrupção. Esse tema dominará a eleição desse ano?

Esse deve ser o mote de campanha. Mas o eleitor não pode, de maneira nenhuma, generalizar a classe política. Ele tem que escolher os melhores candidatos. Tem políticos de vários anos que não estão envolvidos em escândalos de corrupção, que não respondem nenhum processo por corrupção, como é meu caso, por exemplo, e tem outros também. Temos que analisar bem os candidatos para que escolher governantes que tenham conhecimento na área econômica, que possam conhecer a gestão pública de perto para que a gente não coloque o país numa situação ainda pior. Por isso, tenho medo dos extremos, tanto para a eleição presidencial quanto para governador de Estado.

Há a possibilidade de chegar a terceira denúncia contra o presidente Michel Temer no Congresso Nacional. Um impeachment seria bom para o País?

Estamos muito próximo das eleições. O eleitor terá a oportunidade de escolher o próximo presidente em outubro. A campanha eleitoral começa em agosto. Estamos muito próximo disso. Acho desnecessário termos um impeachment agora, tão próximo das eleições, o que geraria maior instabilidade principalmente no setor econômico. Temos a oportunidade a partir de agosto, começando o período eleitoral, de avaliar e escolher bem o nosso presidente para que não passemos pelo que passamos nesses últimos quatro anos.

O sr. acredita que as próximas eleições serão de embates acirrados entre José Eliton e Caiado, com críticas fortes, indiretas, como foi na abertura da Tecnoshow?

Com certeza. Esse será o ponto da campanha. Você notou que, na abertura da Tecnoshow, o governador José Eliton mostrou que não tem medo de cara feia e que vai defender o legado do ex-governador Marconi Perillo, que realmente modernizou o Estado de Goiás, que prosperou nesses anos em que o governador Marconi esteve à frente do Estado, principalmente quando se compara Goiás com outros Estados. Passamos pela maior crise econômica da história do país e Goiás está de pé. Goiás hoje teve condições de ter recursos para investimentos, de cumprir com seu custeio, pagamento de seus funcionários públicos em dia. Goiás realmente está em boas condições. E o candidato de oposição colocando que Goiás está vivendo o maior caos da sua história, o pior momento da sua história. A realidade não é essa.

Como José Eliton pode mostrar algo novo depois de 20 anos do PSDB no poder?

O tempo que o PSDB está à frente do Estado pode ter sido até muito, mas Goiás está bem. O eleitor tem de analisar e ter  responsabilidade, porque Goiás pode piorar. Se Goiás eleger um candidato que não tenha bom relacionamento, capacidade de aglutinação, de articulação em poder conseguir recursos junto ao governo federal, Goiás terá dificuldades em fazer investimentos em infraestrutura e outros investimentos em nosso Estado.

O sr. cita apenas Caiado. MDB e Daniel Vilela não são adversários nesta eleição?

Ele é adversário, seu nome está colocado como candidato a governador, mas acredito que hoje com os números de pesquisas que temos, nosso maior adversário seria Caiado. Em termo de grupo político, de apoio, o governador José Eliton tem mais lideranças junto com ele, tanto em número de deputados estaduais, federais, prefeitos, que acreditam que terá um crescimento da sua candidatura a partir do momento que ele se tornará mais conhecido, tendo visibilidade como governador do Estado.

 

 

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