Hora da contribuição de todos

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Fabiola Rodrigues

Educação goiana se mobiliza para construir o novo currículo escolar a partir dos parâmetros da Base Nacional Comum Curricular

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Com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da educação infantil e ensino fundamental em dezembro do ano passado, Goiás começou a discussão para implantar os novos currículos escolares destas etapas da Educação Básica. A BNCC estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade até o 9º ano. A BNCC do ensino médio está sendo elaborada à parte. Chegou a hora de professores, pais e comunidade ajudarem na elaboração curricular dos estudantes goianos.

A Base homologada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) proporciona neste momento nas escolas da rede municipal, estadual e particular ações que envolvem o apoio com consultores e técnicos especializados, workshops de formação continuada de professores e organização de materiais didáticos, principalmente de guias de orientação para a implementação das novas propostas curriculares. O presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação de Goiás (Undime-GO), Marcelo Costa, frisa que este é um momento crucial para que os educadores e as famílias pensem juntos na qualidade de ensino que será oferecida na escola.

“Começamos a formulação do novo currículo escolar com a seguinte pergunta: qual cidadão nós queremos formar? Estamos colocando nele quais elementos contribuem para essa formação, a consulta pública é de extrema importância para que o currículo seja moderno e atenda aos anseios do atual perfil da criança e do adolescente”, diz.

Em Goiás para que essa discussão alcance todos os 246 municípios o trabalho realizado em parceria entre a Undime Goiás e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) proporciona esse diálogo. E é de total relevância que todos os professores estejam atentos a essa construção de propostas curriculares, já que trabalham diretamente com o estudante em sala.

Está previsto pela Undime e Consed que no final de maio seja entregue a primeira versão da proposta curricular estadual. As propostas curriculares debatidas na escola e comunidade serão colocadas na internet pelo site do Ministério da Educação (MEC) e por meio de audiência pública toda a população goiana poderá contribuir ainda mais. Será uma semana aberta a sugestões, que, analisadas, poderão ser inseridas na versão final da proposta curricular do estado de Goiás.

Marcelo Costa observa que cada município irá formular seus currículos, baseados na proposta apresentada pelo comitê municipal, estadual e opinião pública.

Marcelo Costa: “Participação da comunidade é fundamental para elaboração dos currículos das escolas

“Temos que ter a capacidade de aprender e reaprender juntos. O nosso conteúdo precisa ser moderno e respeitar suas particularidades regionais. A tecnologia também proporciona mudanças e temos que acompanhá-la. A tendência é melhorar a qualidade das instituições de ensino”, diz.

O novo currículo escolar está previsto para ficar oficialmente pronto no fim deste ano e ser colocado em prática nas escolas em 2019. A BNCC dará parâmetro de acompanhamento no desenvolvimento da educação no Brasil e também facilitará um modelo de ensino igualitário nas escolas públicas e privadas.

Uma outra importante resolução da base é a antecipação da alfabetização das crianças até o 2º ano do ensino fundamental. Atualmente, as diretrizes curriculares determinam que o período da alfabetização deve ser organizado pelas escolas até o 3º ano do ensino fundamental.

O presidente da Undime em Goiás destaca que isso é um avanço que proporciona aos estudantes mais carentes ter a chance de aprender a ler e escrever na mesma idade de crianças de classes mais elevadas.

“A escola tem o poder de igualar as pessoas que vieram de caminhos sociais diferentes. É muito justo que elas aprendam na mesma época o processo de alfabetização. Seja na escola púbica ou particular”, destaca Marcelo Costa.

Construção coletiva

Coordenadora de Currículo Consed/Seduce, Abadia de Lourdes: todas os colégios serão orientados

O novo currículo da educação básica em Goiás será elaborado por várias mãos. Diretores, coordenadores, professores, pais e estudantes e a comunidade, todos juntos, podem e devem ajudar a pensar a construção e formulação curricular, por meio de ações nas escolas que começaram no mês de março e seguem até o início do segundo semestre.

Entre os dias seis e nove de março, houve o primeiro Dia D em muitos colégios do Estado e unidades escolares dos municípios, para discussão do que representa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Momentos como estes acontecerão até o final de agosto, com intuito de orientar e conscientizar a comunidade das mudanças na educação básica a partir do ano que vem.

“Temos um cronograma de trabalho a ser desenvolvido. Não vamos impor um currículo, ele será construído por todos, pois estamos chamando toda a comunidade, família, além dos professores para a elaboração dele e posteriormente para execução do mesmo. Estamos reunindo também mais de mil pessoas na gestão para pensar o novo modelo de currículo em Goiás”, explica Abadia de Lourdes, coordenadora de Currículo da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) e representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

“Não vamos impor um currículo, ele será construído por todos, através de muito diálogo” Abadia de Lourdes

A BNCC estabelece que a educação infantil está dividida em direitos de aprendizagem e

Reuniões já começaram nas escolas em todo o Estado, para formulação da nova base curricular

desenvolvimento e campos de experiência. E ensino fundamental foi definido por áreas do conhecimento, que são: matemática, linguagens, ciências da natureza e ciências humanas e ensino religioso, as quais terão seus respectivos componentes curriculares. A educação básica é formada por dez competências gerais, que dialogarão com todas as partes do currículo do ensino infantil e fundamental.

Abadia de Lourdes diz que essas definições facilitam para que toda a população tenha mais clareza e facilidade de opinar durante a construção do currículo goiano, que tem previsão de ser entregue ao Conselho Estadual de Educação (CEE) em setembro, após o consentimento do Consed, Undime e MEC.

“Já vencemos várias etapas, mas temos muitas pela frente para a elaboração do currículo. Convocamos todos da comunidade e instituições de ensino a nos ajudarem na conclusão deste processo”, pede a coordenadora.

10 competências gerais da BNCC

  1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
  2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções.
  3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
  4. Utilizar diferentes linguagens verbal oral ou visual-motora, como Libras, e escrita, corporal, visual, sonora e digital, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
  5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais incluindo as escolares para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
  6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
  7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
  8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
  9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
  10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

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